O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta segunda-feira, após se encontrar com o ministro das Finanças britânico, Gordon Brown, que o governo brasileiro não pretende implementar o mesmo modelo de gerenciamento fiscal adotado pelo Reino Unido. O assunto foi tema de especulações na imprensa nas últimas semanas. "O princípio fiscal é o mesmo", disse o ministro, ao explicar que o que muda, de um país o outro, é a forma de aplicação e contabilização.
Ele explicou que, no Reino Unido, através da "regra de ouro" implementada pelo governo trabalhista desde 1997, o Estado pode tomar dinheiro emprestado para investimento em infra-estrutura, mas não para gastos correntes. "No Brasil, estamos fazendo de uma forma diferente, diminuindo os gastos correntes para direcionar os recursos aos investimentos em infra-estrutura através dos PPIs", disse. "Cada país utiliza os instrumentos mais apropriados, e o Brasil tem uma situação diferenciada do Reino Unido."
O ministro ressaltou que a estratégia fiscal do governo brasileiro para os próximos quatro anos, delineada pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), não será alterada. Segundo Mantega, Brown considerou o PAC muito positivo. Ele avaliou que o plano é até mais austero do que o implementado pelos trabalhistas britânicos quando chegaram ao poder.
O ministro reafirmou que a reforma tributária é um dos itens prioritários da agenda do governo, mas descartou uma transferência parcial da CPMF para os Estados, que é uma das reivindicação dos governadores. "O governo não colocou em discussão a parte da CPMF", disse ele em referência à negociação com os governadores.
Mantega também comentou a proposta da Ordem dos Advogados do Brasil divisão São Paulo (OAB-SP) de criar um projeto de lei limitando a carga tributária a 25% do Produto Interno Bruto (PIB). "É absolutamente inexeqüível", disse o ministro.
Ele disse ainda na entrevista que o governo espera uma queda dos spreads bancários (diferença entre os juros pagos pelos bancos e os repassados aos clientes) nos próximos meses. Entre as medidas planejadas pelo governo para aumentar a concorrência na concessão de empréstimos, o ministro disse que será anunciado em breve a portabilidade dos empréstimos consignados.
O ministro informou ainda que o Brasil e o Reino Unido pretendem criar um grupo de trabalho permanente para discussão de vários temas econômicos, entre eles as Parcerias Público Privadas (PPPs) e também a criação de um fundo de vacinação internacional.
terça-feira, 30 de janeiro de 2007
segunda-feira, 29 de janeiro de 2007
Dívida externa do Brasil diminuiu 3,5 por cento em 2006 e é a menor desde 1947
A dívida externa do Brasil diminuiu 3,45 por cento em 2006 para 168,86 mil milhões de dólares tendo atingido o mais baixo valor desde 1947, informou quinta-feira (25) em Brasília o Banco Central do Brasil (BC).
O chefe do Departamento Económico do BC, Altamir Lopes, salientou que a relação entre a dívida externa e o Produto Interno Bruto (PIB) foi de 17,6 por cento.
O responsável salientou que essa relação também é a menor já registada no Brasil, na sequência da melhoria dos indicadores externos do Brasil, alcançada nos últimos anos.
Altamir Lopes afirmou ainda que quase 90 por cento do total da dívida externa brasileira, cerca de 151,66 mil milhões de dólares, têm vencimentos de médio e de longo prazos.
Apenas 17,21 mil milhões de dólares têm vencimentos no curto prazo, ou seja, limites inferiores a um ano, informou o chefe do Departamento Económico do BC.
Altamir Lopes salientou igualmente que a parcela da dívida externa do sector público (75,9 mil milhões de dólares dos 168,86 mil milhões de dólares) é a menor desde 1994, na sequência de compra de títulos de dívida em 2006.
O chefe do Departamento Económico do BC, Altamir Lopes, salientou que a relação entre a dívida externa e o Produto Interno Bruto (PIB) foi de 17,6 por cento.
O responsável salientou que essa relação também é a menor já registada no Brasil, na sequência da melhoria dos indicadores externos do Brasil, alcançada nos últimos anos.
Altamir Lopes afirmou ainda que quase 90 por cento do total da dívida externa brasileira, cerca de 151,66 mil milhões de dólares, têm vencimentos de médio e de longo prazos.
Apenas 17,21 mil milhões de dólares têm vencimentos no curto prazo, ou seja, limites inferiores a um ano, informou o chefe do Departamento Económico do BC.
Altamir Lopes salientou igualmente que a parcela da dívida externa do sector público (75,9 mil milhões de dólares dos 168,86 mil milhões de dólares) é a menor desde 1994, na sequência de compra de títulos de dívida em 2006.
sábado, 27 de janeiro de 2007
Brasil pode fazer concessões para destravar Doha
O Brasil está disposto a fazer concessões no comércio de bens industriais e no setor de serviços, se houver chance de acordo até abril nas negociações da Rodada Doha, disse ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para isso os Estados Unidos e a União Européia deverão melhorar suas ofertas para o comércio agrícola. Ele discutiu a rodada com o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e vários dos principais negociadores.
Se americanos e europeus mostrarem disposição para um acordo, o Brasil tentará convencer os parceiros do Grupo dos 20 (G-20) a fazer as concessões necessárias a um entendimento, prometeu o presidente. Serão naturalmente, ressalvou Lula, ofertas proporcionais às possibilidades de cada país.
A Rodada Doha, afirmou, é um empreendimento político, mais do que econômico. Sua conclusão poderá abrir oportunidades de crescimento nas áreas mais pobres, incluída a África, insistiu o presidente. A conversa sobre as negociações, em reunião fechada, foi parte da programação do Fórum.
Se houver acordo até abril sobre os pontos mais complicados, será politicamente mais fácil concluir a rodada. No fim de junho vence a autorização do Executivo americano para assinar acordos sujeitos apenas a aprovação, mas não a emendas, pelo Congresso. Se as grandes questões ainda estiverem abertas, será mais difícil obter uma prorrogação ou renovação da autoridade para negociar. Esta é uma suposição corrente entre os negociadores.
