segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Brasil reduz a dívida externa em US$ 5,6 bilhões

Brasília - Os compromissos internacionais do Brasil somaram US$ 163,3 bilhões no final de janeiro, de acordo com Relatório sobre o Setor Externo divulgado sexta-feira pelo Banco Central.

O resultado foi menor em US$ 5,6 bilhões do que a posição estimada no final de 2006. Essa redução acentuada foi provocada pela antecipação de amortização de empréstimo feito por uma empresa de minera (cujo nome não foi citado no relatório), em outubro do ano passado.

Em contrapartida ingressou igual quantia no país, referente a exportações entre companhias multinacionais.

Do total da dívida, US$ 17 bilhões são compromissos que vencem nos próximos 12 meses e US$ 146,3 bilhões vencem a longo prazo. O relatório do BC informa também que, em sentido contrário, as reservas internacionais do país aumentaram US$ 5,2 bilhões em janeiro e acumulam US$ 91,1 bilhões. As informações são da ABr.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Investimento estrangeiro direto no Brasil em janeiro é o maior em sete anos

O ano de 2007 começou com o ingresso, em janeiro, de US$ 2,41 bilhões de investimentos estrangeiros diretos no país, o maior resultado para o mês em sete anos. O valor ficou 63,6% acima do registrado em janeiro de 2006. Como em fevereiro o fluxo desses investimentos também está favorável, o Banco Central (BC) já anunciou que deve rever para cima a projeção de US$ 18 bi fixada para 2007.

“Estamos começando o ano com um resultado muito positivo”, comemorou o chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes. Segundo ele, o mais positivo é que o aumento dos investimentos não decorre de poucas e vultosas operações. São vários setores econômicos que estão recebendo recursos do exterior, como o de fabricação e montagem de veículos automotores, metalurgia, agricultura, comércio, transportes, eletricidade, gás, construção, bancos e imobiliário Algumas dessas operações com valores elevados, entre US$ 100 milhões e US$ 250 milhões.

A tendência para o ano, disse Altamir Lopes, é de uma expansão ainda maior do ingresso de investimentos estrangeiros. Para ele, a implantação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) deve ajudar com a melhoria da infra-estrutura do país. “Não é de agora que o IED (sigla usada para investimentos estrangeiros diretos) está aumentando. Desde junho eles estão vindo acima de US$ 1 bilhão por mês”, ressaltou.

No período acumulado de doze meses até janeiro, entraram na economia brasileira US$ 19,7 bilhões – o maior volume desde julho de 2005. Em 2005, porém, os investimentos diretos contavam com os recursos da compra da cervejaria Ambev pela Interbrew. Em fevereiro, de acordo com balanço preliminar do BC, o ingresso de IED já soma US$ 1,3 bilhão até ontem (23) e deve chegar a US$ 1,45 bilhão, volume também superior aos US$ 854 milhões obtidos no mesmo mês do ano passado.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Reforma tributária e corte de juros são desafios da economia brasileira

Promover as reformas tributárias que permitam uma queda nas taxas de juros e impulsionar os investimentos são os principais desafios enfrentados pela economia brasileira, segundo explicou hoje o economista Luciano Coutinho, um dos assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Coutinho dividiu uma conferência na Casa da América de Madri na qual assegurou que é necessário promover uma reforma econômica global para manter um crescimento estável da economia brasileira, (na primeira legislatura cresceu 2,5% em meia).

A queda dos juros, explicou Coutinho, representaria uma mudança na política macroeconômica que permitiria à economia crescer mais, além disso, considerou necessário "que os investimentos cresçam, especialmente as do setor privado" para que se possa sustentar o crescimento "sobre uma base segura".

Segundo explicou, nos últimos três anos a economia brasileira experimentou uma "melhora extraordinária devido sobretudo a um aumento muito forte das exportações" (soja, minerais, siderurgia, celulose e agricultura, principalmente).

Isto gerou um "grande superávit que permitiu ao Governo reduzir sua dívida externa", mas a política monetária "se manteve conservadora para manter a inflação", com taxas de juros "muito altas".

Segundo ele, as taxas de juros "estão superdimensionadas", por isso considerou "urgente" contê-las, já que em caso de haver uma mudança propícia no panorama econômico internacional, no câmbio atual não pode acontecer "um equilíbrio a longo prazo" da economia.

Na sua opinião, "o banco central teria que intervir para que houvesse mais competitividade" e apostou em alguns "ajustes globais e políticas menos ortodoxas para induzir a recuperação".

