Brasília - Os compromissos internacionais do Brasil somaram US$ 163,3 bilhões no final de janeiro, de acordo com Relatório sobre o Setor Externo divulgado sexta-feira pelo Banco Central.
O resultado foi menor em US$ 5,6 bilhões do que a posição estimada no final de 2006. Essa redução acentuada foi provocada pela antecipação de amortização de empréstimo feito por uma empresa de minera (cujo nome não foi citado no relatório), em outubro do ano passado.
Em contrapartida ingressou igual quantia no país, referente a exportações entre companhias multinacionais.
Do total da dívida, US$ 17 bilhões são compromissos que vencem nos próximos 12 meses e US$ 146,3 bilhões vencem a longo prazo. O relatório do BC informa também que, em sentido contrário, as reservas internacionais do país aumentaram US$ 5,2 bilhões em janeiro e acumulam US$ 91,1 bilhões. As informações são da ABr.
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
sábado, 24 de fevereiro de 2007
Investimento estrangeiro direto no Brasil em janeiro é o maior em sete anos
O ano de 2007 começou com o ingresso, em janeiro, de US$ 2,41 bilhões de investimentos estrangeiros diretos no país, o maior resultado para o mês em sete anos. O valor ficou 63,6% acima do registrado em janeiro de 2006. Como em fevereiro o fluxo desses investimentos também está favorável, o Banco Central (BC) já anunciou que deve rever para cima a projeção de US$ 18 bi fixada para 2007.
“Estamos começando o ano com um resultado muito positivo”, comemorou o chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes. Segundo ele, o mais positivo é que o aumento dos investimentos não decorre de poucas e vultosas operações. São vários setores econômicos que estão recebendo recursos do exterior, como o de fabricação e montagem de veículos automotores, metalurgia, agricultura, comércio, transportes, eletricidade, gás, construção, bancos e imobiliário Algumas dessas operações com valores elevados, entre US$ 100 milhões e US$ 250 milhões.
A tendência para o ano, disse Altamir Lopes, é de uma expansão ainda maior do ingresso de investimentos estrangeiros. Para ele, a implantação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) deve ajudar com a melhoria da infra-estrutura do país. “Não é de agora que o IED (sigla usada para investimentos estrangeiros diretos) está aumentando. Desde junho eles estão vindo acima de US$ 1 bilhão por mês”, ressaltou.
No período acumulado de doze meses até janeiro, entraram na economia brasileira US$ 19,7 bilhões – o maior volume desde julho de 2005. Em 2005, porém, os investimentos diretos contavam com os recursos da compra da cervejaria Ambev pela Interbrew. Em fevereiro, de acordo com balanço preliminar do BC, o ingresso de IED já soma US$ 1,3 bilhão até ontem (23) e deve chegar a US$ 1,45 bilhão, volume também superior aos US$ 854 milhões obtidos no mesmo mês do ano passado.
“Estamos começando o ano com um resultado muito positivo”, comemorou o chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes. Segundo ele, o mais positivo é que o aumento dos investimentos não decorre de poucas e vultosas operações. São vários setores econômicos que estão recebendo recursos do exterior, como o de fabricação e montagem de veículos automotores, metalurgia, agricultura, comércio, transportes, eletricidade, gás, construção, bancos e imobiliário Algumas dessas operações com valores elevados, entre US$ 100 milhões e US$ 250 milhões.
A tendência para o ano, disse Altamir Lopes, é de uma expansão ainda maior do ingresso de investimentos estrangeiros. Para ele, a implantação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) deve ajudar com a melhoria da infra-estrutura do país. “Não é de agora que o IED (sigla usada para investimentos estrangeiros diretos) está aumentando. Desde junho eles estão vindo acima de US$ 1 bilhão por mês”, ressaltou.
No período acumulado de doze meses até janeiro, entraram na economia brasileira US$ 19,7 bilhões – o maior volume desde julho de 2005. Em 2005, porém, os investimentos diretos contavam com os recursos da compra da cervejaria Ambev pela Interbrew. Em fevereiro, de acordo com balanço preliminar do BC, o ingresso de IED já soma US$ 1,3 bilhão até ontem (23) e deve chegar a US$ 1,45 bilhão, volume também superior aos US$ 854 milhões obtidos no mesmo mês do ano passado.
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
Reforma tributária e corte de juros são desafios da economia brasileira
Promover as reformas tributárias que permitam uma queda nas taxas de juros e impulsionar os investimentos são os principais desafios enfrentados pela economia brasileira, segundo explicou hoje o economista Luciano Coutinho, um dos assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Coutinho dividiu uma conferência na Casa da América de Madri na qual assegurou que é necessário promover uma reforma econômica global para manter um crescimento estável da economia brasileira, (na primeira legislatura cresceu 2,5% em meia).
A queda dos juros, explicou Coutinho, representaria uma mudança na política macroeconômica que permitiria à economia crescer mais, além disso, considerou necessário "que os investimentos cresçam, especialmente as do setor privado" para que se possa sustentar o crescimento "sobre uma base segura".
Segundo explicou, nos últimos três anos a economia brasileira experimentou uma "melhora extraordinária devido sobretudo a um aumento muito forte das exportações" (soja, minerais, siderurgia, celulose e agricultura, principalmente).
Isto gerou um "grande superávit que permitiu ao Governo reduzir sua dívida externa", mas a política monetária "se manteve conservadora para manter a inflação", com taxas de juros "muito altas".
Segundo ele, as taxas de juros "estão superdimensionadas", por isso considerou "urgente" contê-las, já que em caso de haver uma mudança propícia no panorama econômico internacional, no câmbio atual não pode acontecer "um equilíbrio a longo prazo" da economia.
Na sua opinião, "o banco central teria que intervir para que houvesse mais competitividade" e apostou em alguns "ajustes globais e políticas menos ortodoxas para induzir a recuperação".
Para cumprir este objetivo, Coutinho lembrou que o Governo iniciou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que prevê reformas em matéria fiscal e investimentos públicos e do setor privado de cerca de US$ 220 bilhões até 2010, direcionadas a acelerar o crescimento do país.
Coutinho deu especial importância à melhora das condições fiscais para fomentar a economia e o investimento público.
"Se o Brasil quer crescer a um ritmo de 4% ou 5% sustentado", disse, "tem que aperfeiçoar seu sistema tributário" para que lhe permita aumentar os investimentos em infra-estrutura, energia, logística e saneamento.
Além disso, apostou na expansão da capacidade exportadora e no avanço da competitividade da produção brasileira, assim como no desenvolvimento de um sistema de crédito que permita financiar o investimento a longo prazo.
Coutinho dividiu uma conferência na Casa da América de Madri na qual assegurou que é necessário promover uma reforma econômica global para manter um crescimento estável da economia brasileira, (na primeira legislatura cresceu 2,5% em meia).
A queda dos juros, explicou Coutinho, representaria uma mudança na política macroeconômica que permitiria à economia crescer mais, além disso, considerou necessário "que os investimentos cresçam, especialmente as do setor privado" para que se possa sustentar o crescimento "sobre uma base segura".
Segundo explicou, nos últimos três anos a economia brasileira experimentou uma "melhora extraordinária devido sobretudo a um aumento muito forte das exportações" (soja, minerais, siderurgia, celulose e agricultura, principalmente).
Isto gerou um "grande superávit que permitiu ao Governo reduzir sua dívida externa", mas a política monetária "se manteve conservadora para manter a inflação", com taxas de juros "muito altas".
Segundo ele, as taxas de juros "estão superdimensionadas", por isso considerou "urgente" contê-las, já que em caso de haver uma mudança propícia no panorama econômico internacional, no câmbio atual não pode acontecer "um equilíbrio a longo prazo" da economia.
Na sua opinião, "o banco central teria que intervir para que houvesse mais competitividade" e apostou em alguns "ajustes globais e políticas menos ortodoxas para induzir a recuperação".
Para cumprir este objetivo, Coutinho lembrou que o Governo iniciou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que prevê reformas em matéria fiscal e investimentos públicos e do setor privado de cerca de US$ 220 bilhões até 2010, direcionadas a acelerar o crescimento do país.
Coutinho deu especial importância à melhora das condições fiscais para fomentar a economia e o investimento público.
"Se o Brasil quer crescer a um ritmo de 4% ou 5% sustentado", disse, "tem que aperfeiçoar seu sistema tributário" para que lhe permita aumentar os investimentos em infra-estrutura, energia, logística e saneamento.
Além disso, apostou na expansão da capacidade exportadora e no avanço da competitividade da produção brasileira, assim como no desenvolvimento de um sistema de crédito que permita financiar o investimento a longo prazo.
PAC ameaça deixar economia do Brasil para trás, diz Financial Times
O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado no mês passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não toca nos principais pontos que emperram a expansão da economia brasileira e ameaça deixar o país para trás em relação às demais nações emergentes, afirma reportagem publicada nesta quinta-feira pelo diário britânico Financial Times.
O jornal observa que o principal ponto do PAC é a aposta nos investimentos públicos como propulsor do crescimento, mas argumenta que “a escassez de capital para investimento não é a única barreira ao crescimento do Brasil”.
“Muitos economistas apontam as leis trabalhistas restritivas que levaram cerca de 60% da força de trabalho para o setor informal, cortando receitas do governo no processo. No setor público, escalas de pagamento inflexíveis baseadas em idade negam aos chefes o tipo de incentivos por desempenho que poderia, por exemplo, ajudar a melhorar a educação pública. Outros obstáculos incluem um sistema tributário confuso e um judiciário problemático”, afirma.
Para a reportagem, “a impressão de que o governo quer gastar para conseguir crescimento é reforçada pela relutância do PAC em atender a questões fundamentais como pensões e reforma trabalhista”.
O jornal conclui dizendo que os analistas não temem uma possível mudança de rumo de Lula em direção ao populismo, mas que, “ao não conseguir agarrar a oportunidade oferecida pelas condições globais benignas para reformar o Estado, ele condene o país a muito mais anos de mediocridade”.
Entrevista de Amorim
Em outro texto que completa a página, o Financial Times traz uma entrevista com o chanceler Celso Amorim, na qual ele defende a política brasileira de manter relações cordiais com seus vizinhos mais radicais, como Venezuela e Bolívia.
“Ao invés de criticar abertamente, Amorim afirma que o Brasil pode ser mais efetivo com uma persuasão serena atrás dos bastidores”, diz o texto. “Esta é uma posição que ele disse ter trazido frutos na Bolívia, onde Evo Morales teria recuado de uma versão mais radical da nacionalização do gás.”
O ministro argumenta na entrevista que o interesse maior do Brasil é pela integração regional. “Amorim diz que seus críticos não entendem o caráter em transformação do Mercosul e subestimam a necessidade de uma integração mais ampla em um mundo onde recursos e infra-estrutura física têm uma crescente importância”, diz a reportagem.
Segundo o jornal, a política externa brasileira é “guiada pela sensação de que a liderança internacional dos Estados Unidos, incontestável quando o Mercosul foi formado, em 1991, está sendo desafiada pela emergência de blocos como a União Européia e pela China”.
“Para enfrentar estes verdadeiros gigantes, a integração sul-americana é muito importante para o Brasil”, argumenta Amorim na entrevista.
Ameaça à Amazônia
A demanda por soja para a fabricação de biodiesel ameaça acelerar o desmatamento da Amazônia brasileira, segundo afirma reportagem publicada nesta quinta-feira pelo diário espanhol El País.
A reportagem afirma que dois programas do governo incentivam a expansão da produção de soja: “o programa de produção de biodiesel, considerado pioneiro, e o novo programa de aceleração do crescimento, dirigido à ampliação da infra-estrutura e que supõe a ampliação de portos e rodovias para facilitar o transporte da soja”.
O jornal reproduz declarações de um ambientalista brasileiro de que o cultivo da soja “está invadindo não somente o cerrado, como já está começando a comer parte da Amazônia, com o agravante de que o monocultivo da soja não só destrói a selva, mas também acaba expulsando comunidades inteiras de agricultores familiares, acrescentando a miséria às populações dessas áreas”.
A reportagem afirma ainda que “o cultivo da soja pode provocar a contaminação dos rios e do solo por agrotóxicos e fertilizantes e reduz a biodiversidade animal e vegetal”.
Para o jornal, “o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está entre a cruz e a espada, pois a produção e exportação de soja supõe uma das principais entradas de divisas, enquanto, por outro lado, o Ministério do Meio Ambiente, dirigido pela ministra Marina Silva, já teve vários desencontros com algumas medidas do governo”.
“Uma das provas da vontade do governo de Lula em seu segundo mandato vai ser a permanência ou não no Executivo da ministra Silva, conhecida por sua intransigência em matérias ambientais”, conclui o jornal espanhol.
O jornal observa que o principal ponto do PAC é a aposta nos investimentos públicos como propulsor do crescimento, mas argumenta que “a escassez de capital para investimento não é a única barreira ao crescimento do Brasil”.
“Muitos economistas apontam as leis trabalhistas restritivas que levaram cerca de 60% da força de trabalho para o setor informal, cortando receitas do governo no processo. No setor público, escalas de pagamento inflexíveis baseadas em idade negam aos chefes o tipo de incentivos por desempenho que poderia, por exemplo, ajudar a melhorar a educação pública. Outros obstáculos incluem um sistema tributário confuso e um judiciário problemático”, afirma.
Para a reportagem, “a impressão de que o governo quer gastar para conseguir crescimento é reforçada pela relutância do PAC em atender a questões fundamentais como pensões e reforma trabalhista”.
O jornal conclui dizendo que os analistas não temem uma possível mudança de rumo de Lula em direção ao populismo, mas que, “ao não conseguir agarrar a oportunidade oferecida pelas condições globais benignas para reformar o Estado, ele condene o país a muito mais anos de mediocridade”.
Entrevista de Amorim
Em outro texto que completa a página, o Financial Times traz uma entrevista com o chanceler Celso Amorim, na qual ele defende a política brasileira de manter relações cordiais com seus vizinhos mais radicais, como Venezuela e Bolívia.
“Ao invés de criticar abertamente, Amorim afirma que o Brasil pode ser mais efetivo com uma persuasão serena atrás dos bastidores”, diz o texto. “Esta é uma posição que ele disse ter trazido frutos na Bolívia, onde Evo Morales teria recuado de uma versão mais radical da nacionalização do gás.”
O ministro argumenta na entrevista que o interesse maior do Brasil é pela integração regional. “Amorim diz que seus críticos não entendem o caráter em transformação do Mercosul e subestimam a necessidade de uma integração mais ampla em um mundo onde recursos e infra-estrutura física têm uma crescente importância”, diz a reportagem.
Segundo o jornal, a política externa brasileira é “guiada pela sensação de que a liderança internacional dos Estados Unidos, incontestável quando o Mercosul foi formado, em 1991, está sendo desafiada pela emergência de blocos como a União Européia e pela China”.
“Para enfrentar estes verdadeiros gigantes, a integração sul-americana é muito importante para o Brasil”, argumenta Amorim na entrevista.
Ameaça à Amazônia
A demanda por soja para a fabricação de biodiesel ameaça acelerar o desmatamento da Amazônia brasileira, segundo afirma reportagem publicada nesta quinta-feira pelo diário espanhol El País.