Hoje, em Davos, 25 ministros - há quem fale em mais - deverão reunir-se para nova tentativa de levar adiante a rodada. Nenhum resultado notável deverá sair desse encontro, segundo avaliações mas há quem aposte num avanço importante nos próximos meses. A representante dos Estados Unidos para o Comércio Exterior, Susan Schwab, declarou essa esperança em entrevista publicada ontem pelo Estado.
“Dependerá deles”, disse ontem o chanceler Celso Amorim, referindo-se aos americanos. O Brasil continua a cobrar dos Estados Unidos maiores cortes dos subsídios à agricultura.
LISTA - Além disso, continua em debate a criação de uma lista de produtos “sensíveis”, defendida pelos governos europeus e americanos. O Brasil admite a lista, mas com muita cautela. Uma relação extensa poderia incluir a maior parte dos produtos em que os brasileiros têm vantagem competitiva. Outros governos do Mercosul têm a mesma preocupação.
O comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, também tem dado declarações otimistas, admitindo algum resultado importante nos próximos meses. É uma esperança fantasiosa, diz a ministra do Comércio da França, Christine Lagarde.
Lula defendeu a conclusão da rodada, alegando que os países mais pobres serão beneficiados com a abertura dos grandes mercados a seu produtos agrícolas. Não fez referência aos interesses brasileiros. Disse mais de uma vez que falava a favor dos pobres pois a agricultura brasileira, insistiu, é competitiva. Os pobres poderão ser beneficiados, exemplificou, se os europeus comprarem etanol da África e os Estados Unidos, da América Central.
Haverá mais milho para porcos e frangos, argumentou Lula, se os americanos deixarem de usá-lo para produzir álcool. O etanol de cana exportado pelos pobres das Américas e da África, explicou, será produzido com tecnologia transferida pelo Brasil.
Se a Europa comprar etanol da África e os Estados Unidos, da América Central, quem comprará do Brasil: só os asiáticos? A essa pergunta o presidente respondeu com um sorriso, afirmando que a demanda européia será enorme, se adotarem 5% de álcool na gasolina, e o Brasil nesse campo é imbatível.
Fonte: AE
Se americanos e europeus mostrarem disposição para um acordo, o Brasil tentará convencer os parceiros do Grupo dos 20 (G-20) a fazer as concessões necessárias a um entendimento, prometeu o presidente. Serão naturalmente, ressalvou Lula, ofertas proporcionais às possibilidades de cada país.
A Rodada Doha, afirmou, é um empreendimento político, mais do que econômico. Sua conclusão poderá abrir oportunidades de crescimento nas áreas mais pobres, incluída a África, insistiu o presidente. A conversa sobre as negociações, em reunião fechada, foi parte da programação do Fórum.
Se houver acordo até abril sobre os pontos mais complicados, será politicamente mais fácil concluir a rodada. No fim de junho vence a autorização do Executivo americano para assinar acordos sujeitos apenas a aprovação, mas não a emendas, pelo Congresso. Se as grandes questões ainda estiverem abertas, será mais difícil obter uma prorrogação ou renovação da autoridade para negociar. Esta é uma suposição corrente entre os negociadores.
Hoje, em Davos, 25 ministros - há quem fale em mais - deverão reunir-se para nova tentativa de levar adiante a rodada. Nenhum resultado notável deverá sair desse encontro, segundo avaliações mas há quem aposte num avanço importante nos próximos meses. A representante dos Estados Unidos para o Comércio Exterior, Susan Schwab, declarou essa esperança em entrevista publicada ontem pelo Estado.
“Dependerá deles”, disse ontem o chanceler Celso Amorim, referindo-se aos americanos. O Brasil continua a cobrar dos Estados Unidos maiores cortes dos subsídios à agricultura.
LISTA - Além disso, continua em debate a criação de uma lista de produtos “sensíveis”, defendida pelos governos europeus e americanos. O Brasil admite a lista, mas com muita cautela. Uma relação extensa poderia incluir a maior parte dos produtos em que os brasileiros têm vantagem competitiva. Outros governos do Mercosul têm a mesma preocupação.
O comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, também tem dado declarações otimistas, admitindo algum resultado importante nos próximos meses. É uma esperança fantasiosa, diz a ministra do Comércio da França, Christine Lagarde.
Lula defendeu a conclusão da rodada, alegando que os países mais pobres serão beneficiados com a abertura dos grandes mercados a seu produtos agrícolas. Não fez referência aos interesses brasileiros. Disse mais de uma vez que falava a favor dos pobres pois a agricultura brasileira, insistiu, é competitiva. Os pobres poderão ser beneficiados, exemplificou, se os europeus comprarem etanol da África e os Estados Unidos, da América Central.
Haverá mais milho para porcos e frangos, argumentou Lula, se os americanos deixarem de usá-lo para produzir álcool. O etanol de cana exportado pelos pobres das Américas e da África, explicou, será produzido com tecnologia transferida pelo Brasil.
Se a Europa comprar etanol da África e os Estados Unidos, da América Central, quem comprará do Brasil: só os asiáticos? A essa pergunta o presidente respondeu com um sorriso, afirmando que a demanda européia será enorme, se adotarem 5% de álcool na gasolina, e o Brasil nesse campo é imbatível.
Fonte: AE
Lula diz que juros não baixam por 'mágica' e convida empresários a conhecer o PAC
Aproveitando o cenário privilegiado por sua participação no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por um lado, disse que os juros no país não podem baixar por mágica e, por outro, convidou empresários estrangeiros a conhecer as oportunidades de investimento propiciadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O programa foi lançado nesta semana pelo governo como aposta para fazer a economia destravar.
Em discurso na manhã desta sexta, Lula afirmou que gostaria de ter juros mais baixos no país, mas que não há uma solução mágica para isso. "Todos nós gostaríamos de uma taxa mais baixa no Brasil, mas você não pode reduzi-la por mágica", afirmou.
O Banco Central cortou a taxa básica de juro (a Selic) em 0,25 ponto percentual na quarta-feira, para 13% ao ano, mas o custo dos empréstimos no país ainda está entre os mais altos no mundo.
Durante seu discurso, Lula disse estar confiante de que a taxa de juro no país caia na medida em que aumentar a confiança na economia brasileira.
Já para os mais de mil empresários presentes a Davos, o mandatário brasileiro falou do PAC, convidando-os a visitarem o Brasil a partir de fevereiro para que conheçam de perto as oportunidades de investimento oferecidas pelas novas medidas.