Para cumprir este objetivo, Coutinho lembrou que o Governo iniciou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que prevê reformas em matéria fiscal e investimentos públicos e do setor privado de cerca de US$ 220 bilhões até 2010, direcionadas a acelerar o crescimento do país.

Coutinho deu especial importância à melhora das condições fiscais para fomentar a economia e o investimento público.

"Se o Brasil quer crescer a um ritmo de 4% ou 5% sustentado", disse, "tem que aperfeiçoar seu sistema tributário" para que lhe permita aumentar os investimentos em infra-estrutura, energia, logística e saneamento.

Além disso, apostou na expansão da capacidade exportadora e no avanço da competitividade da produção brasileira, assim como no desenvolvimento de um sistema de crédito que permita financiar o investimento a longo prazo.

PAC ameaça deixar economia do Brasil para trás, diz Financial Times

O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado no mês passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não toca nos principais pontos que emperram a expansão da economia brasileira e ameaça deixar o país para trás em relação às demais nações emergentes, afirma reportagem publicada nesta quinta-feira pelo diário britânico Financial Times.

O jornal observa que o principal ponto do PAC é a aposta nos investimentos públicos como propulsor do crescimento, mas argumenta que “a escassez de capital para investimento não é a única barreira ao crescimento do Brasil”.

“Muitos economistas apontam as leis trabalhistas restritivas que levaram cerca de 60% da força de trabalho para o setor informal, cortando receitas do governo no processo. No setor público, escalas de pagamento inflexíveis baseadas em idade negam aos chefes o tipo de incentivos por desempenho que poderia, por exemplo, ajudar a melhorar a educação pública. Outros obstáculos incluem um sistema tributário confuso e um judiciário problemático”, afirma.

Para a reportagem, “a impressão de que o governo quer gastar para conseguir crescimento é reforçada pela relutância do PAC em atender a questões fundamentais como pensões e reforma trabalhista”.

O jornal conclui dizendo que os analistas não temem uma possível mudança de rumo de Lula em direção ao populismo, mas que, “ao não conseguir agarrar a oportunidade oferecida pelas condições globais benignas para reformar o Estado, ele condene o país a muito mais anos de mediocridade”.

Entrevista de Amorim
Em outro texto que completa a página, o Financial Times traz uma entrevista com o chanceler Celso Amorim, na qual ele defende a política brasileira de manter relações cordiais com seus vizinhos mais radicais, como Venezuela e Bolívia.

“Ao invés de criticar abertamente, Amorim afirma que o Brasil pode ser mais efetivo com uma persuasão serena atrás dos bastidores”, diz o texto. “Esta é uma posição que ele disse ter trazido frutos na Bolívia, onde Evo Morales teria recuado de uma versão mais radical da nacionalização do gás.”

O ministro argumenta na entrevista que o interesse maior do Brasil é pela integração regional. “Amorim diz que seus críticos não entendem o caráter em transformação do Mercosul e subestimam a necessidade de uma integração mais ampla em um mundo onde recursos e infra-estrutura física têm uma crescente importância”, diz a reportagem.

Segundo o jornal, a política externa brasileira é “guiada pela sensação de que a liderança internacional dos Estados Unidos, incontestável quando o Mercosul foi formado, em 1991, está sendo desafiada pela emergência de blocos como a União Européia e pela China”.

“Para enfrentar estes verdadeiros gigantes, a integração sul-americana é muito importante para o Brasil”, argumenta Amorim na entrevista.

Ameaça à Amazônia
A demanda por soja para a fabricação de biodiesel ameaça acelerar o desmatamento da Amazônia brasileira, segundo afirma reportagem publicada nesta quinta-feira pelo diário espanhol El País.

A reportagem afirma que dois programas do governo incentivam a expansão da produção de soja: “o programa de produção de biodiesel, considerado pioneiro, e o novo programa de aceleração do crescimento, dirigido à ampliação da infra-estrutura e que supõe a ampliação de portos e rodovias para facilitar o transporte da soja”.

O jornal reproduz declarações de um ambientalista brasileiro de que o cultivo da soja “está invadindo não somente o cerrado, como já está começando a comer parte da Amazônia, com o agravante de que o monocultivo da soja não só destrói a selva, mas também acaba expulsando comunidades inteiras de agricultores familiares, acrescentando a miséria às populações dessas áreas”.

A reportagem afirma ainda que “o cultivo da soja pode provocar a contaminação dos rios e do solo por agrotóxicos e fertilizantes e reduz a biodiversidade animal e vegetal”.

