quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Contas só fecham se a economia crescer 5% a partir de 2008

As contas fiscais apresentadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) só fecham se a economia crescer 4,5% este ano e 5% a partir de 2008. Se essa meta não for alcançada, todas as projeções para a trajetória da dívida pública, para as despesas com a Previdência Social, para os gastos com o funcionalismo públicos, entre outros, terão de ser revistas. Em conversa ontem com colunistas de economia, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi questionado longamente sobre esse ponto. “Não tenho dúvida de que será possível crescer 5%, pois o Brasil está pronto para isso.”

Quando foi lembrado ao ministro que o País não cresce 5% há décadas, ele perguntou: “Você faz parte do grupo de pessimistas?” A projeção do mercado, feita no boletim Focus do Banco Central, é de crescimento de apenas 3,5% este ano. A maioria dos analistas considera que será possível crescer 5% ao ano somente depois de 2010, assim mesmo se o governo fizer as reformas que permitirão equilibrar as contas públicas e reduzir a carga tributária.

Na conversa com os jornalistas, Mantega apresentou um quadro com uma série de projeções para as principais variáveis econômicas. Uma delas diz que a dívida pública líquida chegará a 39,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010. Hoje, ela está em torno de 50% do PIB. O problema é que, se o ritmo de crescimento da economia for inferior a 5%, essa trajetória será bem diferente. Com base na expansão econômica prevista pelo mercado, a dívida líquida ficaria em torno de 45% do PIB no último ano do segundo mandato de Lula, admitiram dois assessores de Mantega.

As despesas da Previdência só serão estabilizadas em 8,2% do PIB, como indica a projeção, se o País crescer 5% ao ano. Caso o crescimento seja menor, as despesas não serão estabilizadas e crescerão mais ainda, o que resultará em déficit maior.

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