"Não vou aqui fazer merchandising para o Brasil. E não vou pedir para vocês: 'Vem para o Brasil, investe no Brasil'. Isso só vai fazer quem quiser ganhar dinheiro e ter segurança no investimentos", disse.
Ele aproveitou a oportunidade e comentou sobre a política econômica, dizendo o país aprendeu a combinar políticas de crescimento de exportações com crescimento do mercado interno, controle da inflação com crescimento econômico, superávit comercial com superávit na conta corrente, e disse ainda que o Brasil alcançou um nível de reservas que nunca imaginou.
"O Brasil vive um momento de auto-estima interna e de confiança externa, porque a nossa economia nunca esteve numa situação privilegiada como está hoje", afirmou, apresentando o país como um lugar estável para investimentos.
Depois desse encontro, Lula teve reunião com cerca de 80 empresários, na qual ele e os ministros Celso Amorim, de Relações Exteriores, e Guido Mantega, da Fazenda, fizeram um balanço sobre a política econômica. Mantega falou sobre o PAC e Amorim renovou o apelo para retomada das negociações da Organização Mundial de Comércio (OMC) com a Rodada Doha.
Pedido de abertura
No seu discurso pela manhã em Davos, Lula pediu que a Europa e os Estados Unidos façam concessões para tornar possível um acordo comercial na Rodada Doha que gere desenvolvimento na luta contra a pobreza. O presidente citou o Brasil como exemplo.
A Rodada Doha pode reduzir ou eliminar barreiras comerciais e permitir que países pobres vendam seus produtos às nações ricas sem muitas taxas.
"Se quisermos enviar um sinal aos países mais pobres de que vão ter uma oportunidade no século 21, os Estados Unidos, o Reino Unido, a França, a Alemanha, os países mais importantes devem assumir a responsabilidade de tornar possível esse acordo", afirmou.
Lula assegurou que a Rodada Doha "pode ser o caminho da esperança para milhões de seres humanos que esperam um gesto nosso", porque "só se pode acabar com a pobreza se os países pobres se desenvolverem".
"A União Européia (UE) e os países ricos devem entender isso; se não, não existirá acordo", advertiu.
O presidente fez as declarações um dia antes da reunião ministerial de quase 30 países da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Davos, na qual tentarão retomar as negociações da Rodada Doha para a liberalização comercial internacional, que foram suspensas em julho.
Dessa forma, Lula cumpriu sua meta de aproveitar sua viagem à estação de esqui suíça para convocar a elite econômica e política, reunida durante quatro dias, a investir nos países pobres para fomentar o crescimento e poder cumprir os Objetivos do Milênio da ONU de reduzir a pobreza à metade em 2015.
Lula garantiu também aos países desenvolvidos que, se aceitarem concessões, o Brasil convencerá o Grupo dos Vinte (G20) a cumprir sua parte de maneira proporcional a suas capacidades. "O Brasil fará sua parte, fará concessões dentro de suas possibilidades e convencerá o G-20 a fazer o mesmo", disse.
O G20 é integrado por países em desenvolvimento que reivindicam que os Estados industrializados abram seus mercados agrícolas e eliminem seus subsídios neste setor, de modo que possam competir nos mercados internacionais em condições de maior igualdade.
A liderança dessa coalizão, da qual participam China e vários países latino-americanos, foi assumida pela Índia e pelo Brasil.
Lula ressaltou que os países de economias emergentes estão dispostos a contribuir para o esforço de liberalização do comércio mundial, mas de acordo com suas capacidades, porque "nem tudo pode ser igual".
Chamada aos líderes empresariais
O presidente brasileiro aproveitou e pediu aos líderes empresariais presentes em Davos que falem com seus governos e peçam que sejam sensíveis frente à necessidade de se chegar a um entendimento para levar adiante as negociações que estão suspensas há seis meses devido à incapacidade de as grandes potências comerciais, incluindo o Brasil, chegarem a um acordo.
Lula resumiu as chaves para chegar a um acordo: "Os Estados Unidos têm que reduzir um pouco os subsídios agrícolas, a UE deve facilitar o acesso dos produtos agrícolas dos países mais pobres e nós temos que facilitar a entrada dos serviços. Tudo isto de maneira proporcional".
Biocombustíveis
O brasileiro pediu, ainda, investimentos estrangeiros para financiar a produção de biodiesel na América Central e na África e assim incentivar o desenvolvimento e as energias limpas.
Lula propôs que o programa de incentivo ao biodiesel no Brasil "possa ser um exemplo para que os países ricos o financiem nos países africanos e da América Central".
"O biodiesel gera empregos, rendas e desenvolvimento", argumentou.
"Um país tão grande como os Estados Unidos (...) pode participar com os países pobres financiando projetos para que, através dos cultivos agrícolas, com os quais se fabrica o biocombustível, se possa produzir combustível para o mundo limpo, não contaminado e gerador de empregos".
Experiência
Lula, que comparece ao Fórum Econômico Mundial pela terceira vez e está acompanhado de três ministros, disse que viajar a Davos este ano foi para ele "quase uma necessidade", já que foi no fórum que fez sua apresentação internacional e a do programa Fome Zero ao começar seu primeiro mandato.
O fundador do Fórum Econômico de Davos, Karl Schwab, elogiou o feito do governo brasileiro e considerou o país "um modelo" por suas políticas econômicas e um exemplo de "integração na economia mundial com rosto humano".
Lula comentou os feitos de seu primeiro mandato, que segundo ele "provam que democracia e seriedade são dois instrumentos para melhorar as condições de vida", e ressaltou a necessidade de projetos de integração na América do Sul, sobretudo no campo das infra-estruturas.
Para o futuro, falou sobre o recentemente anunciado programa de Aceleração Econômica para fomentar o crescimento com investimentos públicos e privados em infra-estruturas de US$ 234,4 bilhões (o equivalente a cerca de R$ 500 bilhões) até 2010.
Além disso, assegurou que "as taxas de juros vão continuar baixando à medida que conquistarmos mais confiança" no mercado e criticou que "se fale com tanta facilidade" de uma reforma fiscal, quando a "responsabilidade fiscal" permitiu o saneamento da economia.