Para o jornal, “o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está entre a cruz e a espada, pois a produção e exportação de soja supõe uma das principais entradas de divisas, enquanto, por outro lado, o Ministério do Meio Ambiente, dirigido pela ministra Marina Silva, já teve vários desencontros com algumas medidas do governo”.

“Uma das provas da vontade do governo de Lula em seu segundo mandato vai ser a permanência ou não no Executivo da ministra Silva, conhecida por sua intransigência em matérias ambientais”, conclui o jornal espanhol.

Países em desenvolvimento não reduzem desemprego apesar do desempenho da economia mundial

O relatório World Economic Situations and Prospects 2007 (Situação Econômica Mundial e as Projeções para 2007), da Organização das Nações Unidas (ONU), afirma que, apesar de o bom desempenho da economia mundial ter contribuído para melhorar as condições do mercado de trabalho na maioria dos países desenvolvidos, em importantes partes do mundo em desenvolvimento não foram gerados postos de trabalho suficientes para reduzir as taxas de desemprego.

Nas principais economias desenvolvidas, a média ponderada da taxa de desemprego caiu gradualmente de 6,9% da população economicamente ativa em 2003, para 6,1% em 2006. Em 2007, o relatório prevê que este índice chegue a 6%. Já os países de economia em transição vivem situação semelhante aos em desenvolvimento. Em ambos, as médias das taxas de desemprego seguem altas, apesar do crescimento econômico dos últimos anos - 7,2% e 6,5%, em 2006, respectivamente.

De acordo com o relatório da ONU, vários fatores podem ter impedido a criação de novos empregos, entre eles, a mecanização e modernização dos processos produtivos - o que aumenta a produtividade e reduz a necessidade de mão-de-obra - e o aumento da força de trabalho, principalmente na África e na América Latina.

Sociedade não pode "agir com vingança"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos de idade, tema que está sendo discutido no Congresso Nacional desde a semana passada, após a morte do garoto João Hélio, no Rio de Janeiro.

"Se a gente aceitar a diminuição da idade para puni-lo (o agressor de João Hélio, menor de idade) para 16 anos, amanhã estarão pedindo para 15 anos, depois para 9 anos, depois para 10 (sic) e depois, quem sabe algum dia até para o feto, se já soubermos o que vai acontecer no futuro. A sociedade e o Estado não podem agir "com vingança" e permitir que a emoção prevaleça sobre a razão na hora de punir. O Estado, segundo Lula, precisa ser racional em momentos de dificuldades para criar mecanismos sólidos e evitar que episódios semelhantes voltem a acontecer”, discursou o presidente durante a inauguração da nova unidade da Atento, empresa do Grupo Telefonica, no bairro do Belém, na zona leste de São Paulo.

De acordo com o presidente da República, os agressores de João Hélio não são a cara do Brasil, mas sim, os trabalhadores da Atento, em sua maioria jovens que obtiveram na empresa o seu primeiro emprego. Em tom paternal, Lula afirmou que o Estado brasileiro tem co-responsabilidade no crescimento da violência no País, pois nos últimos 26 anos não gerou oportunidades de emprego e renda para que seus jovens sejam inseridos no mercado de trabalho.

Além disso, o presidente argumentou que a falta de crescimento da economia provocou desesperança nas famílias, incorrendo em desestruturação. Por isso, ele insistiu que o Brasil tem hoje uma oportunidade raríssima de "dar um salto na história", como teve em outras ocasiões e que as oportunidades foram perdidas.

"É preciso que a gente olhe para a frente e veja a revolução que está para acontecer. Até o final deste mandato, os 6 mil municípios brasileiros terão internet em banda larga e as cidades pólo contarão com escolas técnicas e extensões universitárias", prometeu. Segundo ele, o momento é de que toda a sociedade, empresários, trabalhadores e governo criem oportunidade para expansão da economia e de inserção no mercado de trabalho. "A regra deste País não é a barbárie de um jovem que mata uma criança", reiterou.

O presidente Lula deixou o local do evento sem falar com a imprensa e seguiu para São Bernardo do Campo. A assessoria de imprensa da Presidência da República informou que apenas hoje o presidente decidirá onde vai passar o feriado de carnaval.

FORÇAS ARMADAS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu ontem os nomes dos novos comandantes das Forças Armadas. Os nomes foram indicados pelo ministro Waldir Pires (Defesa), chefe das Forças Armadas, com base no critério da antigüidade. Eles irão se apresentar ao presidente na próxima quarta-feira.