A reportagem afirma que dois programas do governo incentivam a expansão da produção de soja: “o programa de produção de biodiesel, considerado pioneiro, e o novo programa de aceleração do crescimento, dirigido à ampliação da infra-estrutura e que supõe a ampliação de portos e rodovias para facilitar o transporte da soja”.
O jornal reproduz declarações de um ambientalista brasileiro de que o cultivo da soja “está invadindo não somente o cerrado, como já está começando a comer parte da Amazônia, com o agravante de que o monocultivo da soja não só destrói a selva, mas também acaba expulsando comunidades inteiras de agricultores familiares, acrescentando a miséria às populações dessas áreas”.
A reportagem afirma ainda que “o cultivo da soja pode provocar a contaminação dos rios e do solo por agrotóxicos e fertilizantes e reduz a biodiversidade animal e vegetal”.
Para o jornal, “o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está entre a cruz e a espada, pois a produção e exportação de soja supõe uma das principais entradas de divisas, enquanto, por outro lado, o Ministério do Meio Ambiente, dirigido pela ministra Marina Silva, já teve vários desencontros com algumas medidas do governo”.
“Uma das provas da vontade do governo de Lula em seu segundo mandato vai ser a permanência ou não no Executivo da ministra Silva, conhecida por sua intransigência em matérias ambientais”, conclui o jornal espanhol.
Países em desenvolvimento não reduzem desemprego apesar do desempenho da economia mundial
O relatório World Economic Situations and Prospects 2007 (Situação Econômica Mundial e as Projeções para 2007), da Organização das Nações Unidas (ONU), afirma que, apesar de o bom desempenho da economia mundial ter contribuído para melhorar as condições do mercado de trabalho na maioria dos países desenvolvidos, em importantes partes do mundo em desenvolvimento não foram gerados postos de trabalho suficientes para reduzir as taxas de desemprego.
Nas principais economias desenvolvidas, a média ponderada da taxa de desemprego caiu gradualmente de 6,9% da população economicamente ativa em 2003, para 6,1% em 2006. Em 2007, o relatório prevê que este índice chegue a 6%. Já os países de economia em transição vivem situação semelhante aos em desenvolvimento. Em ambos, as médias das taxas de desemprego seguem altas, apesar do crescimento econômico dos últimos anos - 7,2% e 6,5%, em 2006, respectivamente.
De acordo com o relatório da ONU, vários fatores podem ter impedido a criação de novos empregos, entre eles, a mecanização e modernização dos processos produtivos - o que aumenta a produtividade e reduz a necessidade de mão-de-obra - e o aumento da força de trabalho, principalmente na África e na América Latina.
Nas principais economias desenvolvidas, a média ponderada da taxa de desemprego caiu gradualmente de 6,9% da população economicamente ativa em 2003, para 6,1% em 2006. Em 2007, o relatório prevê que este índice chegue a 6%. Já os países de economia em transição vivem situação semelhante aos em desenvolvimento. Em ambos, as médias das taxas de desemprego seguem altas, apesar do crescimento econômico dos últimos anos - 7,2% e 6,5%, em 2006, respectivamente.
De acordo com o relatório da ONU, vários fatores podem ter impedido a criação de novos empregos, entre eles, a mecanização e modernização dos processos produtivos - o que aumenta a produtividade e reduz a necessidade de mão-de-obra - e o aumento da força de trabalho, principalmente na África e na América Latina.
Sociedade não pode "agir com vingança"
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos de idade, tema que está sendo discutido no Congresso Nacional desde a semana passada, após a morte do garoto João Hélio, no Rio de Janeiro.
"Se a gente aceitar a diminuição da idade para puni-lo (o agressor de João Hélio, menor de idade) para 16 anos, amanhã estarão pedindo para 15 anos, depois para 9 anos, depois para 10 (sic) e depois, quem sabe algum dia até para o feto, se já soubermos o que vai acontecer no futuro. A sociedade e o Estado não podem agir "com vingança" e permitir que a emoção prevaleça sobre a razão na hora de punir. O Estado, segundo Lula, precisa ser racional em momentos de dificuldades para criar mecanismos sólidos e evitar que episódios semelhantes voltem a acontecer”, discursou o presidente durante a inauguração da nova unidade da Atento, empresa do Grupo Telefonica, no bairro do Belém, na zona leste de São Paulo.
De acordo com o presidente da República, os agressores de João Hélio não são a cara do Brasil, mas sim, os trabalhadores da Atento, em sua maioria jovens que obtiveram na empresa o seu primeiro emprego. Em tom paternal, Lula afirmou que o Estado brasileiro tem co-responsabilidade no crescimento da violência no País, pois nos últimos 26 anos não gerou oportunidades de emprego e renda para que seus jovens sejam inseridos no mercado de trabalho.
Além disso, o presidente argumentou que a falta de crescimento da economia provocou desesperança nas famílias, incorrendo em desestruturação. Por isso, ele insistiu que o Brasil tem hoje uma oportunidade raríssima de "dar um salto na história", como teve em outras ocasiões e que as oportunidades foram perdidas.
"É preciso que a gente olhe para a frente e veja a revolução que está para acontecer. Até o final deste mandato, os 6 mil municípios brasileiros terão internet em banda larga e as cidades pólo contarão com escolas técnicas e extensões universitárias", prometeu. Segundo ele, o momento é de que toda a sociedade, empresários, trabalhadores e governo criem oportunidade para expansão da economia e de inserção no mercado de trabalho. "A regra deste País não é a barbárie de um jovem que mata uma criança", reiterou.
O presidente Lula deixou o local do evento sem falar com a imprensa e seguiu para São Bernardo do Campo. A assessoria de imprensa da Presidência da República informou que apenas hoje o presidente decidirá onde vai passar o feriado de carnaval.
FORÇAS ARMADAS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu ontem os nomes dos novos comandantes das Forças Armadas. Os nomes foram indicados pelo ministro Waldir Pires (Defesa), chefe das Forças Armadas, com base no critério da antigüidade. Eles irão se apresentar ao presidente na próxima quarta-feira.
O novo comandante do Exército será o general Enzo Perry, chefe do departamento de engenharia e comunicação do Exército. Ele irá substituir o general Francisco Roberto de Albuquerque.
Para comandar a Marinha, o presidente indicou o almirante Júlio Soares de Moura Neto em substituição ao almirante Roberto Guimarães Carvalho.
A Aeronáutica será comandada pelo tenente-brigadeiro-do-ar Juniti Saito. Ele irá substituir o tenente-brigadeiro-do-ar Luiz Carlos Silva Bueno. O brigadeiro se chocou com o ministro da Defesa por causa da crise nos aeroportos. Bueno foi contra a proposta de Waldir Pires de desmilitarizar o setor de tráfego aéreo.
"Se a gente aceitar a diminuição da idade para puni-lo (o agressor de João Hélio, menor de idade) para 16 anos, amanhã estarão pedindo para 15 anos, depois para 9 anos, depois para 10 (sic) e depois, quem sabe algum dia até para o feto, se já soubermos o que vai acontecer no futuro. A sociedade e o Estado não podem agir "com vingança" e permitir que a emoção prevaleça sobre a razão na hora de punir. O Estado, segundo Lula, precisa ser racional em momentos de dificuldades para criar mecanismos sólidos e evitar que episódios semelhantes voltem a acontecer”, discursou o presidente durante a inauguração da nova unidade da Atento, empresa do Grupo Telefonica, no bairro do Belém, na zona leste de São Paulo.
De acordo com o presidente da República, os agressores de João Hélio não são a cara do Brasil, mas sim, os trabalhadores da Atento, em sua maioria jovens que obtiveram na empresa o seu primeiro emprego. Em tom paternal, Lula afirmou que o Estado brasileiro tem co-responsabilidade no crescimento da violência no País, pois nos últimos 26 anos não gerou oportunidades de emprego e renda para que seus jovens sejam inseridos no mercado de trabalho.
Além disso, o presidente argumentou que a falta de crescimento da economia provocou desesperança nas famílias, incorrendo em desestruturação. Por isso, ele insistiu que o Brasil tem hoje uma oportunidade raríssima de "dar um salto na história", como teve em outras ocasiões e que as oportunidades foram perdidas.
"É preciso que a gente olhe para a frente e veja a revolução que está para acontecer. Até o final deste mandato, os 6 mil municípios brasileiros terão internet em banda larga e as cidades pólo contarão com escolas técnicas e extensões universitárias", prometeu. Segundo ele, o momento é de que toda a sociedade, empresários, trabalhadores e governo criem oportunidade para expansão da economia e de inserção no mercado de trabalho. "A regra deste País não é a barbárie de um jovem que mata uma criança", reiterou.
O presidente Lula deixou o local do evento sem falar com a imprensa e seguiu para São Bernardo do Campo. A assessoria de imprensa da Presidência da República informou que apenas hoje o presidente decidirá onde vai passar o feriado de carnaval.
FORÇAS ARMADAS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva definiu ontem os nomes dos novos comandantes das Forças Armadas. Os nomes foram indicados pelo ministro Waldir Pires (Defesa), chefe das Forças Armadas, com base no critério da antigüidade. Eles irão se apresentar ao presidente na próxima quarta-feira.
O novo comandante do Exército será o general Enzo Perry, chefe do departamento de engenharia e comunicação do Exército. Ele irá substituir o general Francisco Roberto de Albuquerque.
Para comandar a Marinha, o presidente indicou o almirante Júlio Soares de Moura Neto em substituição ao almirante Roberto Guimarães Carvalho.
A Aeronáutica será comandada pelo tenente-brigadeiro-do-ar Juniti Saito. Ele irá substituir o tenente-brigadeiro-do-ar Luiz Carlos Silva Bueno. O brigadeiro se chocou com o ministro da Defesa por causa da crise nos aeroportos. Bueno foi contra a proposta de Waldir Pires de desmilitarizar o setor de tráfego aéreo.
sábado, 10 de fevereiro de 2007
Ministros vêem economia mundial com otimismo e pedem o sucesso de Doha
O grupo dos sete países mais industrializados do mundo lançou, da cidade alemã de Essen, uma mensagem de otimismo sobre a evolução da economia mundial e de apoio à reativação das negociações para a liberalização do comércio mundial.
Durante dois dias, os ministros das Finanças dos Estados Unidos, Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Japão e Canadá analisaram a situação da economia mundial e as fórmulas para garantir que a robustez atual não seja alterada por desequilíbrios monetários ou outro tipo de crise financeira.
Embora a economia mundial experimente um período de estabilidade que já dura cinco anos e há seis viva sem crises financeiras - como ressaltou o ministro alemão, Peer Steinbrück -, esta situação poderia mudar repentinamente se houvesse, por exemplo, um colapso de algum dos cada vez mais numerosos "Hedge Funds", os fundos de alto risco, altamente especulativos, que se transformaram em um dos principais protagonistas da reunião de Essen.
A Presidência alemã conseguiu colocar o controvertido tema na pauta da reunião, depois de anos de tentativas infrutíferas causadas pela forte resistência dos EUA e do Reino Unido, os países com fundos mais ativos.
No entanto, segundo afirmou Steinbrück, os EUA se deram conta do crescente perigo que emanam destes fundos para sua própria economia, pois são cada vez maiores os números de empresas que operam com eles para fazer fundos de previdências, com o conseqüente risco para os aposentados em caso de prejuízos.
O comunicado final ressalta a importância dos fundos "para a eficiência do sistema financeiro", para cuja "liquidez contribuem sensivelmente", segundo o próprio Steinbrück, mas ao mesmo tempo destaca a necessidade de seguir sua evolução com "vigilância".
O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, advertiu que a discussão sobre os fundos é "incipiente".
No entanto, o G7 deu o primeiro passo em Essen ao estabelecer um calendário de trabalho, que começará através de conversas com os próprios dirigentes destes fundos, com o objetivo de alcançar um código de conduta voluntário.
O outro grande problema discutido na reunião foi o da fraqueza do iene e do iuane, apesar de não aparecer, no comunicado, uma referência explícita às moedas, por respeito às repercussões nos mercados.
Os seis colegas do ministro japonês, Koji Omi, lhe explicaram que o iene deveria refletir melhor os dados fundamentais da economia japonesa, segundo assinalaram posteriormente Steinbrück e Trichet em suas respectivas entrevistas coletivas.
No comunicado, os ministros unicamente ressaltam a boa evolução que tomou conta da economia japonesa e afirmam esperar que esta recuperação "continue".
Por isso, o G7 "confia" que este desenvolvimento seja "reconhecido" pelo mercado e incorporado em suas avaliações, diz o texto.
Com a China, que pela primeira vez foi convidada a participar de alguns debates fundamentais, apesar de não pertencer ao clube, as recomendações foram mais diretas.
O G7 é mais explícito com a China e no comunicado é destacado que "em economias emergentes com grandes e crescentes superávits em suas balanças de conta corrente, especialmente na China, é desejável que as taxas de câmbio sejam modificadas para fazer possíveis ajustes necessários".
A fraqueza do iuane preocupa, sobretudo os EUA, que, há muito tempo, acusam a China de apoiar suas exportações com uma taxa de câmbio artificial.
Além disso, o G7 enviou, de Essen, uma mensagem de apoio ao relançamento da Rodada de Doha para a liberalização do comércio mundial, paralisada há alguns meses.
Em seu comunicado final, os ministros reafirmaram seu "compromisso de resistir a todo reflexo protecionista" e ressaltaram que todos os participantes da rodada têm a responsabilidade de garantir o êxito das negociações.
Steinbrück assinalou que todos os participantes foram muito conscientes de que "qualquer alternativa é pior".
Durante dois dias, os ministros das Finanças dos Estados Unidos, Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Japão e Canadá analisaram a situação da economia mundial e as fórmulas para garantir que a robustez atual não seja alterada por desequilíbrios monetários ou outro tipo de crise financeira.
Embora a economia mundial experimente um período de estabilidade que já dura cinco anos e há seis viva sem crises financeiras - como ressaltou o ministro alemão, Peer Steinbrück -, esta situação poderia mudar repentinamente se houvesse, por exemplo, um colapso de algum dos cada vez mais numerosos "Hedge Funds", os fundos de alto risco, altamente especulativos, que se transformaram em um dos principais protagonistas da reunião de Essen.
A Presidência alemã conseguiu colocar o controvertido tema na pauta da reunião, depois de anos de tentativas infrutíferas causadas pela forte resistência dos EUA e do Reino Unido, os países com fundos mais ativos.
No entanto, segundo afirmou Steinbrück, os EUA se deram conta do crescente perigo que emanam destes fundos para sua própria economia, pois são cada vez maiores os números de empresas que operam com eles para fazer fundos de previdências, com o conseqüente risco para os aposentados em caso de prejuízos.
O comunicado final ressalta a importância dos fundos "para a eficiência do sistema financeiro", para cuja "liquidez contribuem sensivelmente", segundo o próprio Steinbrück, mas ao mesmo tempo destaca a necessidade de seguir sua evolução com "vigilância".
O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, advertiu que a discussão sobre os fundos é "incipiente".
No entanto, o G7 deu o primeiro passo em Essen ao estabelecer um calendário de trabalho, que começará através de conversas com os próprios dirigentes destes fundos, com o objetivo de alcançar um código de conduta voluntário.
O outro grande problema discutido na reunião foi o da fraqueza do iene e do iuane, apesar de não aparecer, no comunicado, uma referência explícita às moedas, por respeito às repercussões nos mercados.