Fonte: UOL
O programa foi lançado nesta semana pelo governo como aposta para fazer a economia destravar.
Em discurso na manhã desta sexta, Lula afirmou que gostaria de ter juros mais baixos no país, mas que não há uma solução mágica para isso. "Todos nós gostaríamos de uma taxa mais baixa no Brasil, mas você não pode reduzi-la por mágica", afirmou.
O Banco Central cortou a taxa básica de juro (a Selic) em 0,25 ponto percentual na quarta-feira, para 13% ao ano, mas o custo dos empréstimos no país ainda está entre os mais altos no mundo.
Durante seu discurso, Lula disse estar confiante de que a taxa de juro no país caia na medida em que aumentar a confiança na economia brasileira.
Já para os mais de mil empresários presentes a Davos, o mandatário brasileiro falou do PAC, convidando-os a visitarem o Brasil a partir de fevereiro para que conheçam de perto as oportunidades de investimento oferecidas pelas novas medidas.
"Não vou aqui fazer merchandising para o Brasil. E não vou pedir para vocês: 'Vem para o Brasil, investe no Brasil'. Isso só vai fazer quem quiser ganhar dinheiro e ter segurança no investimentos", disse.
Ele aproveitou a oportunidade e comentou sobre a política econômica, dizendo o país aprendeu a combinar políticas de crescimento de exportações com crescimento do mercado interno, controle da inflação com crescimento econômico, superávit comercial com superávit na conta corrente, e disse ainda que o Brasil alcançou um nível de reservas que nunca imaginou.
"O Brasil vive um momento de auto-estima interna e de confiança externa, porque a nossa economia nunca esteve numa situação privilegiada como está hoje", afirmou, apresentando o país como um lugar estável para investimentos.
Depois desse encontro, Lula teve reunião com cerca de 80 empresários, na qual ele e os ministros Celso Amorim, de Relações Exteriores, e Guido Mantega, da Fazenda, fizeram um balanço sobre a política econômica. Mantega falou sobre o PAC e Amorim renovou o apelo para retomada das negociações da Organização Mundial de Comércio (OMC) com a Rodada Doha.
Pedido de abertura
No seu discurso pela manhã em Davos, Lula pediu que a Europa e os Estados Unidos façam concessões para tornar possível um acordo comercial na Rodada Doha que gere desenvolvimento na luta contra a pobreza. O presidente citou o Brasil como exemplo.
A Rodada Doha pode reduzir ou eliminar barreiras comerciais e permitir que países pobres vendam seus produtos às nações ricas sem muitas taxas.
"Se quisermos enviar um sinal aos países mais pobres de que vão ter uma oportunidade no século 21, os Estados Unidos, o Reino Unido, a França, a Alemanha, os países mais importantes devem assumir a responsabilidade de tornar possível esse acordo", afirmou.
Lula assegurou que a Rodada Doha "pode ser o caminho da esperança para milhões de seres humanos que esperam um gesto nosso", porque "só se pode acabar com a pobreza se os países pobres se desenvolverem".
"A União Européia (UE) e os países ricos devem entender isso; se não, não existirá acordo", advertiu.
O presidente fez as declarações um dia antes da reunião ministerial de quase 30 países da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Davos, na qual tentarão retomar as negociações da Rodada Doha para a liberalização comercial internacional, que foram suspensas em julho.
Dessa forma, Lula cumpriu sua meta de aproveitar sua viagem à estação de esqui suíça para convocar a elite econômica e política, reunida durante quatro dias, a investir nos países pobres para fomentar o crescimento e poder cumprir os Objetivos do Milênio da ONU de reduzir a pobreza à metade em 2015.
Lula garantiu também aos países desenvolvidos que, se aceitarem concessões, o Brasil convencerá o Grupo dos Vinte (G20) a cumprir sua parte de maneira proporcional a suas capacidades. "O Brasil fará sua parte, fará concessões dentro de suas possibilidades e convencerá o G-20 a fazer o mesmo", disse.
O G20 é integrado por países em desenvolvimento que reivindicam que os Estados industrializados abram seus mercados agrícolas e eliminem seus subsídios neste setor, de modo que possam competir nos mercados internacionais em condições de maior igualdade.
A liderança dessa coalizão, da qual participam China e vários países latino-americanos, foi assumida pela Índia e pelo Brasil.
Lula ressaltou que os países de economias emergentes estão dispostos a contribuir para o esforço de liberalização do comércio mundial, mas de acordo com suas capacidades, porque "nem tudo pode ser igual".
Chamada aos líderes empresariais
O presidente brasileiro aproveitou e pediu aos líderes empresariais presentes em Davos que falem com seus governos e peçam que sejam sensíveis frente à necessidade de se chegar a um entendimento para levar adiante as negociações que estão suspensas há seis meses devido à incapacidade de as grandes potências comerciais, incluindo o Brasil, chegarem a um acordo.
Lula resumiu as chaves para chegar a um acordo: "Os Estados Unidos têm que reduzir um pouco os subsídios agrícolas, a UE deve facilitar o acesso dos produtos agrícolas dos países mais pobres e nós temos que facilitar a entrada dos serviços. Tudo isto de maneira proporcional".
Biocombustíveis
O brasileiro pediu, ainda, investimentos estrangeiros para financiar a produção de biodiesel na América Central e na África e assim incentivar o desenvolvimento e as energias limpas.
Lula propôs que o programa de incentivo ao biodiesel no Brasil "possa ser um exemplo para que os países ricos o financiem nos países africanos e da América Central".
"O biodiesel gera empregos, rendas e desenvolvimento", argumentou.
"Um país tão grande como os Estados Unidos (...) pode participar com os países pobres financiando projetos para que, através dos cultivos agrícolas, com os quais se fabrica o biocombustível, se possa produzir combustível para o mundo limpo, não contaminado e gerador de empregos".
Experiência
Lula, que comparece ao Fórum Econômico Mundial pela terceira vez e está acompanhado de três ministros, disse que viajar a Davos este ano foi para ele "quase uma necessidade", já que foi no fórum que fez sua apresentação internacional e a do programa Fome Zero ao começar seu primeiro mandato.
O fundador do Fórum Econômico de Davos, Karl Schwab, elogiou o feito do governo brasileiro e considerou o país "um modelo" por suas políticas econômicas e um exemplo de "integração na economia mundial com rosto humano".
