quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Sociedade não pode "agir com vingança"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos de idade, tema que está sendo discutido no Congresso Nacional desde a semana passada, após a morte do garoto João Hélio, no Rio de Janeiro.

"Se a gente aceitar a diminuição da idade para puni-lo (o agressor de João Hélio, menor de idade) para 16 anos, amanhã estarão pedindo para 15 anos, depois para 9 anos, depois para 10 (sic) e depois, quem sabe algum dia até para o feto, se já soubermos o que vai acontecer no futuro. A sociedade e o Estado não podem agir "com vingança" e permitir que a emoção prevaleça sobre a razão na hora de punir. O Estado, segundo Lula, precisa ser racional em momentos de dificuldades para criar mecanismos sólidos e evitar que episódios semelhantes voltem a acontecer”, discursou o presidente durante a inauguração da nova unidade da Atento, empresa do Grupo Telefonica, no bairro do Belém, na zona leste de São Paulo.

De acordo com o presidente da República, os agressores de João Hélio não são a cara do Brasil, mas sim, os trabalhadores da Atento, em sua maioria jovens que obtiveram na empresa o seu primeiro emprego. Em tom paternal, Lula afirmou que o Estado brasileiro tem co-responsabilidade no crescimento da violência no País, pois nos últimos 26 anos não gerou oportunidades de emprego e renda para que seus jovens sejam inseridos no mercado de trabalho.

Além disso, o presidente argumentou que a falta de crescimento da economia provocou desesperança nas famílias, incorrendo em desestruturação. Por isso, ele insistiu que o Brasil tem hoje uma oportunidade raríssima de "dar um salto na história", como teve em outras ocasiões e que as oportunidades foram perdidas.

"É preciso que a gente olhe para a frente e veja a revolução que está para acontecer. Até o final deste mandato, os 6 mil municípios brasileiros terão internet em banda larga e as cidades pólo contarão com escolas técnicas e extensões universitárias", prometeu. Segundo ele, o momento é de que toda a sociedade, empresários, trabalhadores e governo criem oportunidade para expansão da economia e de inserção no mercado de trabalho. "A regra deste País não é a barbárie de um jovem que mata uma criança", reiterou.

O presidente Lula deixou o local do evento sem falar com a imprensa e seguiu para São Bernardo do Campo. A assessoria de imprensa da Presidência da República informou que apenas hoje o presidente decidirá onde vai passar o feriado de carnaval.

FORÇAS ARMADAS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu ontem os nomes dos novos comandantes das Forças Armadas. Os nomes foram indicados pelo ministro Waldir Pires (Defesa), chefe das Forças Armadas, com base no critério da antigüidade. Eles irão se apresentar ao presidente na próxima quarta-feira.

O novo comandante do Exército será o general Enzo Perry, chefe do departamento de engenharia e comunicação do Exército. Ele irá substituir o general Francisco Roberto de Albuquerque.

Para comandar a Marinha, o presidente indicou o almirante Júlio Soares de Moura Neto em substituição ao almirante Roberto Guimarães Carvalho.

A Aeronáutica será comandada pelo tenente-brigadeiro-do-ar Juniti Saito. Ele irá substituir o tenente-brigadeiro-do-ar Luiz Carlos Silva Bueno. O brigadeiro se chocou com o ministro da Defesa por causa da crise nos aeroportos. Bueno foi contra a proposta de Waldir Pires de desmilitarizar o setor de tráfego aéreo.

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