Os seis colegas do ministro japonês, Koji Omi, lhe explicaram que o iene deveria refletir melhor os dados fundamentais da economia japonesa, segundo assinalaram posteriormente Steinbrück e Trichet em suas respectivas entrevistas coletivas.
No comunicado, os ministros unicamente ressaltam a boa evolução que tomou conta da economia japonesa e afirmam esperar que esta recuperação "continue".
Por isso, o G7 "confia" que este desenvolvimento seja "reconhecido" pelo mercado e incorporado em suas avaliações, diz o texto.
Com a China, que pela primeira vez foi convidada a participar de alguns debates fundamentais, apesar de não pertencer ao clube, as recomendações foram mais diretas.
O G7 é mais explícito com a China e no comunicado é destacado que "em economias emergentes com grandes e crescentes superávits em suas balanças de conta corrente, especialmente na China, é desejável que as taxas de câmbio sejam modificadas para fazer possíveis ajustes necessários".
A fraqueza do iuane preocupa, sobretudo os EUA, que, há muito tempo, acusam a China de apoiar suas exportações com uma taxa de câmbio artificial.
Além disso, o G7 enviou, de Essen, uma mensagem de apoio ao relançamento da Rodada de Doha para a liberalização do comércio mundial, paralisada há alguns meses.
Em seu comunicado final, os ministros reafirmaram seu "compromisso de resistir a todo reflexo protecionista" e ressaltaram que todos os participantes da rodada têm a responsabilidade de garantir o êxito das negociações.
Steinbrück assinalou que todos os participantes foram muito conscientes de que "qualquer alternativa é pior".
Petrobras: negociação entre Brasil e Bolívia é comercial
O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, indicou hoje que o Brasil manterá a sua posição de considerar como uma questão apenas comercial, e não política, o debate sobre o preço do gás exportado pela Bolívia para o Brasil, apesar da proximidade da visita do presidente boliviano Evo Morales ao Brasil, no próximo dia 14. "A posição da Petrobras é discutir no âmbito do contrato as questões do preço do gás", afirmou Gabrielli em entrevista após a solenidade de renomeação da Termo Bahia, em São Francisco do Conde, na Bahia, que foi rebatizada de Usina Termelétrica Celso Furtado.
"No que se refere à venda de gás da Bolívia para o Brasil, há um contrato de longo prazo até 2019 e esse contrato nunca foi contestado e ainda está em vigor. Estamos discutindo preços dentro do que está nos termos do contrato, o que é normal. Os preços estão sendo reajustados de acordo com as regras do contrato. A Bolívia quer rever essas regras e estamos discutindo", disse.
O diretor de gás e produção da Petrobras, Ildo Sauer, foi na mesma linha de Gabrielli. "É uma questão empresarial entre a YPFB (estatal boliviana) e a Petrobras, cujo prazo prorrogado voluntariamente pelas duas partes se encerra no dia 8 de abril".
Gabrielli lembrou que há várias questões que inicialmente chamou de problemas e depois de etapas a serem resolvidas com a Bolívia. Uma é o contrato de exploração e produção com os bolivianos, que já foi aprovado pelo congresso boliviano e está em fase final de formalização. Outra são as duas refinarias da Petrobras que o governo Morales nacionalizou. "Essas refinarias a Bolívia quer nacionalizar", disse Gabrielli, acrescentando que "para nacionalizá-las tem que pagar o justo valor, por isso a necessidade de fazer avaliação econômica.
A Bolívia anunciou ontem ou anteontem que não conseguiu contratar uma empresa para fazer avaliação econômica, vamos continuar nessa linha de discussão", afirmou Gabrielli.
"No que se refere à venda de gás da Bolívia para o Brasil, há um contrato de longo prazo até 2019 e esse contrato nunca foi contestado e ainda está em vigor. Estamos discutindo preços dentro do que está nos termos do contrato, o que é normal. Os preços estão sendo reajustados de acordo com as regras do contrato. A Bolívia quer rever essas regras e estamos discutindo", disse.
O diretor de gás e produção da Petrobras, Ildo Sauer, foi na mesma linha de Gabrielli. "É uma questão empresarial entre a YPFB (estatal boliviana) e a Petrobras, cujo prazo prorrogado voluntariamente pelas duas partes se encerra no dia 8 de abril".
Gabrielli lembrou que há várias questões que inicialmente chamou de problemas e depois de etapas a serem resolvidas com a Bolívia. Uma é o contrato de exploração e produção com os bolivianos, que já foi aprovado pelo congresso boliviano e está em fase final de formalização. Outra são as duas refinarias da Petrobras que o governo Morales nacionalizou. "Essas refinarias a Bolívia quer nacionalizar", disse Gabrielli, acrescentando que "para nacionalizá-las tem que pagar o justo valor, por isso a necessidade de fazer avaliação econômica.
A Bolívia anunciou ontem ou anteontem que não conseguiu contratar uma empresa para fazer avaliação econômica, vamos continuar nessa linha de discussão", afirmou Gabrielli.
Meirelles reafirma que Brasil não tem meta de câmbio
Em meio à contínua queda do dólar no mercado brasileiro, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta sexta-feira que o Brasil não tem uma meta para a taxa de câmbio e que a oscilação do real está diminuindo. "Felizmente ou infelizmente o BC não tem meta para o câmbio", afirmou Meirelles em meio ao forte debate no Brasil sobre o rumo do real e a atuação do BC.
Segundo ele, são equivocadas as análises que atribuem os fluxos financeiros ao fortalecimento do real. "Quem olhar os números verá que não é isso." De acordo com Meirelles, os fortes resultados da balança comercial ajudam a explicar a valorização da moeda brasileira. Ele mostrou também, durante palestra no Fórum Brasil 2007, que todas as vezes que os preços internacionais das commodities sobem, o real se valoriza ante o dólar.
Após a palestra, questionado sobre a declaração sobre a meta de câmbio, ele explicou que não estava fazendo "juízo de valor". "Tudo depende do ponto de vista de cada um", afirmou. "O que eu salientei é que os fluxos comerciais com o Brasil tem sido os grandes responsáveis pela evolução da taxa de câmbio", comentou.
O presidente do BC disse que não se sente pressionado diante das inúmeras críticas que a instituição vêm recebendo pelo redução do ritmo de corte da taxa básica de juros, a Selic (atualmente em 13% ao ano), e pela valorização do real. "O que sinto é que, na medida em que a estabilidade econômica do País se consolidou, a ansiedade para o País crescer mais, para uma redução maior da taxa de juros, aumenta", observou. "Compete ao BC cumprir sua função determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e ele vem fazendo isso."
Meirelles ressaltou que o BC, ao reduzir a inflação e cumprir com suas funções, está dando uma contribuição fundamental para que o País possa crescer mais e de forma sustentável no futuro. Questionado por um jornalista se sentia "um vilão" no debate sobre o crescimento econômico diante das recentes críticas, ele respondeu: "essa avaliação não é unânime no País, pois as pesquisas mostram que a maior parte da população brasileira apóia a queda da inflação. A política do BC é amplamente apoiada pela maioria da população brasileira".
Ao fazer um breve discurso na abertura do fórum, em Lisboa, disse que as crises da economia brasileira são coisas do passado e ressaltou o atual debate sobre o crescimento no País. "É um momento interessante par a discutir o Brasil, que passa uma fase importante, após deixar seu período de crises periódicas para trás. "Essas crises são parte da história, do passado", afirmou o presidente do BC.
Ao lado do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, Meirelles acrescentou que a prioridade agora é encontrar formas para que o País cresça mais. "Temos mesmo que ter ansiedade de crescer mais", disse o presidente do BC.
Segundo ele, são equivocadas as análises que atribuem os fluxos financeiros ao fortalecimento do real. "Quem olhar os números verá que não é isso." De acordo com Meirelles, os fortes resultados da balança comercial ajudam a explicar a valorização da moeda brasileira. Ele mostrou também, durante palestra no Fórum Brasil 2007, que todas as vezes que os preços internacionais das commodities sobem, o real se valoriza ante o dólar.
Após a palestra, questionado sobre a declaração sobre a meta de câmbio, ele explicou que não estava fazendo "juízo de valor". "Tudo depende do ponto de vista de cada um", afirmou. "O que eu salientei é que os fluxos comerciais com o Brasil tem sido os grandes responsáveis pela evolução da taxa de câmbio", comentou.
O presidente do BC disse que não se sente pressionado diante das inúmeras críticas que a instituição vêm recebendo pelo redução do ritmo de corte da taxa básica de juros, a Selic (atualmente em 13% ao ano), e pela valorização do real. "O que sinto é que, na medida em que a estabilidade econômica do País se consolidou, a ansiedade para o País crescer mais, para uma redução maior da taxa de juros, aumenta", observou. "Compete ao BC cumprir sua função determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e ele vem fazendo isso."
Meirelles ressaltou que o BC, ao reduzir a inflação e cumprir com suas funções, está dando uma contribuição fundamental para que o País possa crescer mais e de forma sustentável no futuro. Questionado por um jornalista se sentia "um vilão" no debate sobre o crescimento econômico diante das recentes críticas, ele respondeu: "essa avaliação não é unânime no País, pois as pesquisas mostram que a maior parte da população brasileira apóia a queda da inflação. A política do BC é amplamente apoiada pela maioria da população brasileira".
Ao fazer um breve discurso na abertura do fórum, em Lisboa, disse que as crises da economia brasileira são coisas do passado e ressaltou o atual debate sobre o crescimento no País. "É um momento interessante par a discutir o Brasil, que passa uma fase importante, após deixar seu período de crises periódicas para trás. "Essas crises são parte da história, do passado", afirmou o presidente do BC.
Ao lado do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, Meirelles acrescentou que a prioridade agora é encontrar formas para que o País cresça mais. "Temos mesmo que ter ansiedade de crescer mais", disse o presidente do BC.
Lula promete mudanças para atrair investimentos no país
O presidente Lula se declarou disposto a fazer mudanças para que os empresários estrangeiros invistam mais no país. "Temos todas as possibilidades, todos os marcos regulatórios, e faremos as mudanças que precisarem ser feitas para dar a garantia jurídica dos investimentos no Brasil", afirmou
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nessa sexta-feira (9) estar disposto a fazer mudanças para que os empresários estrangeiros invistam mais no país.
“Temos todas as possibilidades, todos os marcos regulatórios e faremos as mudanças que precisarem ser feitas para dar a garantia jurídica dos investimentos no Brasil”, afirmou em Feira de Santana (BA), ao inaugurar fábrica da empresa Nestlè Brasil.
De acordo com o presidente, quando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estiver implantado, o Brasil “estará diante de um conjunto de obras realizadas que, possivelmente, em nenhum momento da sua história tenha conseguido vislumbrar”.
Mas Lula disse que o Brasil já oferece boas condições para as empresas estrangeiras, como superávit de conta corrente – dinheiro que entra e sai do país, de todas as formas -, grande volume de exportações e importações e reservas de US$ 92 bilhões (cerca de R$ 193 milhões). “São indicadores extraordinários para que possamos atrair investidores estrangeiros”.
A fábrica da Nestlé deve produzir, inicialmente, 50 mil toneladas de alimentos (biscoitos, cereais, bebidas achocolatadas, sorvetes, sopas) e gerar 2 mil empregos diretos e indiretos na região. É a segunda unidade da empresa na Bahia e terá investimento de R$ 100 milhões, de acordo com a Secretaria de Imprensa do Palácio do Planalto.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nessa sexta-feira (9) estar disposto a fazer mudanças para que os empresários estrangeiros invistam mais no país.
“Temos todas as possibilidades, todos os marcos regulatórios e faremos as mudanças que precisarem ser feitas para dar a garantia jurídica dos investimentos no Brasil”, afirmou em Feira de Santana (BA), ao inaugurar fábrica da empresa Nestlè Brasil.
De acordo com o presidente, quando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estiver implantado, o Brasil “estará diante de um conjunto de obras realizadas que, possivelmente, em nenhum momento da sua história tenha conseguido vislumbrar”.
Mas Lula disse que o Brasil já oferece boas condições para as empresas estrangeiras, como superávit de conta corrente – dinheiro que entra e sai do país, de todas as formas -, grande volume de exportações e importações e reservas de US$ 92 bilhões (cerca de R$ 193 milhões). “São indicadores extraordinários para que possamos atrair investidores estrangeiros”.
A fábrica da Nestlé deve produzir, inicialmente, 50 mil toneladas de alimentos (biscoitos, cereais, bebidas achocolatadas, sorvetes, sopas) e gerar 2 mil empregos diretos e indiretos na região. É a segunda unidade da empresa na Bahia e terá investimento de R$ 100 milhões, de acordo com a Secretaria de Imprensa do Palácio do Planalto.
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007
Meirelles reafirma que Brasil não trabalha com meta de câmbio
Em meio à contínua queda do dólar no mercado brasileiro, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta sexta-feira que o Brasil não tem uma meta para a taxa de câmbio e que a volatilidade do real está diminuindo.
"Nós não trabalhamos com meta de câmbio", afirmou Meirelles em meio a forte debate no Brasil sobre o rumo do real e a atuação do BC.
"O câmbio tem diminuído de volatilidade no Brasil. Se olharmos, vemos que tem se aproximado de outras moedas", acrescentou.
"Nós não trabalhamos com meta de câmbio", afirmou Meirelles em meio a forte debate no Brasil sobre o rumo do real e a atuação do BC.
"O câmbio tem diminuído de volatilidade no Brasil. Se olharmos, vemos que tem se aproximado de outras moedas", acrescentou.
OCDE vê período de crescimento para o Brasil
O Brasil deve aumentar o ritmo de crescimento nos próximos meses, indica um relatório divulgado nesta sexta-feira, em Paris, pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), uma espécie de "clube dos países ricos".
O índice dos principais indicadores econômicos nacionais mostra ainda que as economias emergentes continuarão puxando o crescimento mundial.
O CLI, como é chamado o indicador compilado mensalmente pela entidade, teve um aumento expressivo em três dos quatro países hoje considerados a ponta de lança entre os emergentes - China, Brasil e Índia. Na Rússia, sempre citada como o quarto protagonista entre os emergentes, as perspectivas de crescimento são desanimadoras.
Entre os países ricos, o indicador revelou tendências mistas. As sete maiores economias do mundo (Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, EUA e Grã-Bretanha) devem crescer levemente como grupo, mas deve haver contração na França e na Grã-Bretanha.
Emergentes
O CLI leva em consideração diversas estatísticas nacionais a fim de prever ciclos de crescimento ou desaceleração na economia. Em geral, o indicador desta sexta revela o que acontecerá dentro de seis meses, afirma a OCDE.
No caso do Brasil o CLI já avança pelo sétimo mês consecutivo, sugerindo que o País deve aumentar o ritmo de crescimento econômico. A aceleração do índice para o Brasil passou de 9,3% para 10,5% entre novembro e dezembro.
A tendência é similar à da Índia, cuja taxa havia avançado de 8,3% para 8,8% entre outubro e novembro. Mas o responsável pelo indicador, Ronny Ninsson, disse que a trajetória do índice indiano é "mais suave, ao passo que a economia no Brasil é mais cheia de altos e baixos".
No caso chinês, os indicadores mostram que o país está prestes a alcançar os níveis de atividade econômica que registrava no de 2003, considerado aquecido.
Já a Rússia parece estar diante de mais alguns meses de desaceleração. Entre novembro e dezembro, o índice subiu pela primeira vez desde abril.