Lula comentou os feitos de seu primeiro mandato, que segundo ele "provam que democracia e seriedade são dois instrumentos para melhorar as condições de vida", e ressaltou a necessidade de projetos de integração na América do Sul, sobretudo no campo das infra-estruturas.
Para o futuro, falou sobre o recentemente anunciado programa de Aceleração Econômica para fomentar o crescimento com investimentos públicos e privados em infra-estruturas de US$ 234,4 bilhões (o equivalente a cerca de R$ 500 bilhões) até 2010.
Além disso, assegurou que "as taxas de juros vão continuar baixando à medida que conquistarmos mais confiança" no mercado e criticou que "se fale com tanta facilidade" de uma reforma fiscal, quando a "responsabilidade fiscal" permitiu o saneamento da economia.
Fonte: UOL
sexta-feira, 26 de janeiro de 2007
PAC vai interferir positivamente na economia, diz cientista político
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) poderá ter grande impacto na economia brasileira, porque trabalha com setores intensivos em mão-de-obra. A afirmação foi feita pelo cientista político e professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) Ricardo Caldas.
“São áreas que necessitam de investimento: rodovias, transportes em geral, portos e construção civil. Uma vez solucionados esses gargalos, o Brasil pode, inclusive, aumentar as suas exportações e se tornar mais competitivo”, disse Caldas, em entrevista ao programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional.
Para o professor, a discussão que existe atualmente no Brasil é se o Estado deve ou não ser produtor de bens de serviços. “Acho que ninguém no Brasil é contra o Estado ser indutor do fomento. Até onde entendo o PAC, o Estado não é produtor de serviços, mas vai estimular o setor privado a investir até por meio de parcerias público privada”, esclareceu.
“São áreas que necessitam de investimento: rodovias, transportes em geral, portos e construção civil. Uma vez solucionados esses gargalos, o Brasil pode, inclusive, aumentar as suas exportações e se tornar mais competitivo”, disse Caldas, em entrevista ao programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional.
Para o professor, a discussão que existe atualmente no Brasil é se o Estado deve ou não ser produtor de bens de serviços. “Acho que ninguém no Brasil é contra o Estado ser indutor do fomento. Até onde entendo o PAC, o Estado não é produtor de serviços, mas vai estimular o setor privado a investir até por meio de parcerias público privada”, esclareceu.
Empresários de EUA e UE pedem impulso "urgente" para Doha
A organização patronal européia BusinessEurope e as câmaras de comércio da União Européia (UE) e dos Estados Unidos pediram nesta quinta-feira que seja dado no Fórum Econômico Mundial, realizado na cidade suíça de Davos, um impulso "urgente" para a retomada das negociações da Rodada de Doha.
Os representantes das organizações reivindicaram, em entrevista coletiva, que os negociadores da OMC (Organização Mundial do Comércio) salvem "já" a Rodada de Doha, bloqueada desde meados do ano passado.
Afirmaram que o Fórum de Davos é uma oportunidade, pois, mesmo que não sejam alcançados grandes acordos, "podem ser dados os passos necessários" para reviver as negociações.
Cerca de trinta ministros de países da OMC participarão no sábado de uma reunião em Davos em uma tentativa de retomar as negociações de Doha, interrompidas oficialmente em julho de 2006 por falta de avanços entre os principais negociadores (EUA, UE, Brasil, Índia, Japão e Austrália).
Os empresários da UE e dos EUA alertaram que "o tempo está acabando" e que se membros da OMC não fecharem um acordo sobre as principais questões da negociação ainda no primeiro semestre deste ano "os benefícios da liberalização comercial serão perdidos".
(Redação+Efe)
Os representantes das organizações reivindicaram, em entrevista coletiva, que os negociadores da OMC (Organização Mundial do Comércio) salvem "já" a Rodada de Doha, bloqueada desde meados do ano passado.
Afirmaram que o Fórum de Davos é uma oportunidade, pois, mesmo que não sejam alcançados grandes acordos, "podem ser dados os passos necessários" para reviver as negociações.
Cerca de trinta ministros de países da OMC participarão no sábado de uma reunião em Davos em uma tentativa de retomar as negociações de Doha, interrompidas oficialmente em julho de 2006 por falta de avanços entre os principais negociadores (EUA, UE, Brasil, Índia, Japão e Austrália).
Os empresários da UE e dos EUA alertaram que "o tempo está acabando" e que se membros da OMC não fecharem um acordo sobre as principais questões da negociação ainda no primeiro semestre deste ano "os benefícios da liberalização comercial serão perdidos".
(Redação+Efe)
Etanol estimula otimismo econômico no Brasil, diz jornal
A intenção do governo americano de substituir o consumo de petróleo por etanol está alimentando um otimismo econômico no Brasil, o maior produtor mundial do produto, relata nesta sexta-feira uma reportagem publicada pelo jornal argentino La Nación .
“O Brasil será o país mais beneficiado se os Estados Unidos reduzirem em 20% o consumo de gasolina, como anunciou o presidente George W. Bush na terça-feira passada”, diz a reportagem.
O jornal cita uma declaração do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luis Fernando Furlan, de que o Brasil pode se beneficiar mesmo se não exportar etanol aos Estados Unidos.
“O Brasil será o país mais beneficiado se os Estados Unidos reduzirem em 20% o consumo de gasolina, como anunciou o presidente George W. Bush na terça-feira passada”, diz a reportagem.
O jornal cita uma declaração do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luis Fernando Furlan, de que o Brasil pode se beneficiar mesmo se não exportar etanol aos Estados Unidos.
Estrangeiros gastaram US$ 4,3 bi no Brasil em 2006
Os turistas estrangeiros injetaram na economia brasileira US$ 4,316 bilhões no ano passado, segundo dados divulgados hoje pelo Banco Central. O valor supera em 11,77% os US$ 3,861 bilhões registrados em 2005 - até então a melhor marca da série histórica iniciada em 1969.
Em dezembro de 2006, o BC registrou a entrada de US$ 400 milhões com a atividade, ante os US$ 360 milhões obtidos no mesmo mês de 2005.