O novo comandante do Exército será o general Enzo Perry, chefe do departamento de engenharia e comunicação do Exército. Ele irá substituir o general Francisco Roberto de Albuquerque.

Para comandar a Marinha, o presidente indicou o almirante Júlio Soares de Moura Neto em substituição ao almirante Roberto Guimarães Carvalho.

A Aeronáutica será comandada pelo tenente-brigadeiro-do-ar Juniti Saito. Ele irá substituir o tenente-brigadeiro-do-ar Luiz Carlos Silva Bueno. O brigadeiro se chocou com o ministro da Defesa por causa da crise nos aeroportos. Bueno foi contra a proposta de Waldir Pires de desmilitarizar o setor de tráfego aéreo.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Ministros vêem economia mundial com otimismo e pedem o sucesso de Doha

O grupo dos sete países mais industrializados do mundo lançou, da cidade alemã de Essen, uma mensagem de otimismo sobre a evolução da economia mundial e de apoio à reativação das negociações para a liberalização do comércio mundial.

Durante dois dias, os ministros das Finanças dos Estados Unidos, Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Japão e Canadá analisaram a situação da economia mundial e as fórmulas para garantir que a robustez atual não seja alterada por desequilíbrios monetários ou outro tipo de crise financeira.

Embora a economia mundial experimente um período de estabilidade que já dura cinco anos e há seis viva sem crises financeiras - como ressaltou o ministro alemão, Peer Steinbrück -, esta situação poderia mudar repentinamente se houvesse, por exemplo, um colapso de algum dos cada vez mais numerosos "Hedge Funds", os fundos de alto risco, altamente especulativos, que se transformaram em um dos principais protagonistas da reunião de Essen.

A Presidência alemã conseguiu colocar o controvertido tema na pauta da reunião, depois de anos de tentativas infrutíferas causadas pela forte resistência dos EUA e do Reino Unido, os países com fundos mais ativos.

No entanto, segundo afirmou Steinbrück, os EUA se deram conta do crescente perigo que emanam destes fundos para sua própria economia, pois são cada vez maiores os números de empresas que operam com eles para fazer fundos de previdências, com o conseqüente risco para os aposentados em caso de prejuízos.

O comunicado final ressalta a importância dos fundos "para a eficiência do sistema financeiro", para cuja "liquidez contribuem sensivelmente", segundo o próprio Steinbrück, mas ao mesmo tempo destaca a necessidade de seguir sua evolução com "vigilância".

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, advertiu que a discussão sobre os fundos é "incipiente".

No entanto, o G7 deu o primeiro passo em Essen ao estabelecer um calendário de trabalho, que começará através de conversas com os próprios dirigentes destes fundos, com o objetivo de alcançar um código de conduta voluntário.

O outro grande problema discutido na reunião foi o da fraqueza do iene e do iuane, apesar de não aparecer, no comunicado, uma referência explícita às moedas, por respeito às repercussões nos mercados.

Os seis colegas do ministro japonês, Koji Omi, lhe explicaram que o iene deveria refletir melhor os dados fundamentais da economia japonesa, segundo assinalaram posteriormente Steinbrück e Trichet em suas respectivas entrevistas coletivas.

No comunicado, os ministros unicamente ressaltam a boa evolução que tomou conta da economia japonesa e afirmam esperar que esta recuperação "continue".

Por isso, o G7 "confia" que este desenvolvimento seja "reconhecido" pelo mercado e incorporado em suas avaliações, diz o texto.

Com a China, que pela primeira vez foi convidada a participar de alguns debates fundamentais, apesar de não pertencer ao clube, as recomendações foram mais diretas.

O G7 é mais explícito com a China e no comunicado é destacado que "em economias emergentes com grandes e crescentes superávits em suas balanças de conta corrente, especialmente na China, é desejável que as taxas de câmbio sejam modificadas para fazer possíveis ajustes necessários".

A fraqueza do iuane preocupa, sobretudo os EUA, que, há muito tempo, acusam a China de apoiar suas exportações com uma taxa de câmbio artificial.

Além disso, o G7 enviou, de Essen, uma mensagem de apoio ao relançamento da Rodada de Doha para a liberalização do comércio mundial, paralisada há alguns meses.

Em seu comunicado final, os ministros reafirmaram seu "compromisso de resistir a todo reflexo protecionista" e ressaltaram que todos os participantes da rodada têm a responsabilidade de garantir o êxito das negociações.

Steinbrück assinalou que todos os participantes foram muito conscientes de que "qualquer alternativa é pior".