O índice dos principais indicadores econômicos nacionais mostra ainda que as economias emergentes continuarão puxando o crescimento mundial.
O CLI, como é chamado o indicador compilado mensalmente pela entidade, teve um aumento expressivo em três dos quatro países hoje considerados a ponta de lança entre os emergentes - China, Brasil e Índia. Na Rússia, sempre citada como o quarto protagonista entre os emergentes, as perspectivas de crescimento são desanimadoras.
Entre os países ricos, o indicador revelou tendências mistas. As sete maiores economias do mundo (Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, EUA e Grã-Bretanha) devem crescer levemente como grupo, mas deve haver contração na França e na Grã-Bretanha.
Emergentes
O CLI leva em consideração diversas estatísticas nacionais a fim de prever ciclos de crescimento ou desaceleração na economia. Em geral, o indicador desta sexta revela o que acontecerá dentro de seis meses, afirma a OCDE.
No caso do Brasil o CLI já avança pelo sétimo mês consecutivo, sugerindo que o País deve aumentar o ritmo de crescimento econômico. A aceleração do índice para o Brasil passou de 9,3% para 10,5% entre novembro e dezembro.
A tendência é similar à da Índia, cuja taxa havia avançado de 8,3% para 8,8% entre outubro e novembro. Mas o responsável pelo indicador, Ronny Ninsson, disse que a trajetória do índice indiano é "mais suave, ao passo que a economia no Brasil é mais cheia de altos e baixos".
No caso chinês, os indicadores mostram que o país está prestes a alcançar os níveis de atividade econômica que registrava no de 2003, considerado aquecido.
Já a Rússia parece estar diante de mais alguns meses de desaceleração. Entre novembro e dezembro, o índice subiu pela primeira vez desde abril.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
Produção nacional de veículos cresceu 7,5% em janeiro, mostra Anfavea
A produção total de veículos no país em janeiro foi de 203.703, o que representou 7,5% a mais do que em dezembro de 2006 (189.432). Na comparação com janeiro de 2006 (195.399), a produção foi 4,2% maior.
Os dados contam da pesquisa mensal da associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O detalhamento do estudo será informado em entrevista coletiva do presidente da instituição Rogélio Golfarb.
Os dados contam da pesquisa mensal da associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O detalhamento do estudo será informado em entrevista coletiva do presidente da instituição Rogélio Golfarb.
Tesouro faz captação externa em reais
O Tesouro Nacional anunciou hoje (7) que concedeu mandato para a emissão de bônus da República, expressos em reais, e vencimento em 2028. Não especificou, porém, o volume de recursos que pretende negociar, nem os nomes dos bancos que fazem a operação externa.
É a terceira vez que o Brasil lança bônus da República em reais. A primeira vez foi em setembro de 2005, quando captou o equivalente a US$ 1,6 bilhão. No mesmo mês do ano passado, negociou mais US$ 750 milhões em operação feita pelos bancos Citigroup e JP Morgan. Neste caso, a juros de 12,50% ao ano e vencimento em 2022.
Essas colocações de bônus em reais no exterior têm o objetivo de alongar o perfil da dívida, ao mesmo tempo em que o País garante recursos para pagamento da dívida externa. De acordo com números do Tesouro, o Brasil terá que desembolsar US$ 8,9 bilhões neste ano e mais US$ 7,3 bilhões no ano que vem.
É a terceira vez que o Brasil lança bônus da República em reais. A primeira vez foi em setembro de 2005, quando captou o equivalente a US$ 1,6 bilhão. No mesmo mês do ano passado, negociou mais US$ 750 milhões em operação feita pelos bancos Citigroup e JP Morgan. Neste caso, a juros de 12,50% ao ano e vencimento em 2022.
Essas colocações de bônus em reais no exterior têm o objetivo de alongar o perfil da dívida, ao mesmo tempo em que o País garante recursos para pagamento da dívida externa. De acordo com números do Tesouro, o Brasil terá que desembolsar US$ 8,9 bilhões neste ano e mais US$ 7,3 bilhões no ano que vem.
Indústria teve crescimento menor, mas mais qualificado, avalia IBGE
O crescimento de 2,8% da produção industrial ao longo de 2006 não é um resultado ruim, na avaliação da gerente de Análises e Estatísticas Derivadas do IBGE, Isabella Nunes. Apesar de ter sido menor que os 3,1% obtidos em 2005, Nunes destaca dois sinais positivos da pesquisa: o maior número de setores que tiveram crescimento e o crescimento de bens de capital.
Em 2006, 54,6% dos produtos pesquisados registraram alta de produção. Em 2005, 49,7% apresentaram crescimento. O resultado, segundo a pesquisadora, mostra "uma qualidade de crescimento na medida em que a gente tem uma dispersão de crescimento entre setores e produtos".
A pesquisa apontou também os bens de capital e de consumo duráveis como os que mais contribuíram para o aumento. Segundo a economista, isso aponta para um um bom cenário em 2007. "O fechamento do ano mostra um crescimento maior de bens de capital (máquinas e equipamentos), principalmente ligados à informática. Mas também daquela produção de máquinas que vão permanecer na indústria. E ainda de segmentos ligados a bens duráveis, que desde o ano passado já havia um perfil de crescimento acima da média da industria", garantiu.
Isabella Nunes disse ainda que o setor de informática, máquinas e escritório, apesar de ter pouco peso (0,8%) foi o que contribuiu com maior impacto para o resultado do ano, "principalmente com os computadores, devido ao desenvolvimento de programas governamentais e ao aumento de linhas de crédito ao consumidor".
Em 2006, 54,6% dos produtos pesquisados registraram alta de produção. Em 2005, 49,7% apresentaram crescimento. O resultado, segundo a pesquisadora, mostra "uma qualidade de crescimento na medida em que a gente tem uma dispersão de crescimento entre setores e produtos".
A pesquisa apontou também os bens de capital e de consumo duráveis como os que mais contribuíram para o aumento. Segundo a economista, isso aponta para um um bom cenário em 2007. "O fechamento do ano mostra um crescimento maior de bens de capital (máquinas e equipamentos), principalmente ligados à informática. Mas também daquela produção de máquinas que vão permanecer na indústria. E ainda de segmentos ligados a bens duráveis, que desde o ano passado já havia um perfil de crescimento acima da média da industria", garantiu.
Isabella Nunes disse ainda que o setor de informática, máquinas e escritório, apesar de ter pouco peso (0,8%) foi o que contribuiu com maior impacto para o resultado do ano, "principalmente com os computadores, devido ao desenvolvimento de programas governamentais e ao aumento de linhas de crédito ao consumidor".
Mantega descarta intervenção para conter dólar
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, minimizou na noite de terça-feira a recente valorização do real frente ao dólar, movimento que considera passageiro e, por isso, não trará prejuízos à economia. Ele acrescentou que o Banco Central continuará a comprar dólares no mercado para incrementar as reservas internacionais. Mantega garantiu que o governo não faz e nem fará intervenções e descartou qualquer medida de controle de capitais.
"Eu acredito que isso (valorização do real) é passageiro, não é coisa definitiva, de modo que não vai causar maiores prejuízos para a economia", disse Mantega, após reunião da equipe econômica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir, segundo declarou o ministro, "o quadro econômico do País".
"Hoje nós já temos US$ 92 bilhões de reservas, então continuaremos comprando reservas, tomando as medidas que são possíveis e mesmo baixando as taxas de juros."
O ministro acrescentou que preferia um câmbio menos valorizado:
"Eu preferia que o câmbio tivesse num outro patamar, que o real estivesse menos valorizado. Isso ajudaria a produção interna."
De acordo com o ministro, o câmbio está estável num patamar de R$ 2,15 e a queda do dólar nos últimos dias reflete maior segurança na economia brasileira e bons sinais do Federal Reserve, o banco central norte-americano.
A perspectiva de que o juro dos EUA permaneça inalterado tem criado um cenário favorável para países como o Brasil, já que taxas mais altas na maior economia do mundo poderiam tornar menos atrativos os ativos de países emergentes.
Na terça-feira, tanto o dólar quanto o risco-país registraram níveis históricos de baixa. Enquanto a moeda norte-americana encerrou no menor nível desde maio do ano passado, vendida a R$ 2,085, o risco chegou a cair para 177 pontos-base sobre os Treasuries pela manhã.
"Eu acredito que isso (valorização do real) é passageiro, não é coisa definitiva, de modo que não vai causar maiores prejuízos para a economia", disse Mantega, após reunião da equipe econômica com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir, segundo declarou o ministro, "o quadro econômico do País".
"Hoje nós já temos US$ 92 bilhões de reservas, então continuaremos comprando reservas, tomando as medidas que são possíveis e mesmo baixando as taxas de juros."
O ministro acrescentou que preferia um câmbio menos valorizado:
"Eu preferia que o câmbio tivesse num outro patamar, que o real estivesse menos valorizado. Isso ajudaria a produção interna."
De acordo com o ministro, o câmbio está estável num patamar de R$ 2,15 e a queda do dólar nos últimos dias reflete maior segurança na economia brasileira e bons sinais do Federal Reserve, o banco central norte-americano.
A perspectiva de que o juro dos EUA permaneça inalterado tem criado um cenário favorável para países como o Brasil, já que taxas mais altas na maior economia do mundo poderiam tornar menos atrativos os ativos de países emergentes.
Na terça-feira, tanto o dólar quanto o risco-país registraram níveis históricos de baixa. Enquanto a moeda norte-americana encerrou no menor nível desde maio do ano passado, vendida a R$ 2,085, o risco chegou a cair para 177 pontos-base sobre os Treasuries pela manhã.
Berzoini cobra de Mantega redução mais rápida dos juros
Segundo o presidente do PT, é necessário que o ritmo de queda dos juros seja acelerado para impactar a taxa de câmbio, que já afeta setores da economiaBerzoini cobra de Mantega redução mais rápida dos juros
O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), relatou nesta terça-feira, ao sair do Ministério da Fazenda, que repassou ao ministro Guido Mantega a preocupação do partido com o ritmo de queda das taxas de juros. Segundo o deputado, é necessário que seja esta queda seja mais rápida para que possa impactar a taxa de câmbio. Segundo ele, o real valorizado já afeta vários setores da economia brasileira.
O presidente do PT afirmou que não sabe se a redução dos juros é a única saída para forçar a desvalorização do real frente ao dólar. Mas alertou: "Precisamos ter um equilíbrio de modo que a taxa de câmbio não prejudique setores importantes da economia que competem no mercado interno ou externo com competidores ágeis e taxas mais favoráveis".
Segundo Berzoini, os setores de calçados, têxteis, móveis, eletroeletrônicos já começaram a sofrer impacto significativo da valorização do real. Ele destacou que a queda na taxa de câmbio não é boa para a economia.
Bancos
Ele contou ter expressado ao ministro da Fazenda a preocupação com os bancos públicos no sentido de que estejam comprometidos com as ações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da economia. De acordo com Berzoini, eles devem estar em sintonia total com o programa de governo. "Eu manifestei a preocupação de que os bancos públicos federais tenham a direção comprometida com o PAC e com o crescimento econômico, reduzindo o spread (diferença entre os juros que são pagos pelos bancos na captação de dinheiro e os que eles cobram nos empréstimos concedidos)", afirmou.
Segundo Berzoini, esses bancos têm um papel importante como indutores da redução do spread bancário. "Achamos que os bancos públicos podem ser mais ousados", comentou o presidente do PT. De acordo com ele, isso permitirá um crédito mais amplo e viável para o crescimento da economia.
Berzoini disse que inclui no rol desses bancos o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que considera o mais importante por financiar investimentos. Por isso, segundo o deputado, é preciso que esteja na direção do banco alguém capaz e competente e em sintonia com o PAC.
Questionado se o partido estaria cobrando a presidência do BNDES, Berzoini respondeu: "O importante é ter no BNDES gente capaz e competente. Não importa a filiação partidária. Queremos gente com total sintonia com o programa de governo", afirmou, acrescentando que "o governo é maior que o PT".
Berzoini também afirmou que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal podem ser mais ousados. Além disso, disse que os bancos públicos têm sido instrumentos fundamentais no governo do PT para reduzir o spread bancário, mas, "como somos insatisfeitos, queremos ainda mais."
Preocupação
De acordo com Berzoini, Mantega manifestou especial preocupação com o nível baixo da taxa de câmbio. Ele disse, porém, que seria deselegante reproduzir o que o ministro falou sobre o assunto. Segundo ele, Mantega está "bastante preocupado" no sentido de garantir a sustentabilidade do crescimento da economia. "O PAC terá um papel importante, mas é óbvio que temos que cuidar dos indicadores macroeconômicos", disse o presidente do PT. Ele contou ainda que, na audiência com Mantega,
O presidente do PT também não quis informar as propostas que teria entregue a Mantega para resolver o problema. "Não é bom para a economia brasileira que esse tipo de assunto se torne uma proposta pública, porque gera expectativas", justificou. Berzoini informou que convidou o ministro Mantega a fazer uma apresentação do PAC à Executiva do PT na próxima reunião do partido, no dia 26.
O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), relatou nesta terça-feira, ao sair do Ministério da Fazenda, que repassou ao ministro Guido Mantega a preocupação do partido com o ritmo de queda das taxas de juros. Segundo o deputado, é necessário que seja esta queda seja mais rápida para que possa impactar a taxa de câmbio. Segundo ele, o real valorizado já afeta vários setores da economia brasileira.
O presidente do PT afirmou que não sabe se a redução dos juros é a única saída para forçar a desvalorização do real frente ao dólar. Mas alertou: "Precisamos ter um equilíbrio de modo que a taxa de câmbio não prejudique setores importantes da economia que competem no mercado interno ou externo com competidores ágeis e taxas mais favoráveis".
Segundo Berzoini, os setores de calçados, têxteis, móveis, eletroeletrônicos já começaram a sofrer impacto significativo da valorização do real. Ele destacou que a queda na taxa de câmbio não é boa para a economia.
Bancos
Ele contou ter expressado ao ministro da Fazenda a preocupação com os bancos públicos no sentido de que estejam comprometidos com as ações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da economia. De acordo com Berzoini, eles devem estar em sintonia total com o programa de governo. "Eu manifestei a preocupação de que os bancos públicos federais tenham a direção comprometida com o PAC e com o crescimento econômico, reduzindo o spread (diferença entre os juros que são pagos pelos bancos na captação de dinheiro e os que eles cobram nos empréstimos concedidos)", afirmou.
Segundo Berzoini, esses bancos têm um papel importante como indutores da redução do spread bancário. "Achamos que os bancos públicos podem ser mais ousados", comentou o presidente do PT. De acordo com ele, isso permitirá um crédito mais amplo e viável para o crescimento da economia.
Berzoini disse que inclui no rol desses bancos o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que considera o mais importante por financiar investimentos. Por isso, segundo o deputado, é preciso que esteja na direção do banco alguém capaz e competente e em sintonia com o PAC.
Questionado se o partido estaria cobrando a presidência do BNDES, Berzoini respondeu: "O importante é ter no BNDES gente capaz e competente. Não importa a filiação partidária. Queremos gente com total sintonia com o programa de governo", afirmou, acrescentando que "o governo é maior que o PT".
Berzoini também afirmou que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal podem ser mais ousados. Além disso, disse que os bancos públicos têm sido instrumentos fundamentais no governo do PT para reduzir o spread bancário, mas, "como somos insatisfeitos, queremos ainda mais."