"O recorde de US$ 4,3 bilhões comprova que o turismo do Brasil atravessa um momento histórico, apesar dos problemas verificados na aviação civil recentemente. Em nenhum outro governo havíamos registrado mais do que US$ 2 bilhões de receita cambial turística", disse o ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia.
Segundo o ministro, este é o quinto ano consecutivo de expansão do ingresso de divisas no País por meio do turismo internacional. Para se ter uma idéia, os US$ 4,316 bilhões do ano passado são 116,02% maiores do que o US$ 1,998 bilhão de todo o ano de 2002, o primeiro dessa sequência positiva. A sequência, depois de 2002, é: US$ 2,479 bilhões, em 2003; US$ 3,222 bilhões, em 2004; e US$ 3,861 bilhões, em 2005.
Mares Guia participa da Bolsa de Turismo de Lisboa, uma das principais feiras do setor na Europa, juntamente com o presidente da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), Jeanine Pires.
Em dezembro de 2006, o BC registrou a entrada de US$ 400 milhões com a atividade, ante os US$ 360 milhões obtidos no mesmo mês de 2005.
"O recorde de US$ 4,3 bilhões comprova que o turismo do Brasil atravessa um momento histórico, apesar dos problemas verificados na aviação civil recentemente. Em nenhum outro governo havíamos registrado mais do que US$ 2 bilhões de receita cambial turística", disse o ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia.
Segundo o ministro, este é o quinto ano consecutivo de expansão do ingresso de divisas no País por meio do turismo internacional. Para se ter uma idéia, os US$ 4,316 bilhões do ano passado são 116,02% maiores do que o US$ 1,998 bilhão de todo o ano de 2002, o primeiro dessa sequência positiva. A sequência, depois de 2002, é: US$ 2,479 bilhões, em 2003; US$ 3,222 bilhões, em 2004; e US$ 3,861 bilhões, em 2005.
Mares Guia participa da Bolsa de Turismo de Lisboa, uma das principais feiras do setor na Europa, juntamente com o presidente da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), Jeanine Pires.
Banco do Brasil faz anúncio de nova redução na taxa de juros
O Banco do Brasil anunciou ontem, a redução das taxas de juros para cheques especiais, CDC (cartões de crédito e linhas de crédito direto ao consumidor). A medida acompanha decisão do Copom de reduzir em 0,25% a taxa Selic, possibilitando a diminuição dos custos de captação e o repasse desse benefício para os preços de algumas linhas de crédito. As novas taxas ampliam a competitividade das linhas operadas pelo BB e contribuem para o crescimento da base de clientes e negócios. As taxas são válidas a partir do dia 1° de fevereiro.
As taxas mínimas do cheque especial e dos cartões de crédito foram reduzidas para 1,98% ao mês e as máximas para 7,68% ao mês.
O Banco do Brasil reduziu também as taxas de juros de linhas de crédito destinadas às micro e pequenas empresas. O BB Giro Automático, direcionado às empresas que faturam até R$ 500 mil por ano, teve a taxa reduzida para 2,4% a.m.
Já o BB Giro Rápido, que atende empresas com faturamento anual de até R$ 5 milhões, passa a ter taxa mínima de 2,15% ao mês e máxima de 2,48% ao mês. As taxas do Cheque Ouro Empresarial - cheque especial das empresas - também estão menores, a taxa mínima é de 5,03% ao mês e a máxima, de 7,61% ao mês.
As taxas mínimas do cheque especial e dos cartões de crédito foram reduzidas para 1,98% ao mês e as máximas para 7,68% ao mês.
O Banco do Brasil reduziu também as taxas de juros de linhas de crédito destinadas às micro e pequenas empresas. O BB Giro Automático, direcionado às empresas que faturam até R$ 500 mil por ano, teve a taxa reduzida para 2,4% a.m.
Já o BB Giro Rápido, que atende empresas com faturamento anual de até R$ 5 milhões, passa a ter taxa mínima de 2,15% ao mês e máxima de 2,48% ao mês. As taxas do Cheque Ouro Empresarial - cheque especial das empresas - também estão menores, a taxa mínima é de 5,03% ao mês e a máxima, de 7,61% ao mês.
quarta-feira, 24 de janeiro de 2007
Prévia da inflação oficial fica em 0,52% em janeiro
A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve alta de 0,52% em janeiro. O resultado é 0,17 ponto percentual acima da taxa registrada em dezembro (0,35%), conforme divulgou hoje (24) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O IPCA-15 funciona como uma prévia do IPCA, o índice que serve de referência para as metas de inflação do governo.
Em relação ao mesmo período de 2005, quando a inflação ficou em 0,51%, o índice aponta estabilidade. No acumulado dos últimos doze meses, o IPCA-15 tem alta de 2,97%.
De acordo com o IBGE, os preços que mais subiram em janeiro foram os do grupo Transportes, que passaram de 0,46% para 1,03%. O aumento foi impulsionado pela alta nas tarifas de ônibus urbanos (3,29%) em regiões metropolitanas, sobretudo em São Paulo, Belo Horizonte e no Rio de Janeiro.
Houve aumento também nas tarifas de metrô (4,81%); trem (3,74%); táxi (3,28%); e ônibus intermunicipais (3,26%).
A alta nos preços do álcool, que subiram 3,54%, especialmente em São Paulo, também contribuíram para a elevação no grupo Transportes. No Rio de Janeiro, o aumento foi de 8,56%. Por outro lado, a gasolina apresentou queda de 0,42%.
Os alimentos, que subiram de 0,48% para 0,72%, também pressionaram a taxa de janeiro. Os principais aumentos foram observados em óleo de soja (8,12%), café (3,85%), hortaliças (3,76%), ovos (3,23%).
São Paulo foi a cidade com maior inflação em janeiro, de 0,87%. Por outro lado, Goiânia registrou a menor taxa no mês e teve deflação de 0,04%.
O IPCA-15 funciona como uma prévia do IPCA, o índice que serve de referência para as metas de inflação do governo.
Em relação ao mesmo período de 2005, quando a inflação ficou em 0,51%, o índice aponta estabilidade. No acumulado dos últimos doze meses, o IPCA-15 tem alta de 2,97%.
