terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Presidência portuguesa da UE deverá dar destaque ao Brasil

O embaixador português no Brasil, Francisco Seixas da Costa, disse hoje que Portugal pretende dar um "especial destaque" às relações da União Europeia com o Brasil quando assumir a Presidência da organização, no segundo semestre deste ano.

"O Brasil é, de entre os países emergentes, aquele cujo estatuto de relacionamento e diálogo estruturado com a União Europeia está menos desenvolvido. Pela nossa parte, tudo faremos para corrigir esta anomalia", afirmou Seixas da Costa num programa da rede de televisão Bandeirantes.

Segundo Seixas da Costa, a China é uma "evidente prioridade para a União Europeia, que Portugal partilha em pleno".

O embaixador acrescentou, entretanto, que no quadro de prioridades da acção externa da Europa, "a América Latina deve continuar a ter um papel muito importante".

"Com outros países europeus que têm a mesma visão, procuraremos garantir que esta zona do mundo se mantenha sob uma grande atenção", garantiu.

Seixas da Costa disse ainda que Portugal não pode prometer que o acordo para a criação de uma área de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul - bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e, mais recentemente, a Venezuela - seja resolvido na Presidência portuguesa da UE.

"A responsabilidade das negociações comerciais é uma da Comissão Europeia e não da Presidência. Mas, em tudo quanto depender da Presidência portuguesa, tudo faremos para impulsionar a vontade para se avançar na negociação", assinalou.

O embaixador português anunciou que deverá ser lançada nos próximos meses uma Câmara de Comércio Portuguesa em Brasília, o que se justifica pelo interesse de várias entidades e pelo promissor mercado da capital federal.

A nova Câmara de Comércio poderá ter uma cobertura de acção que ultrapasse o Distrito Federal e envolva outras áreas geográficas adjacentes.

"Os números de crescimento do comércio bilateral nos últimos anos são muito significativos. Estamos a crescer muito em certos produtos - somos líderes no fornecimento de azeite e o principal país europeu na exportação de vinhos para o Brasil - mas temos de diversificar muito mais o leque das nossas exportações", afirmou Seixas da Costa.

O diplomata referiu-se ainda à possível abertura de uma linha aérea da TAP para Brasília.

“A abertura de uma linha da TAP para Brasília é um desejo de muitos, a começar pelo embaixador de Portugal. Mas é à TAP que compete tomar estas decisões, não às autoridades portuguesas. Dado que foi o seu presidente, o brasileiro Fernando Pinto, quem anunciou este interesse da TAP, só podemos esperar que a intenção se concretize", acrescentou.

Actualmente, a TAP opera 48 voos diários entre Portugal e o Brasil, nomeadamente para as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Fortaleza, Recife e Natal.

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