Preocupação
De acordo com Berzoini, Mantega manifestou especial preocupação com o nível baixo da taxa de câmbio. Ele disse, porém, que seria deselegante reproduzir o que o ministro falou sobre o assunto. Segundo ele, Mantega está "bastante preocupado" no sentido de garantir a sustentabilidade do crescimento da economia. "O PAC terá um papel importante, mas é óbvio que temos que cuidar dos indicadores macroeconômicos", disse o presidente do PT. Ele contou ainda que, na audiência com Mantega,
O presidente do PT também não quis informar as propostas que teria entregue a Mantega para resolver o problema. "Não é bom para a economia brasileira que esse tipo de assunto se torne uma proposta pública, porque gera expectativas", justificou. Berzoini informou que convidou o ministro Mantega a fazer uma apresentação do PAC à Executiva do PT na próxima reunião do partido, no dia 26.
terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
Lula:economia nunca esteve em condições tão favoráveis
"A economia nunca esteve em condições tão favoráveis para dar o passo seguinte", disse hoje o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de assinatura de convênio para as obras do Arco Rodoviário do Rio de Janeiro . Destacando que o País nas últimas décadas não teve o crescimento econômico desejado, Lula afirmou: "este país não pode ter medo de crescer. Este país não pode ter medo do aumento da demanda". O presidente não chegou a falar explicitamente dos juros ou do Banco Central e completou que o País precisa cuidar do aumento da oferta para o mercado doméstico e para as exportações.
Durante o discurso, Lula cobrou investimentos da iniciativa privada e citou que a legislação para as Parcerias Público-Privadas (PPP) já foi aprovada, mas que até agora não houve investimento por parte dos empresários.
O presidente considera os investimentos e as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) prioritárias para o País. "Vou contingenciar o orçamento, mas não o PAC", disse. Reafirmou que vai viajar para fiscalizar as obras do Programa e citou explicitamente os gasodutos da Petrobras. "É o olho do dono que engorda a porca", disse.
Durante o discurso, Lula cobrou investimentos da iniciativa privada e citou que a legislação para as Parcerias Público-Privadas (PPP) já foi aprovada, mas que até agora não houve investimento por parte dos empresários.
O presidente considera os investimentos e as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) prioritárias para o País. "Vou contingenciar o orçamento, mas não o PAC", disse. Reafirmou que vai viajar para fiscalizar as obras do Programa e citou explicitamente os gasodutos da Petrobras. "É o olho do dono que engorda a porca", disse.
Presidência portuguesa da UE deverá dar destaque ao Brasil
O embaixador português no Brasil, Francisco Seixas da Costa, disse hoje que Portugal pretende dar um "especial destaque" às relações da União Europeia com o Brasil quando assumir a Presidência da organização, no segundo semestre deste ano.
"O Brasil é, de entre os países emergentes, aquele cujo estatuto de relacionamento e diálogo estruturado com a União Europeia está menos desenvolvido. Pela nossa parte, tudo faremos para corrigir esta anomalia", afirmou Seixas da Costa num programa da rede de televisão Bandeirantes.
Segundo Seixas da Costa, a China é uma "evidente prioridade para a União Europeia, que Portugal partilha em pleno".
O embaixador acrescentou, entretanto, que no quadro de prioridades da acção externa da Europa, "a América Latina deve continuar a ter um papel muito importante".
"Com outros países europeus que têm a mesma visão, procuraremos garantir que esta zona do mundo se mantenha sob uma grande atenção", garantiu.
Seixas da Costa disse ainda que Portugal não pode prometer que o acordo para a criação de uma área de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul - bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e, mais recentemente, a Venezuela - seja resolvido na Presidência portuguesa da UE.
"A responsabilidade das negociações comerciais é uma da Comissão Europeia e não da Presidência. Mas, em tudo quanto depender da Presidência portuguesa, tudo faremos para impulsionar a vontade para se avançar na negociação", assinalou.
O embaixador português anunciou que deverá ser lançada nos próximos meses uma Câmara de Comércio Portuguesa em Brasília, o que se justifica pelo interesse de várias entidades e pelo promissor mercado da capital federal.
A nova Câmara de Comércio poderá ter uma cobertura de acção que ultrapasse o Distrito Federal e envolva outras áreas geográficas adjacentes.
"Os números de crescimento do comércio bilateral nos últimos anos são muito significativos. Estamos a crescer muito em certos produtos - somos líderes no fornecimento de azeite e o principal país europeu na exportação de vinhos para o Brasil - mas temos de diversificar muito mais o leque das nossas exportações", afirmou Seixas da Costa.
O diplomata referiu-se ainda à possível abertura de uma linha aérea da TAP para Brasília.
“A abertura de uma linha da TAP para Brasília é um desejo de muitos, a começar pelo embaixador de Portugal. Mas é à TAP que compete tomar estas decisões, não às autoridades portuguesas. Dado que foi o seu presidente, o brasileiro Fernando Pinto, quem anunciou este interesse da TAP, só podemos esperar que a intenção se concretize", acrescentou.
Actualmente, a TAP opera 48 voos diários entre Portugal e o Brasil, nomeadamente para as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Fortaleza, Recife e Natal.
"O Brasil é, de entre os países emergentes, aquele cujo estatuto de relacionamento e diálogo estruturado com a União Europeia está menos desenvolvido. Pela nossa parte, tudo faremos para corrigir esta anomalia", afirmou Seixas da Costa num programa da rede de televisão Bandeirantes.
Segundo Seixas da Costa, a China é uma "evidente prioridade para a União Europeia, que Portugal partilha em pleno".
O embaixador acrescentou, entretanto, que no quadro de prioridades da acção externa da Europa, "a América Latina deve continuar a ter um papel muito importante".
"Com outros países europeus que têm a mesma visão, procuraremos garantir que esta zona do mundo se mantenha sob uma grande atenção", garantiu.
Seixas da Costa disse ainda que Portugal não pode prometer que o acordo para a criação de uma área de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul - bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e, mais recentemente, a Venezuela - seja resolvido na Presidência portuguesa da UE.
"A responsabilidade das negociações comerciais é uma da Comissão Europeia e não da Presidência. Mas, em tudo quanto depender da Presidência portuguesa, tudo faremos para impulsionar a vontade para se avançar na negociação", assinalou.
O embaixador português anunciou que deverá ser lançada nos próximos meses uma Câmara de Comércio Portuguesa em Brasília, o que se justifica pelo interesse de várias entidades e pelo promissor mercado da capital federal.
A nova Câmara de Comércio poderá ter uma cobertura de acção que ultrapasse o Distrito Federal e envolva outras áreas geográficas adjacentes.
"Os números de crescimento do comércio bilateral nos últimos anos são muito significativos. Estamos a crescer muito em certos produtos - somos líderes no fornecimento de azeite e o principal país europeu na exportação de vinhos para o Brasil - mas temos de diversificar muito mais o leque das nossas exportações", afirmou Seixas da Costa.
O diplomata referiu-se ainda à possível abertura de uma linha aérea da TAP para Brasília.
“A abertura de uma linha da TAP para Brasília é um desejo de muitos, a começar pelo embaixador de Portugal. Mas é à TAP que compete tomar estas decisões, não às autoridades portuguesas. Dado que foi o seu presidente, o brasileiro Fernando Pinto, quem anunciou este interesse da TAP, só podemos esperar que a intenção se concretize", acrescentou.
Actualmente, a TAP opera 48 voos diários entre Portugal e o Brasil, nomeadamente para as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Fortaleza, Recife e Natal.
Risco cai a 180 pontos e Fitch melhora perspectiva do Brasil
O renovado otimismo em relação ao País também ajuda na queda do dólar, que recuou 0,43%. O bom humor do investidor externo em relação aos emergentes, particularmente o Brasil, segue derrubando o risco-país, medido pelo JP Morgan. Ontem, no fechamento do mercado local, o indicador estava em 180 pontos-base, um recuo de 1,09% sobre sexta-feira, quando o risco fechou a 181 pontos estabelecendo uma nova marca histórica para o País.
A busca por ativos de maior risco e retorno, como papéis e moeda de emergentes, ganhou força na semana passada. A decisão do Fed de manter o juro a 5,25% ao ano associada a dados que confirmam o pouso suave da economia americana, com inflação cedendo, levaram os mercados a uma nova onda de otimismo. No caso brasileiro, além da cena externa favorável, os bons fundamentos internos com inflação baixa, reservas internacionais robustas e a melhora no perfil da dívida, também colaboram para uma visão bastante positiva sobre o País.
Ontem, a agência de classificação de risco Fitch Rating elevou a perspectiva da nota atribuída ao Brasil de estável para positiva. Isto significa que nos próximos dois anos o País pode ter uma elevação no seu rating da dívida soberana de longo prazo em moeda estrangeira, que hoje é BB. Nas três principais agência de risco, Fitch, Moody’s e Standard & Poor’s (S&P), o Brasil está ainda há dois níveis de obter o grau de investimento. A perspectiva é positiva em duas, Fitch e S&P e estável na Moody’s.
"A rápida melhoria das contas externas brasileiras, principalmente em 2006, quando o setor público tornou-se credor líquido externo, aumentou a possibilidade de uma melhoria do rating nos próximos dois anos", disse Roger Scher, diretor-executivo para ratings da América Latina. As reservas em US$ 91 bilhões também foram citadas como determinantes na melhora da perspectiva.
Com a confiança renovada do investidor no Brasil, atraído pelos bons fundamentos e pelos juros em reais elevados, o dólar segue em queda. Ontem, recuou 0,43%, a R$ 2,096, mesmo com o BC comprando moeda. A divulgação do Relatório de Mercado do BC, com instituições voltando a prever Selic a 11,50% no final do ano, depois de terem na semana anterior elevado a estimativa para 11,75%, não mexeu com os juros futuros, que fecharam com pequenas oscilações.
"A gente ainda está vivendo um pouco da melhora externa da semana passada, o que pode ter influenciado no relatório", diz Vladimir Caramaschi, economista-chefe da corretora Fator. Segundo analistas, a ata do Copom também pode ter colaborado na reavaliação dos analistas quanto à trajetória do juro. (Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 1)
A busca por ativos de maior risco e retorno, como papéis e moeda de emergentes, ganhou força na semana passada. A decisão do Fed de manter o juro a 5,25% ao ano associada a dados que confirmam o pouso suave da economia americana, com inflação cedendo, levaram os mercados a uma nova onda de otimismo. No caso brasileiro, além da cena externa favorável, os bons fundamentos internos com inflação baixa, reservas internacionais robustas e a melhora no perfil da dívida, também colaboram para uma visão bastante positiva sobre o País.
Ontem, a agência de classificação de risco Fitch Rating elevou a perspectiva da nota atribuída ao Brasil de estável para positiva. Isto significa que nos próximos dois anos o País pode ter uma elevação no seu rating da dívida soberana de longo prazo em moeda estrangeira, que hoje é BB. Nas três principais agência de risco, Fitch, Moody’s e Standard & Poor’s (S&P), o Brasil está ainda há dois níveis de obter o grau de investimento. A perspectiva é positiva em duas, Fitch e S&P e estável na Moody’s.
"A rápida melhoria das contas externas brasileiras, principalmente em 2006, quando o setor público tornou-se credor líquido externo, aumentou a possibilidade de uma melhoria do rating nos próximos dois anos", disse Roger Scher, diretor-executivo para ratings da América Latina. As reservas em US$ 91 bilhões também foram citadas como determinantes na melhora da perspectiva.
Com a confiança renovada do investidor no Brasil, atraído pelos bons fundamentos e pelos juros em reais elevados, o dólar segue em queda. Ontem, recuou 0,43%, a R$ 2,096, mesmo com o BC comprando moeda. A divulgação do Relatório de Mercado do BC, com instituições voltando a prever Selic a 11,50% no final do ano, depois de terem na semana anterior elevado a estimativa para 11,75%, não mexeu com os juros futuros, que fecharam com pequenas oscilações.
"A gente ainda está vivendo um pouco da melhora externa da semana passada, o que pode ter influenciado no relatório", diz Vladimir Caramaschi, economista-chefe da corretora Fator. Segundo analistas, a ata do Copom também pode ter colaborado na reavaliação dos analistas quanto à trajetória do juro. (Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados - Pág. 1)
domingo, 4 de fevereiro de 2007
Importação tira quase 2 pontos do PIB do Brasil
Parte significativa do PIB (Produto Interno Bruto) está "vazando" para fora do país. Em vez de crescer estimados 2,8% em 2006, o Brasil poderia ter batido em até 4,5% se a crescente demanda interna não estivesse sendo atendida tão fortemente pelas importações.
O volume de compras de produtos de fora aumentou 16% no ano passado. Só em bens de consumo, o salto foi de 74%. Isso significa que o consumidor brasileiro ajudou no crescimento do PIB dos países que exportam para o Brasil.
Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), afirma que o segundo semestre de 2006 marcou "uma reversão total" negativa do setor externo sobre o PIB. No ano passado, pela primeira vez no governo Lula, as importações contribuíram negativamente no PIB.
As importações não são ruins para o Brasil, que tem uma das economias mais fechadas do mundo. Elas ajudam a controlar a inflação pela competição com produtos nacionais e a modernizar as empresas.
O problema é que, apesar de o ritmo do volume das importações estar crescendo muito acima do das exportações (16% contra 3%, respectivamente), o real continua se valorizando.
Dólar barato
Em outros momentos, essa diferença entre o crescimento maior das importações e menor das exportações faria o dólar ficar mais caro.
Isso inibiria aos poucos as compras externas e estimularia os setores exportadores nacionais, ajudando o PIB a crescer.
Isso não aconteceu e não deve mudar por duas razões:
1) As exportações que mais crescem no Brasil são de commodities e de produtos básicos que têm mantido seus preços fortemente valorizados.
Ou seja, o preço alto desses produtos compensou o pequeno aumento em volume das exportações. Enquanto a quantidade exportada cresceu só 3% em 2006, o aumento em valores chegou a 12,5%.
2) O Brasil continua praticando o maior juro real do mundo, o que atrai uma quantidade enorme de dólares de investidores que lucram no país.
Economistas e empresários ouvidos pela Folha não acreditam em reversão dessa tendência. As importações continuarão crescendo, e os preços dos exportados e os juros manterão os saldos comerciais elevados e o dólar abaixo de R$ 2,20.
Na semana passada, apesar do anúncio de um salto de 31% nos valores importados em janeiro, o dólar caiu a R$ 2,10, a menor cotação em oito meses.
A tendência é que o "vazamento" do PIB continue sendo o "vilão" do crescimento.
Troca por importados
O resultado do setor de máquinas e equipamentos de 2006 já mostrou que está havendo uma forte substituição de investimentos na produção interna por importados.
Ao contrário do que era esperado, pela primeira vez em seis anos, caiu em 2006 o consumo total de máquinas no Brasil.
Para o economista Paulo Miguel, da Quest Investimentos, nesse cenário, programas de estímulo à atividade econômica como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) equivalem a "pisar no acelerador de um carro atolado".
"Qualquer crescimento a mais na demanda interna continuará beneficiando em boa medida os países que exportam para o Brasil", afirma.
Em 2006, bastante estimulado por programas sociais, o consumo das famílias cresceu 3,6%, e o PIB, 2,3% (até setembro). A diferença entre os dois percentuais foi, basicamente, atendida pelos importados.