De acordo com o IBGE, os preços que mais subiram em janeiro foram os do grupo Transportes, que passaram de 0,46% para 1,03%. O aumento foi impulsionado pela alta nas tarifas de ônibus urbanos (3,29%) em regiões metropolitanas, sobretudo em São Paulo, Belo Horizonte e no Rio de Janeiro.
Houve aumento também nas tarifas de metrô (4,81%); trem (3,74%); táxi (3,28%); e ônibus intermunicipais (3,26%).
A alta nos preços do álcool, que subiram 3,54%, especialmente em São Paulo, também contribuíram para a elevação no grupo Transportes. No Rio de Janeiro, o aumento foi de 8,56%. Por outro lado, a gasolina apresentou queda de 0,42%.
Os alimentos, que subiram de 0,48% para 0,72%, também pressionaram a taxa de janeiro. Os principais aumentos foram observados em óleo de soja (8,12%), café (3,85%), hortaliças (3,76%), ovos (3,23%).
São Paulo foi a cidade com maior inflação em janeiro, de 0,87%. Por outro lado, Goiânia registrou a menor taxa no mês e teve deflação de 0,04%.
Copom divulga hoje nova taxa básica de juros
O Comitê de Política Monetária (Copom) divulga hoje (24) à tarde a nova taxa básica de juros (Selic) da economia para os próximos 45 dias. Esta é a primeira reunião de 2007 do Copom, que teve início ontem (23). Atualmente a Selic está em 13,25% ao ano.
De acordo com os analistas econômicos ouvidos pelo Banco Central na última sexta-feira (19), as condições são favoráveis para que a taxa caia mais um pouco, principalmente porque a inflação permanece sob controle, abaixo da meta oficial de 4,5% ao ano.
Segundo os economistas de iniciativa privada, consultados pela pesquisa do Banco Central, a taxa de juros deve cair para 13%, amanhã (25), quando terminar a segunda parte da reunião do colegiado de diretores do BC.
A aposta dos especialistas é de que o ritmo das reduções da taxa Selic será menor a partir de agora, provavelmente metade dos cortes de 0,5 ponto percentual que vinham sendo feitos nas últimas reuniões do Copom, desde setembro de 2005, quando começou o processo de flexibilização monetária, com a Selic em 19,5%.
De acordo com os analistas econômicos ouvidos pelo Banco Central na última sexta-feira (19), as condições são favoráveis para que a taxa caia mais um pouco, principalmente porque a inflação permanece sob controle, abaixo da meta oficial de 4,5% ao ano.
Segundo os economistas de iniciativa privada, consultados pela pesquisa do Banco Central, a taxa de juros deve cair para 13%, amanhã (25), quando terminar a segunda parte da reunião do colegiado de diretores do BC.
A aposta dos especialistas é de que o ritmo das reduções da taxa Selic será menor a partir de agora, provavelmente metade dos cortes de 0,5 ponto percentual que vinham sendo feitos nas últimas reuniões do Copom, desde setembro de 2005, quando começou o processo de flexibilização monetária, com a Selic em 19,5%.
CNI divulga Índice de Confiança do Empresário Industrial
A Confederação Nacional da Indústria (CNI)divulga hoje (24) mais um Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei). A pesquisa mostra ocomo os empresários vêem a situação atual da economia brasileira, de seu setor, além das expectativas para os próximos seis meses.
A CNI informa que não haverá entrevista para comentar os dados e que eles serão encaminhados aos veículos de comunicação por e-mail.
A CNI informa que não haverá entrevista para comentar os dados e que eles serão encaminhados aos veículos de comunicação por e-mail.
Contas só fecham se a economia crescer 5% a partir de 2008
As contas fiscais apresentadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) só fecham se a economia crescer 4,5% este ano e 5% a partir de 2008. Se essa meta não for alcançada, todas as projeções para a trajetória da dívida pública, para as despesas com a Previdência Social, para os gastos com o funcionalismo públicos, entre outros, terão de ser revistas. Em conversa ontem com colunistas de economia, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi questionado longamente sobre esse ponto. “Não tenho dúvida de que será possível crescer 5%, pois o Brasil está pronto para isso.”
Quando foi lembrado ao ministro que o País não cresce 5% há décadas, ele perguntou: “Você faz parte do grupo de pessimistas?” A projeção do mercado, feita no boletim Focus do Banco Central, é de crescimento de apenas 3,5% este ano. A maioria dos analistas considera que será possível crescer 5% ao ano somente depois de 2010, assim mesmo se o governo fizer as reformas que permitirão equilibrar as contas públicas e reduzir a carga tributária.
Na conversa com os jornalistas, Mantega apresentou um quadro com uma série de projeções para as principais variáveis econômicas. Uma delas diz que a dívida pública líquida chegará a 39,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010. Hoje, ela está em torno de 50% do PIB. O problema é que, se o ritmo de crescimento da economia for inferior a 5%, essa trajetória será bem diferente. Com base na expansão econômica prevista pelo mercado, a dívida líquida ficaria em torno de 45% do PIB no último ano do segundo mandato de Lula, admitiram dois assessores de Mantega.
As despesas da Previdência só serão estabilizadas em 8,2% do PIB, como indica a projeção, se o País crescer 5% ao ano. Caso o crescimento seja menor, as despesas não serão estabilizadas e crescerão mais ainda, o que resultará em déficit maior.
Quando foi lembrado ao ministro que o País não cresce 5% há décadas, ele perguntou: “Você faz parte do grupo de pessimistas?” A projeção do mercado, feita no boletim Focus do Banco Central, é de crescimento de apenas 3,5% este ano. A maioria dos analistas considera que será possível crescer 5% ao ano somente depois de 2010, assim mesmo se o governo fizer as reformas que permitirão equilibrar as contas públicas e reduzir a carga tributária.
Na conversa com os jornalistas, Mantega apresentou um quadro com uma série de projeções para as principais variáveis econômicas. Uma delas diz que a dívida pública líquida chegará a 39,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010. Hoje, ela está em torno de 50% do PIB. O problema é que, se o ritmo de crescimento da economia for inferior a 5%, essa trajetória será bem diferente. Com base na expansão econômica prevista pelo mercado, a dívida líquida ficaria em torno de 45% do PIB no último ano do segundo mandato de Lula, admitiram dois assessores de Mantega.