Estudo da MCM Consultores mostra que, em 2006, 14 setores afetados pelas importações perderam R$ 19,6 bilhões em produção local. Na área de eletrônicos, a queda foi de 8% por conta dos importados. Na de equipamentos de transportes, 6,2%. Na têxtil, 3,8%.
A saída para conter esse "vazamento", enquanto os preços de commodities e os juros sustentarem o saldo comercial e o real valorizado, seria tornar as empresas brasileiras tão competitivas quanto as dos países de onde o Brasil importa.
Para isso, seriam necessários cortes de impostos para as empresas bem maiores do que os previstos no PAC: foram cerca de R$ 6 bilhões, para uma carga tributária de mais de R$ 800 bilhões, o que dá menos de 0,7%.
O volume de compras de produtos de fora aumentou 16% no ano passado. Só em bens de consumo, o salto foi de 74%. Isso significa que o consumidor brasileiro ajudou no crescimento do PIB dos países que exportam para o Brasil.
Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), afirma que o segundo semestre de 2006 marcou "uma reversão total" negativa do setor externo sobre o PIB. No ano passado, pela primeira vez no governo Lula, as importações contribuíram negativamente no PIB.
As importações não são ruins para o Brasil, que tem uma das economias mais fechadas do mundo. Elas ajudam a controlar a inflação pela competição com produtos nacionais e a modernizar as empresas.
O problema é que, apesar de o ritmo do volume das importações estar crescendo muito acima do das exportações (16% contra 3%, respectivamente), o real continua se valorizando.
Dólar barato
Em outros momentos, essa diferença entre o crescimento maior das importações e menor das exportações faria o dólar ficar mais caro.
Isso inibiria aos poucos as compras externas e estimularia os setores exportadores nacionais, ajudando o PIB a crescer.
Isso não aconteceu e não deve mudar por duas razões:
1) As exportações que mais crescem no Brasil são de commodities e de produtos básicos que têm mantido seus preços fortemente valorizados.
Ou seja, o preço alto desses produtos compensou o pequeno aumento em volume das exportações. Enquanto a quantidade exportada cresceu só 3% em 2006, o aumento em valores chegou a 12,5%.
2) O Brasil continua praticando o maior juro real do mundo, o que atrai uma quantidade enorme de dólares de investidores que lucram no país.
Economistas e empresários ouvidos pela Folha não acreditam em reversão dessa tendência. As importações continuarão crescendo, e os preços dos exportados e os juros manterão os saldos comerciais elevados e o dólar abaixo de R$ 2,20.
Na semana passada, apesar do anúncio de um salto de 31% nos valores importados em janeiro, o dólar caiu a R$ 2,10, a menor cotação em oito meses.
A tendência é que o "vazamento" do PIB continue sendo o "vilão" do crescimento.
Troca por importados
O resultado do setor de máquinas e equipamentos de 2006 já mostrou que está havendo uma forte substituição de investimentos na produção interna por importados.
Ao contrário do que era esperado, pela primeira vez em seis anos, caiu em 2006 o consumo total de máquinas no Brasil.
Para o economista Paulo Miguel, da Quest Investimentos, nesse cenário, programas de estímulo à atividade econômica como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) equivalem a "pisar no acelerador de um carro atolado".
"Qualquer crescimento a mais na demanda interna continuará beneficiando em boa medida os países que exportam para o Brasil", afirma.
Em 2006, bastante estimulado por programas sociais, o consumo das famílias cresceu 3,6%, e o PIB, 2,3% (até setembro). A diferença entre os dois percentuais foi, basicamente, atendida pelos importados.
Estudo da MCM Consultores mostra que, em 2006, 14 setores afetados pelas importações perderam R$ 19,6 bilhões em produção local. Na área de eletrônicos, a queda foi de 8% por conta dos importados. Na de equipamentos de transportes, 6,2%. Na têxtil, 3,8%.
A saída para conter esse "vazamento", enquanto os preços de commodities e os juros sustentarem o saldo comercial e o real valorizado, seria tornar as empresas brasileiras tão competitivas quanto as dos países de onde o Brasil importa.
Para isso, seriam necessários cortes de impostos para as empresas bem maiores do que os previstos no PAC: foram cerca de R$ 6 bilhões, para uma carga tributária de mais de R$ 800 bilhões, o que dá menos de 0,7%.
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007
Exportações e importações brasileiras registram recorde em janeiro
As exportações e importações brasileiras somaram US$ 19,433 bilhões em janeiro, alcançando recorde para meses de janeiro, segundo relatório mensal divulgado hoje (1º) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Tanto as vendas, que totalizaram US$ 10,963 bilhões, quantos as compras, de US$ 8,470 bilhões foram recorde no mês.
“O País está cada vez se abrindo mais para o exterior, exportando mais, conseguindo mais mercados e também importado mais, expondo sua indústria a uma concorrência saudável com os produtos importados”, afirmou o secretário de Comércio Exterior, Armando Meziat.
Nas exportações houve expansão de 18,3%, na comparação com janeiro do ano passado. A maior alta foi para o grupo Semimanufaturados, com crescimento de 36,3% em relação a janeiro de 2006. Nesse grupo, cresceram principalmente as vendas de açúcar em bruto, com alta de 135,9%; couros e peles, que cresceram 57,1% e ferro-ligas, com alta de 49%.
Entre os Manufaturados, cujas vendas registraram 15,2% de crescimento, expandiu-se especialmente o álcool etílico, em 177,2%.
Outro recorde é o número referente às exportações no período acumulado entre fevereiro de 2006 e janeiro de 2007, que alcançou US$ 139,162 bilhões.
A categoria de produtos básicos cresceu 16,5%, com destaque para o milho em grão, que vendeu 518,2%.
As importações aumentaram 31,3% na comparação com janeiro de 2006. Cresceram, principalmente, as compras de combustíveis e lubrificantes, em 45,4%; bens de consumo, em 35,3%; bens de capital, em 31,4% e matérias primas e intermediários, em 26,2%.
“O País está cada vez se abrindo mais para o exterior, exportando mais, conseguindo mais mercados e também importado mais, expondo sua indústria a uma concorrência saudável com os produtos importados”, afirmou o secretário de Comércio Exterior, Armando Meziat.
Nas exportações houve expansão de 18,3%, na comparação com janeiro do ano passado. A maior alta foi para o grupo Semimanufaturados, com crescimento de 36,3% em relação a janeiro de 2006. Nesse grupo, cresceram principalmente as vendas de açúcar em bruto, com alta de 135,9%; couros e peles, que cresceram 57,1% e ferro-ligas, com alta de 49%.
Entre os Manufaturados, cujas vendas registraram 15,2% de crescimento, expandiu-se especialmente o álcool etílico, em 177,2%.
Outro recorde é o número referente às exportações no período acumulado entre fevereiro de 2006 e janeiro de 2007, que alcançou US$ 139,162 bilhões.
A categoria de produtos básicos cresceu 16,5%, com destaque para o milho em grão, que vendeu 518,2%.
As importações aumentaram 31,3% na comparação com janeiro de 2006. Cresceram, principalmente, as compras de combustíveis e lubrificantes, em 45,4%; bens de consumo, em 35,3%; bens de capital, em 31,4% e matérias primas e intermediários, em 26,2%.
Chegou a hora de o Brasil crescer, diz Mantega
LONDRES - O atual momento é oportuno para que o Brasil consiga um crescimento econômico maior, na avaliação do ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Em entrevista exclusiva à BBC Brasil, em Londres, ele disse que o momento favorável o faz acreditar que o crescimento acelerado virá, ao contrário do que ocorreu após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter prometido um "espetáculo do crescimento" durante seu primeiro mandato.
Mantega esteve nesta semana na Grã-Bretanha para divulgar o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) entre investidores e também para encontros com autoridades. Ele falou à BBC Brasil antes de retornar ao Brasil, na quinta-feira.
Durante a entrevista, Mantega afirmou que seu objetivo é reduzir a carga tributária a níveis semelhantes a de outros países emergentes, disse acreditar que a taxa básica de juros chegue a um dígito em breve e argumentou a favor da participação do Estado na economia como propulsor do crescimento por meio de investimentos públicos.
Leia abaixo a entrevista concedida por Mantega:
BBC Brasil - Um relatório do Ministério da Fazenda indica que as expectativas não se alteraram após o lançamento do PAC e que o mercado continua apostando num crescimento de 3,5% para este ano. O governo não conseguiu ainda convencer os investidores sobre a viabilidade do plano?
Guido Mantega - As pesquisas que fazem previsão do crescimento em geral se referem ao período anterior. Olham com o retrovisor, não as possibilidades para a frente.
É comum que essas pesquisas depois se movam lentamente quando tivermos resultados positivos no crescimento.
À medida em que houver um aumento dos investimentos do setor público e do setor privado, acredito que essas previsões vão se mover para a frente até chegar a um valor satisfatório.
BBC - No 1º mandato, o presidente Lula prometeu um “espetáculo do crescimento”, que não se cumpriu. Por que acreditar que desta vez será diferente?
Mantega - A situação que o país vivia no início do primeiro mandato é totalmente diferente da que encontramos hoje. Nós tínhamos uma vulnerabilidade externa muito grande, a inflação era mais de 10% e as contas públicas estavam desequilibradas.
A dívida publica era de mais de 56%, hoje está a menos de 50%, a inflação a menos de 4% e as contas públicas equilibradas.
As condições de hoje são muito mais favoráveis para que haja um crescimento nos próximos anos no Brasil.
BBC - Em economia, expectativas são importantes e podem ter influência no resultado. Se o mercado não acredita num crescimento mais forte, isso não pode prejudicar o resultado?
Mantega - Se o crescimento do ano passado foi menos de 3% e as previsões são de 3,5%, já há uma crença de que vai haver uma aceleração do crescimento.
Precisamos apenas nos colocar de acordo sobre qual será essa aceleração, maior ou menor.
Se pegarmos a pesquisa de expectativas da Fundação Getúlio Vargas, que saiu nesta semana, vemos que há uma expectativa positiva dos empresários para 2007.
Eles estarão aumentando os níveis de investimento não só por uma questão de expectativa, mas porque o mercado interno brasileiro está crescendo, a demanda interna está crescendo, a massa salarial está em crescimento, e tudo isso cria as condições para que eles tenham mais lucros nos próximos meses.
BBC - Uma das principais críticas ao governo e também ao PAC é que a carga tributária não está sendo reduzida significativamente. Um estudo divulgado recentemente pela consultoria KPMG relaciona a redução da carga com o crescimento econômico, citando o exemplo da Irlanda, que reduziu a carga de 40% para 12,5% do PIB desde 1993 e teve um crescimento acelerado, ultrapassando a média da União Européia. O senhor concorda com essa análise? Como o Brasil pode reduzir mais fortemente a carga tributária?
Mantega - . O que aconteceu nos últimos anos é que houve uma formalização da economia, ou seja, empresas que não pagavam tributos passaram a pagar.
Houve uma fiscalização maior da Receita Federal e também uma aceleração do nível de atividades.
Muitas empresas tiveram lucros elevados nos últimos anos e pagaram imposto de renda sobre esse lucro.
Então, nós reduzimos vários tributos. A renúncia fiscal devido a essa redução, nos primeiros quatro anos de governo, foi de R$ 23 bilhões, algo como US$ 10 bilhões.
Com a desoneração prevista no PAC, vamos passar a quase R$ 30 bilhões de renúncia fiscal em 2007. Em 2008 vai passar para algo como R$ 36 bilhões.
Estamos sim reduzindo alíquotas e a carga de impostos, mas a arrecadação tem crescido por causa da eficiência maior do sistema de arrecadação, da formalização da economia brasileira. Então, não podemos confundir uma coisa com a outra.
Nosso objetivo é reduzir tributos. Talvez não possamos chegar ao nível da Irlanda, porque é uma redução muito forte o que foi feito lá, mas nosso objetivo é fazer com que a carga tributária brasileira seja semelhante a países emergentes que estão em nível parecido ao do Brasil.
BBC - Muita gente viu na decisão do Copom na semana passada uma ducha de água fria nas expectativas de crescimento, logo após o lançamento do PAC. O senhor também ficou decepcionado com a decisão do Copom? Uma queda menos acentuada seria uma ameaça ao sucesso do PAC?
Mantega - O Copom vem reduzindo a taxa Selic há mais de um ano consecutivo.
Uma redução de 0,25 ponto não é um valor desprezível. Quando o Fed aumenta 0,25, o mundo todo treme, quando abaixa todos ficamos felizes.
Como a taxa está agora num patamar menor hoje, se passamos de 13,25% para 13% é quase equivalente a meio porcento sobre 19% ou 20%.
Estamos no caminho certo. A taxa deve continuar sendo reduzida, porque as condições são favoráveis. A inflação está sob controle, vai ser fácil alcançar a meta de 4,5% de inflação para 2007.
BBC - Mas o Brasil continua com uma das maiores taxas de juros em todo o mundo em termos reais…
Mantega - De fato, o Brasil tem uma longa tradição de taxas de juros mais elevadas, e nós estamos corrigindo isso.
Já evoluímos muito, já tivemos taxas de 50%, até 60%, e hoje estamos caminhando de taxas de dois dígitos para um dígito.
Quando caminharmos para uma taxa nominal de um dígito, acredito que estaremos com taxas normais que são praticadas no mercado internacional.
Eu queria destacar que a taxa de juros para o investimento é muito menor do que esta taxa da qual estamos falando.
Qualquer empresário pode ir ao BNDES e conseguir empréstimos a uma taxa básica de 6,5%, mais um spread dependendo do tipo de investimento, que varia de 0,5% a 2,5%. Portanto, já temos taxas de um dígito para investimento no Brasil.
BBC - Em entrevista à BBC em 2002, o senhor defendeu a autonomia total para o Banco Central, com um mandato fixo para o presidente, no modelo americano. O senhor continua defendendo essa posição? Há uma possibilidade de mudança de modelo no futuro?
Mantega - Acho que o comportamento do Banco Central nestes últimos quatro anos demonstrou total independência. Não houve nenhuma interferência política nas suas decisões.
Até em alguns momentos as autoridades do Executivo achavam que as taxas estavam mais elevadas do que deveriam ser, mas o BC teve autonomia para determinar as taxas.
O BC goza hoje de uma autonomia que nunca teve na história do país e que é suficiente para garantir que não haja interferência política na determinação da taxa de juros no país.
É bom lembrar que quem determina a meta de inflação a ser atingida é o Conselho Monetário Nacional, presidido pelo ministro da Fazenda.
Então, o BC tem autonomia de instrumentos, mas não de objetivos. O objetivo a ser alcançado é determinado pelo CMN, que fixa a meta a ser atingida.
O BC tem autonomia para usar as taxas de juros que achar convenientes para atingir esse centro da meta. E funciona bem desta maneira.
BBC - Durante esta visita à Grã-Bretanha, o senhor argumentou que o PAC significa uma mudança de paradigma, um afastamento do Consenso de Washington, com o Estado assumindo um papel maior como impulsor do desenvolvimento. Qual o limite para a participação do Estado na economia?
Mantega - Hoje em dia o Consenso de Washington está completamente ultrapassado. Talvez tenha servido para uma determinada época em que havia muito desequilíbrio fiscal em vários países, e se adotou política extremamente neoliberal, onde o Estado tinha que se afastar de todas as atividades.
Talvez naquela época até tivesse algum sentido, mas agora que a maioria dos países conseguiu atingir um equilíbrio fiscal, não vejo sentido em dizer que o Estado não deve ter participação nenhuma nas atividades econômicas.
O que estamos fazendo com o PAC é valorizar os investimentos como mola mestra do crescimento econômico. Hoje é mais importante crescimento e investimento, pelas condições nas quais nos encontramos. Como temos as contas públicas muito mais equilibradas, podemos ousar no sentido de aumentar os investimentos.
Só com aumento de investimentos é que teremos um crescimento equilibrado.
Poderíamos crescer só com aumento de consumo, estimulando crédito, flexibilizando a política monetária, mas não seria crescimento equilibrado.
Com crescimento estimulado pelo aumento de investimento, aumenta oferta atrás da demanda, então não há perigo de aumento da inflação.
BBC - O Mercosul como ele está hoje, em crise permanente, é uma opção viável para o Brasil?
Mantega - Não acredito que o Mercosul viva uma crise, muito pelo contrário. O Mercosul vive um momento muito favorável, que pode ser avaliado pelo aumento do comércio que se verifica entre os vários países do Mercosul.
As economias da região nunca cresceram tanto como agora. O maior parceiro do Brasil hoje é a região sul-americana, que ultrapassou o comércio com os Estados Unidos e com a União Européia, mesmo com um aumento também nessas regiões.
Isso não significa que não haja problemas, descontentamentos, mas se lembrarmos como foi a constituição da União Européia, você verá que não há uma união desta natureza sem alguns problemas. Mas há incontestavelmente um avanço nas relações dentro do Mercosul.
Há uma vontade política, também desses países que estão entrando, Bolívia e Venezuela, para que o Mercosul seja mais do que uma união aduaneira, que seja um bloco político muito bem sucedido.
BBC - A Alca está enterrada definitivamente?
Mantega - Os próprios Estados Unidos não falam mais em Alca, não se dá tanto valor a Alca. Mais importante do que isso é avançar na Rodada de Doha, no mais simples, que é uma liberalização comercial. Por que pleitearmos algo muito maior, se ainda temos tarefas mais simples e elementares para realizar? Isso é o óbvio, que os países emergentes possam exportar suas commodities para os países industrializados de maneira livre, livre de barreiras e protecionismo. Se conseguirmos avançar na Rodada de Doha, abrimos a porta para a liberalização no campo de serviços, de compras governamentais, e dessa maneira poderemos até pensar numa estrutura de integração mundial muito mais avançada do que temos hoje.
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Em entrevista exclusiva à BBC Brasil, em Londres, ele disse que o momento favorável o faz acreditar que o crescimento acelerado virá, ao contrário do que ocorreu após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter prometido um "espetáculo do crescimento" durante seu primeiro mandato.
Mantega esteve nesta semana na Grã-Bretanha para divulgar o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) entre investidores e também para encontros com autoridades. Ele falou à BBC Brasil antes de retornar ao Brasil, na quinta-feira.
Durante a entrevista, Mantega afirmou que seu objetivo é reduzir a carga tributária a níveis semelhantes a de outros países emergentes, disse acreditar que a taxa básica de juros chegue a um dígito em breve e argumentou a favor da participação do Estado na economia como propulsor do crescimento por meio de investimentos públicos.
Leia abaixo a entrevista concedida por Mantega:
BBC Brasil - Um relatório do Ministério da Fazenda indica que as expectativas não se alteraram após o lançamento do PAC e que o mercado continua apostando num crescimento de 3,5% para este ano. O governo não conseguiu ainda convencer os investidores sobre a viabilidade do plano?
Guido Mantega - As pesquisas que fazem previsão do crescimento em geral se referem ao período anterior. Olham com o retrovisor, não as possibilidades para a frente.
É comum que essas pesquisas depois se movam lentamente quando tivermos resultados positivos no crescimento.
À medida em que houver um aumento dos investimentos do setor público e do setor privado, acredito que essas previsões vão se mover para a frente até chegar a um valor satisfatório.
BBC - No 1º mandato, o presidente Lula prometeu um “espetáculo do crescimento”, que não se cumpriu. Por que acreditar que desta vez será diferente?
Mantega - A situação que o país vivia no início do primeiro mandato é totalmente diferente da que encontramos hoje. Nós tínhamos uma vulnerabilidade externa muito grande, a inflação era mais de 10% e as contas públicas estavam desequilibradas.
A dívida publica era de mais de 56%, hoje está a menos de 50%, a inflação a menos de 4% e as contas públicas equilibradas.
As condições de hoje são muito mais favoráveis para que haja um crescimento nos próximos anos no Brasil.
BBC - Em economia, expectativas são importantes e podem ter influência no resultado. Se o mercado não acredita num crescimento mais forte, isso não pode prejudicar o resultado?
Mantega - Se o crescimento do ano passado foi menos de 3% e as previsões são de 3,5%, já há uma crença de que vai haver uma aceleração do crescimento.
Precisamos apenas nos colocar de acordo sobre qual será essa aceleração, maior ou menor.
Se pegarmos a pesquisa de expectativas da Fundação Getúlio Vargas, que saiu nesta semana, vemos que há uma expectativa positiva dos empresários para 2007.
Eles estarão aumentando os níveis de investimento não só por uma questão de expectativa, mas porque o mercado interno brasileiro está crescendo, a demanda interna está crescendo, a massa salarial está em crescimento, e tudo isso cria as condições para que eles tenham mais lucros nos próximos meses.
BBC - Uma das principais críticas ao governo e também ao PAC é que a carga tributária não está sendo reduzida significativamente. Um estudo divulgado recentemente pela consultoria KPMG relaciona a redução da carga com o crescimento econômico, citando o exemplo da Irlanda, que reduziu a carga de 40% para 12,5% do PIB desde 1993 e teve um crescimento acelerado, ultrapassando a média da União Européia. O senhor concorda com essa análise? Como o Brasil pode reduzir mais fortemente a carga tributária?
Mantega - . O que aconteceu nos últimos anos é que houve uma formalização da economia, ou seja, empresas que não pagavam tributos passaram a pagar.
Houve uma fiscalização maior da Receita Federal e também uma aceleração do nível de atividades.
Muitas empresas tiveram lucros elevados nos últimos anos e pagaram imposto de renda sobre esse lucro.
Então, nós reduzimos vários tributos. A renúncia fiscal devido a essa redução, nos primeiros quatro anos de governo, foi de R$ 23 bilhões, algo como US$ 10 bilhões.
Com a desoneração prevista no PAC, vamos passar a quase R$ 30 bilhões de renúncia fiscal em 2007. Em 2008 vai passar para algo como R$ 36 bilhões.
Estamos sim reduzindo alíquotas e a carga de impostos, mas a arrecadação tem crescido por causa da eficiência maior do sistema de arrecadação, da formalização da economia brasileira. Então, não podemos confundir uma coisa com a outra.
Nosso objetivo é reduzir tributos. Talvez não possamos chegar ao nível da Irlanda, porque é uma redução muito forte o que foi feito lá, mas nosso objetivo é fazer com que a carga tributária brasileira seja semelhante a países emergentes que estão em nível parecido ao do Brasil.
BBC - Muita gente viu na decisão do Copom na semana passada uma ducha de água fria nas expectativas de crescimento, logo após o lançamento do PAC. O senhor também ficou decepcionado com a decisão do Copom? Uma queda menos acentuada seria uma ameaça ao sucesso do PAC?
Mantega - O Copom vem reduzindo a taxa Selic há mais de um ano consecutivo.
Uma redução de 0,25 ponto não é um valor desprezível. Quando o Fed aumenta 0,25, o mundo todo treme, quando abaixa todos ficamos felizes.
Como a taxa está agora num patamar menor hoje, se passamos de 13,25% para 13% é quase equivalente a meio porcento sobre 19% ou 20%.
Estamos no caminho certo. A taxa deve continuar sendo reduzida, porque as condições são favoráveis. A inflação está sob controle, vai ser fácil alcançar a meta de 4,5% de inflação para 2007.
BBC - Mas o Brasil continua com uma das maiores taxas de juros em todo o mundo em termos reais…
Mantega - De fato, o Brasil tem uma longa tradição de taxas de juros mais elevadas, e nós estamos corrigindo isso.
Já evoluímos muito, já tivemos taxas de 50%, até 60%, e hoje estamos caminhando de taxas de dois dígitos para um dígito.
Quando caminharmos para uma taxa nominal de um dígito, acredito que estaremos com taxas normais que são praticadas no mercado internacional.
Eu queria destacar que a taxa de juros para o investimento é muito menor do que esta taxa da qual estamos falando.
Qualquer empresário pode ir ao BNDES e conseguir empréstimos a uma taxa básica de 6,5%, mais um spread dependendo do tipo de investimento, que varia de 0,5% a 2,5%. Portanto, já temos taxas de um dígito para investimento no Brasil.
BBC - Em entrevista à BBC em 2002, o senhor defendeu a autonomia total para o Banco Central, com um mandato fixo para o presidente, no modelo americano. O senhor continua defendendo essa posição? Há uma possibilidade de mudança de modelo no futuro?
Mantega - Acho que o comportamento do Banco Central nestes últimos quatro anos demonstrou total independência. Não houve nenhuma interferência política nas suas decisões.
Até em alguns momentos as autoridades do Executivo achavam que as taxas estavam mais elevadas do que deveriam ser, mas o BC teve autonomia para determinar as taxas.
O BC goza hoje de uma autonomia que nunca teve na história do país e que é suficiente para garantir que não haja interferência política na determinação da taxa de juros no país.
É bom lembrar que quem determina a meta de inflação a ser atingida é o Conselho Monetário Nacional, presidido pelo ministro da Fazenda.
Então, o BC tem autonomia de instrumentos, mas não de objetivos. O objetivo a ser alcançado é determinado pelo CMN, que fixa a meta a ser atingida.
O BC tem autonomia para usar as taxas de juros que achar convenientes para atingir esse centro da meta. E funciona bem desta maneira.
BBC - Durante esta visita à Grã-Bretanha, o senhor argumentou que o PAC significa uma mudança de paradigma, um afastamento do Consenso de Washington, com o Estado assumindo um papel maior como impulsor do desenvolvimento. Qual o limite para a participação do Estado na economia?
Mantega - Hoje em dia o Consenso de Washington está completamente ultrapassado. Talvez tenha servido para uma determinada época em que havia muito desequilíbrio fiscal em vários países, e se adotou política extremamente neoliberal, onde o Estado tinha que se afastar de todas as atividades.
Talvez naquela época até tivesse algum sentido, mas agora que a maioria dos países conseguiu atingir um equilíbrio fiscal, não vejo sentido em dizer que o Estado não deve ter participação nenhuma nas atividades econômicas.
O que estamos fazendo com o PAC é valorizar os investimentos como mola mestra do crescimento econômico. Hoje é mais importante crescimento e investimento, pelas condições nas quais nos encontramos. Como temos as contas públicas muito mais equilibradas, podemos ousar no sentido de aumentar os investimentos.
Só com aumento de investimentos é que teremos um crescimento equilibrado.
Poderíamos crescer só com aumento de consumo, estimulando crédito, flexibilizando a política monetária, mas não seria crescimento equilibrado.
Com crescimento estimulado pelo aumento de investimento, aumenta oferta atrás da demanda, então não há perigo de aumento da inflação.
BBC - O Mercosul como ele está hoje, em crise permanente, é uma opção viável para o Brasil?
Mantega - Não acredito que o Mercosul viva uma crise, muito pelo contrário. O Mercosul vive um momento muito favorável, que pode ser avaliado pelo aumento do comércio que se verifica entre os vários países do Mercosul.
As economias da região nunca cresceram tanto como agora. O maior parceiro do Brasil hoje é a região sul-americana, que ultrapassou o comércio com os Estados Unidos e com a União Européia, mesmo com um aumento também nessas regiões.
Isso não significa que não haja problemas, descontentamentos, mas se lembrarmos como foi a constituição da União Européia, você verá que não há uma união desta natureza sem alguns problemas. Mas há incontestavelmente um avanço nas relações dentro do Mercosul.
Há uma vontade política, também desses países que estão entrando, Bolívia e Venezuela, para que o Mercosul seja mais do que uma união aduaneira, que seja um bloco político muito bem sucedido.
BBC - A Alca está enterrada definitivamente?
Mantega - Os próprios Estados Unidos não falam mais em Alca, não se dá tanto valor a Alca. Mais importante do que isso é avançar na Rodada de Doha, no mais simples, que é uma liberalização comercial. Por que pleitearmos algo muito maior, se ainda temos tarefas mais simples e elementares para realizar? Isso é o óbvio, que os países emergentes possam exportar suas commodities para os países industrializados de maneira livre, livre de barreiras e protecionismo. Se conseguirmos avançar na Rodada de Doha, abrimos a porta para a liberalização no campo de serviços, de compras governamentais, e dessa maneira poderemos até pensar numa estrutura de integração mundial muito mais avançada do que temos hoje.
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Risco Brasil atinge mínima histórica de 182 pontos
O risco Brasil, medido pelo banco de investimentos JP Morgan, virou o dia dessa quinta-feira (1) na mínima histórica, em queda de 8 pontos-base a 182 pontos. O risco dos países emergentes recuou 6 pontos-base, a 166 pontos.
O risco Brasil é o grau de desconfiança dos mercados financeiros em relação à capacidade de o país pagar sua dívida e é calculado com base no rendimento dos títulos da dívida externa no mercado secundário. Na prática, a medida em pontos representa quanto o país paga a mais em relação à rentabilidade garantida pelos bônus do Tesouro dos Estados Unidos.
O risco Argentina subiu 1 ponto-base ontem, para 184 pontos. Já no caso do risco Brasil, a menor pontuação atingida anteriormente havia sido na semana passada, na terça-feira, quando estava em 185 pontos-base.
Segundo agentes de mercado, o bom momento dos títulos da dívida externa de países emergentes, como o Brasil, ainda é reflexo do mercado norte-americano. Ou seja, uma continuidade da decisão do banco central americano (Fed) de quarta-feira, que manteve o juro estável em 5,25% ao ano nos EUA e emitiu um comunicado de política monetária que soou positivo sobre o crescimento econômico e a inflação nos EUA.
O risco Brasil é o grau de desconfiança dos mercados financeiros em relação à capacidade de o país pagar sua dívida e é calculado com base no rendimento dos títulos da dívida externa no mercado secundário. Na prática, a medida em pontos representa quanto o país paga a mais em relação à rentabilidade garantida pelos bônus do Tesouro dos Estados Unidos.
O risco Argentina subiu 1 ponto-base ontem, para 184 pontos. Já no caso do risco Brasil, a menor pontuação atingida anteriormente havia sido na semana passada, na terça-feira, quando estava em 185 pontos-base.
Segundo agentes de mercado, o bom momento dos títulos da dívida externa de países emergentes, como o Brasil, ainda é reflexo do mercado norte-americano. Ou seja, uma continuidade da decisão do banco central americano (Fed) de quarta-feira, que manteve o juro estável em 5,25% ao ano nos EUA e emitiu um comunicado de política monetária que soou positivo sobre o crescimento econômico e a inflação nos EUA.