As despesas da Previdência só serão estabilizadas em 8,2% do PIB, como indica a projeção, se o País crescer 5% ao ano. Caso o crescimento seja menor, as despesas não serão estabilizadas e crescerão mais ainda, o que resultará em déficit maior.
PAC: Economia não destrava só com canetadas
O Brasil , nos quatro anos do primeiro governo Lula, cresceu a uma média de cerca de 2,6% ao ano. O resultado é muito próximo aos 2,3% dos anos FHC, o que surpreende, dado que, nos anos Lula, o país se defrontou com ambiente internacional mais favorável -o mundo registrou as maiores taxas de crescimento em 30 anos- e com cenário doméstico menos volátil, com inflação mais baixa, crédito em expansão, e contas externas saudáveis.
A explicação que o presidente encontrou para esse aparente paradoxo foi que a economia brasileira está "travada", e, para livrar-nos dessa armadilha, seria preciso um pacote de ação governamental, que estimulasse o investimento público e privado. Nasceu, assim, o PAC, anunciado ontem.
O diagnóstico está aparentemente correto, mas a solução vai na direção equivocada. O problema do crescimento não é a falta de planejamento estatal, mas sim o oposto: o peso excessivo do governo na economia, o excesso de burocracia, a falta de previsibilidade. Nesse sentido, o PAC agrava o problema, ao invés de resolvê-lo.
As travas do país estão arraigadas em diversos setores, e, para atacá-las, é preciso mais do que boa vontade e canetadas. É preciso flexibilizar as leis trabalhistas, estimulando o emprego, e não a informalidade. É preciso reformar a Previdência Social, a fim de que sobrem recursos para uma desoneração tributária horizontal e palpável, abrindo espaço para que os setores mais dinâmicos da economia se desenvolvam. É preciso desburocratizar os órgãos públicos e solidificar o poder e a independência das agências reguladoras.
O PAC pouco aborda esses temas e, quando aborda, o faz de maneira gasosa, pouco objetiva. Por outro lado, oferece uma ampla lista de projetos, cujas fontes de financiamento não são claras e cujo incentivo à participação do setor privado é duvidoso.
Mais eficiente seria aproveitar a oportunidade para reduzir ainda mais rapidamente a dívida pública, permitindo que as taxas de juros e os impostos caíssem de maneira sustentada, o que criaria um clima convidativo à participação do setor privado em empreendimentos como os propostos pelo PAC. Simultaneamente, o governo se ocuparia com setores menos rentáveis, embora fundamentais, para o desenvolvimento, como saúde e educação básica. E trabalharia para estabelecer regras claras e estáveis para que as maiores taxas de investimento se perpetuem.
Apesar das boas intenções, o PAC e seu portentoso aparato de marketing pouco colaboram para o destravamento da economia, que continuará crescendo pouco quando comparada à média dos países emergentes.
A explicação que o presidente encontrou para esse aparente paradoxo foi que a economia brasileira está "travada", e, para livrar-nos dessa armadilha, seria preciso um pacote de ação governamental, que estimulasse o investimento público e privado. Nasceu, assim, o PAC, anunciado ontem.
O diagnóstico está aparentemente correto, mas a solução vai na direção equivocada. O problema do crescimento não é a falta de planejamento estatal, mas sim o oposto: o peso excessivo do governo na economia, o excesso de burocracia, a falta de previsibilidade. Nesse sentido, o PAC agrava o problema, ao invés de resolvê-lo.
As travas do país estão arraigadas em diversos setores, e, para atacá-las, é preciso mais do que boa vontade e canetadas. É preciso flexibilizar as leis trabalhistas, estimulando o emprego, e não a informalidade. É preciso reformar a Previdência Social, a fim de que sobrem recursos para uma desoneração tributária horizontal e palpável, abrindo espaço para que os setores mais dinâmicos da economia se desenvolvam. É preciso desburocratizar os órgãos públicos e solidificar o poder e a independência das agências reguladoras.
O PAC pouco aborda esses temas e, quando aborda, o faz de maneira gasosa, pouco objetiva. Por outro lado, oferece uma ampla lista de projetos, cujas fontes de financiamento não são claras e cujo incentivo à participação do setor privado é duvidoso.
Mais eficiente seria aproveitar a oportunidade para reduzir ainda mais rapidamente a dívida pública, permitindo que as taxas de juros e os impostos caíssem de maneira sustentada, o que criaria um clima convidativo à participação do setor privado em empreendimentos como os propostos pelo PAC. Simultaneamente, o governo se ocuparia com setores menos rentáveis, embora fundamentais, para o desenvolvimento, como saúde e educação básica. E trabalharia para estabelecer regras claras e estáveis para que as maiores taxas de investimento se perpetuem.
Apesar das boas intenções, o PAC e seu portentoso aparato de marketing pouco colaboram para o destravamento da economia, que continuará crescendo pouco quando comparada à média dos países emergentes.
Para Serra, juros têm de cair para economia crescer
Para o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), a reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom) para decidir sobre a taxa básica de juros Selic no País vai mostrar as reais intenções do governo federal quanto ao crescimento da economia. "A intenção do governo federal de promover o crescimento econômico poderá ser avaliada pela decisão sobre os juros, que será tomada na próxima quarta-feira", considerou Serra. Atualmente, a Selic está em 13,25%.
O governador atendeu ao convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e assistiu na segunda-feira ao anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mas não comentou as medidas apresentadas por Lula. Segundo ele, era impossível fazer uma análise "responsável" do PAC, porque havia tomado conhecimento das ações na solenidade.
O tucano deixou Brasília pouco depois da apresentação e não participou do almoço entre os governadores. Serra alegou compromissos no interior do Estado. Ele embarcou de Brasília diretamente para Franca, onde teve uma reunião para discutir problemas de abastecimento devido às chuvas.
O governador atendeu ao convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e assistiu na segunda-feira ao anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mas não comentou as medidas apresentadas por Lula. Segundo ele, era impossível fazer uma análise "responsável" do PAC, porque havia tomado conhecimento das ações na solenidade.
O tucano deixou Brasília pouco depois da apresentação e não participou do almoço entre os governadores. Serra alegou compromissos no interior do Estado. Ele embarcou de Brasília diretamente para Franca, onde teve uma reunião para discutir problemas de abastecimento devido às chuvas.
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