Economia: estudo da fiergs aponta risco de novo apagão em 2009
Existe aumento do risco de falta de energia em níveis muito maiores dos que os 5% normalmente aceitos pelo setor em 2009, se o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acontecer dentro do previsto pelo Governo Federal. Esta é a principal conclusão do estudo Cenário Elétrico 2006-2015, elaborado pelo Grupo Temático de Energia (GTE) do Conselho de Infra-estrutura da FIERGS (Coinfra).
O trabalho, apresentado pelo integrante do GTE, Robson Rebello, na reunião das diretorias da FIERGS/CIERGS, na terça-feira (dia 30), destaca que a situação é similar a verificada em 2001, com reflexos negativos sobre o crescimento do País, a oferta de emprego, a competitividade, os investimentos e o lucro das empresas. Outra conclusão: se o PIB brasileiro crescer menos que 3,5% este risco fica extremamente reduzido.
O coordenador do GTE, Carlos Faria, explica que as obras para o setor incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) já estão em andamento, mas é necessário o monitoramento dos empreendimentos. É preciso que haja continuidade das obras e que não ocorra atraso, destaca. Conforme Faria, as chuvas que ocorreram em dezembro e janeiro deixaram a situação um pouco mais confortável em relação aos próximos dois anos. Mas se as obras não andarem no tempo certo, teremos problemas, conclui.
O estudo recomenda a criação de um grupo gerenciador visando definir os projetos chaves para o aumento da oferta de energia; assegurar o cumprimento dos cronogramas dos projetos definidos, como conversão das térmicas em bi-combustível; concluir os projetos do Proinfra; aumentar a oferta de gás, incluindo GNL até o início de 2009 e respectivos gasodutos; propor plano de contingenciamento em caso de não-atingimento dos projetos; e realizar a divulgação periódica da evolução do plano.
Além disso, o trabalho afirma que deve ser feita ampla divulgação de incentivos para a conservação de energia e que todos os recursos setoriais sejam revertidos em obras de melhoria da infra-estrutura do setor elétrico, evitando o contingenciamento para superávit fiscal.
Rebello salientou que, no caso específico do Rio Grande do Sul, se deve implementar o Plano de Eficiência Energética do RS (PEE-RS) em duas vertentes: setores público e privado, além estabelecer um programa de implantação de sistemas eletro-energéticos virtuais, por meio do levantamento de potenciais econômicos, ambientais e sociais de promoção de eficiência energética nos diferentes setores econômicos do Estado.
Recomendou ainda a implantação de um programa de acompanhamento de ações para minimizar os custos globais da universalização dos serviços de energia elétrica, tendo como princípio básico a energização no lugar da eletrificação. O integrante do GTE falou ainda que se deve atuar como agente facilitador na implantação dos projetos existentes e futuros de geração e incentivando as potencialidades energéticas do Estado. As informações são da Unidade de Comunicação do Sistema Fiergs.
O trabalho, apresentado pelo integrante do GTE, Robson Rebello, na reunião das diretorias da FIERGS/CIERGS, na terça-feira (dia 30), destaca que a situação é similar a verificada em 2001, com reflexos negativos sobre o crescimento do País, a oferta de emprego, a competitividade, os investimentos e o lucro das empresas. Outra conclusão: se o PIB brasileiro crescer menos que 3,5% este risco fica extremamente reduzido.
O coordenador do GTE, Carlos Faria, explica que as obras para o setor incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) já estão em andamento, mas é necessário o monitoramento dos empreendimentos. É preciso que haja continuidade das obras e que não ocorra atraso, destaca. Conforme Faria, as chuvas que ocorreram em dezembro e janeiro deixaram a situação um pouco mais confortável em relação aos próximos dois anos. Mas se as obras não andarem no tempo certo, teremos problemas, conclui.
O estudo recomenda a criação de um grupo gerenciador visando definir os projetos chaves para o aumento da oferta de energia; assegurar o cumprimento dos cronogramas dos projetos definidos, como conversão das térmicas em bi-combustível; concluir os projetos do Proinfra; aumentar a oferta de gás, incluindo GNL até o início de 2009 e respectivos gasodutos; propor plano de contingenciamento em caso de não-atingimento dos projetos; e realizar a divulgação periódica da evolução do plano.
Além disso, o trabalho afirma que deve ser feita ampla divulgação de incentivos para a conservação de energia e que todos os recursos setoriais sejam revertidos em obras de melhoria da infra-estrutura do setor elétrico, evitando o contingenciamento para superávit fiscal.
Rebello salientou que, no caso específico do Rio Grande do Sul, se deve implementar o Plano de Eficiência Energética do RS (PEE-RS) em duas vertentes: setores público e privado, além estabelecer um programa de implantação de sistemas eletro-energéticos virtuais, por meio do levantamento de potenciais econômicos, ambientais e sociais de promoção de eficiência energética nos diferentes setores econômicos do Estado.
Recomendou ainda a implantação de um programa de acompanhamento de ações para minimizar os custos globais da universalização dos serviços de energia elétrica, tendo como princípio básico a energização no lugar da eletrificação. O integrante do GTE falou ainda que se deve atuar como agente facilitador na implantação dos projetos existentes e futuros de geração e incentivando as potencialidades energéticas do Estado. As informações são da Unidade de Comunicação do Sistema Fiergs.
Copom atribui corte menor de juro à aceleração da economia
O atual cenário da economia brasileira e as incertezas quanto os efeitos da política monetária sobre ela fizeram com que o Banco Central reduzisse o ritmo de corte da taxa básica de juros, a Selic.
'A maioria dos membros do Copom ressaltou que as informações sobre o cenário macroeconômico disponíveis nesse momento justificam uma redução de ritmo de flexibilização', diz a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada hoje.
Na semana passada, a Selic caiu de 13,25% ao ano para 13%. Nas cinco reuniões anteriores, o corte foi de 0,5 ponto percentual. A decisão não foi unânime. Dos membros do Copom, cinco votaram por uma redução de 0,25 ponto percentual e três pela queda de 0,5 ponto.
De acordo com o documento, o comitê decidiu agir com 'parcimônia' com o objetivo de preservar as conquistas alcanças por meio do controle da inflação, como o crescimento econômico, a geração de empregos e o aumento da renda real. Além disso, alerta para pressões isoladas sobre os preços em um momento de aquecimento da economia.
'Um conjunto de pressões de preços, a princípio isoladas e transitórias, atinge a economia em um momento em que a demanda doméstica se expande a taxas robustas. Nesse ambiente, cabe a política monetária manter-se especialmente vigilante para evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curto se propague para horizontes mais longos', diz a ata.
Os dados divulgados até o momento pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) não mostram uma forte recuperação da economia.
O PIB (Produto Interno Bruto) deve ter crescido cerca de 2,8% no ano passado, segundo estimativas de mercado. Se confirmada, essa seria a segunda menor taxa da América Latina --maior apenas que a do Haiti.
As pressões de preços observadas derivam do aumento do preço de alimentos e itens administrados, como as tarifas de transportes públicos. Esses aumentos já se refletiram na inflação, mas o Copom não descarta que os indicadores que serão divulgados nas próximas semanas ainda captem esses reajustes, mas sem uma 'contaminação para horizontes mais longos'.
Antes da reunião, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15) apresentou alta de 0,52% em janeiro, contra 0,35% no mês anterior. O principal motivo dessa aceleração foi o reajuste das tarifas de transporte público.
Na terça-feira, a FGV (Fundação Getúlio Vargas) informou que o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) de janeiro foi de 0,50%, contra 0,32% de dezembro.
Exacerbação
O Copom avisa na ata que em caso de exacerbação de risco irá adequar a política monetária às novas circunstâncias.
Na avaliação do comitê, as reduções dos juros feitas desde setembro de 2005 ainda não se refletiram na economia e por isso a redução no ritmo é justificada, uma vez que esses efeitos também terão efeito sobre a economia em 2008.
'Essa ponderação se torna ainda mais relevante quando se leva em conta os sinais de demanda aquecida, as pressões sobre a inflação no curto prazo e que as decisões de política monetária passarão a ter impactos concentrados no segundo semestre de 2007 e, progressivamente, em 2008.'
'A maioria dos membros do Copom ressaltou que as informações sobre o cenário macroeconômico disponíveis nesse momento justificam uma redução de ritmo de flexibilização', diz a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada hoje.
Na semana passada, a Selic caiu de 13,25% ao ano para 13%. Nas cinco reuniões anteriores, o corte foi de 0,5 ponto percentual. A decisão não foi unânime. Dos membros do Copom, cinco votaram por uma redução de 0,25 ponto percentual e três pela queda de 0,5 ponto.
De acordo com o documento, o comitê decidiu agir com 'parcimônia' com o objetivo de preservar as conquistas alcanças por meio do controle da inflação, como o crescimento econômico, a geração de empregos e o aumento da renda real. Além disso, alerta para pressões isoladas sobre os preços em um momento de aquecimento da economia.
'Um conjunto de pressões de preços, a princípio isoladas e transitórias, atinge a economia em um momento em que a demanda doméstica se expande a taxas robustas. Nesse ambiente, cabe a política monetária manter-se especialmente vigilante para evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curto se propague para horizontes mais longos', diz a ata.
Os dados divulgados até o momento pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) não mostram uma forte recuperação da economia.
O PIB (Produto Interno Bruto) deve ter crescido cerca de 2,8% no ano passado, segundo estimativas de mercado. Se confirmada, essa seria a segunda menor taxa da América Latina --maior apenas que a do Haiti.
As pressões de preços observadas derivam do aumento do preço de alimentos e itens administrados, como as tarifas de transportes públicos. Esses aumentos já se refletiram na inflação, mas o Copom não descarta que os indicadores que serão divulgados nas próximas semanas ainda captem esses reajustes, mas sem uma 'contaminação para horizontes mais longos'.
Antes da reunião, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15) apresentou alta de 0,52% em janeiro, contra 0,35% no mês anterior. O principal motivo dessa aceleração foi o reajuste das tarifas de transporte público.
Na terça-feira, a FGV (Fundação Getúlio Vargas) informou que o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) de janeiro foi de 0,50%, contra 0,32% de dezembro.
Exacerbação
O Copom avisa na ata que em caso de exacerbação de risco irá adequar a política monetária às novas circunstâncias.
Na avaliação do comitê, as reduções dos juros feitas desde setembro de 2005 ainda não se refletiram na economia e por isso a redução no ritmo é justificada, uma vez que esses efeitos também terão efeito sobre a economia em 2008.
'Essa ponderação se torna ainda mais relevante quando se leva em conta os sinais de demanda aquecida, as pressões sobre a inflação no curto prazo e que as decisões de política monetária passarão a ter impactos concentrados no segundo semestre de 2007 e, progressivamente, em 2008.'
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
Desempenho fiscal é chave para melhora de nota do Brasil--S&P
A recente decisão da agência de classificação de risco Standard & Poor's de elevar o rating de crédito soberano da Índia para "grau de investimento" deixou alguns investidores tentando adivinhar por que o Brasil, que tem um peso da dívida bem menor do que o do país asiático, ainda está distante desse status.
Mas o governo brasileiro ainda tem lição de casa para fazer, especialmente na área fiscal, antes de receber o grau de investimento, disse a analista da S&P Lisa Schineller na quarta-feira.
Integrante do chamado Bric --que inclui, além de Brasil e Índia, Rússia e China-- o país é o único do grupo que ainda não recebeu o grau de investimento, classificação que faz com que o país seja mais atrativo ao capital internacional.
Atualmente, a agência classifica o Brasil como "BB", duas notas abaixo do grau de investimento, com perspectiva positiva.
Para avançar para o próximo nível, o "BBB", o Brasil precisa melhorar sua "execução fiscal" e sua dinâmica de dívida, disse Schineller a investidores em um painel organizado pela Câmara Brasileira-Americana de Comércio.
"O momento (de uma elevação na nota) depende do governo brasileiro", disse ela, enfatizando que, no geral, a Standard & Poor's vê o país movendo-se "lentamente na direção certa".
A dívida líquida do setor público brasileiro fechou 2006 a 50 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a dívida da Índia corresponde a 80 por cento de seu PIB.
"Esse é o ponto fraco da Índia, mas a Índia colocou em vigor uma lei de responsabilidade fiscal, acordos de negociação das dívidas dos Estados, que nos dão uma visão de que a defesa de um melhor desempenho fiscal é amplamente esperada pela classe política", disse a analista.
Ela acrescentou que as "consistentes altas taxas de crescimento de 7 a 8 por cento (da Índia) ajudam a dar suporte a uma maior carga da dívida", que também tem melhor composição do que a brasileira.
O Brasil tem crescido num patamar inferior ao da maioria dos mercados emergentes. Segundo expectativas do mercado, a economia do país cresceu menos de 3 por cento no ano passado.
GASTOS DO GOVERNO
Schineller mostrou-se mais tolerante em relação ao nível elevado de gastos do governo brasileiro, se comparada a muitos economistas, que têm demonstrado frustração com a relutância do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reduzir despesas.
Recentemente Lula anunciou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que prevê investimentos necessários em infra-estrutura e que resultarão, na prática, em um menor superávit primário, de 3,75 por cento do PIB contra a meta atual de 4,25 por cento. O plano, no entanto, não prevê redução nos gastos.
"Qualquer economista ia preferir ver os gastos com investimentos, que são incrivelmente necessários e importantes, serem financiados por reduções nos gastos porque o peso da dívida já é alto", disse a analista.
"Mas você tem que equilibrar viabilidade política em termos de execuções de políticas", argumentou ela, acrescentando que "uma pequena redução no resultado primário não compromete a dinâmica da dívida de maneira significativa".
Além disso, a S&P não espera que o superávit primário brasileiro caía 0,5 ponto percentual imediatamente, pois acredita que o governo não terá capacidade de executar todos os planos de investimento previstos, e porque o Ministério da Fazenda "tem uma tendência de superar a meta (de superávit primário) em alguma margem".
"Por isso, no momento, vemos o (superávit) primário em algum lugar entre 4 e 4,25 por cento (do PIB), não em 3,75 por cento", disse Schineller.
Mas o governo brasileiro ainda tem lição de casa para fazer, especialmente na área fiscal, antes de receber o grau de investimento, disse a analista da S&P Lisa Schineller na quarta-feira.
Integrante do chamado Bric --que inclui, além de Brasil e Índia, Rússia e China-- o país é o único do grupo que ainda não recebeu o grau de investimento, classificação que faz com que o país seja mais atrativo ao capital internacional.
Atualmente, a agência classifica o Brasil como "BB", duas notas abaixo do grau de investimento, com perspectiva positiva.
Para avançar para o próximo nível, o "BBB", o Brasil precisa melhorar sua "execução fiscal" e sua dinâmica de dívida, disse Schineller a investidores em um painel organizado pela Câmara Brasileira-Americana de Comércio.
"O momento (de uma elevação na nota) depende do governo brasileiro", disse ela, enfatizando que, no geral, a Standard & Poor's vê o país movendo-se "lentamente na direção certa".
A dívida líquida do setor público brasileiro fechou 2006 a 50 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a dívida da Índia corresponde a 80 por cento de seu PIB.
"Esse é o ponto fraco da Índia, mas a Índia colocou em vigor uma lei de responsabilidade fiscal, acordos de negociação das dívidas dos Estados, que nos dão uma visão de que a defesa de um melhor desempenho fiscal é amplamente esperada pela classe política", disse a analista.
Ela acrescentou que as "consistentes altas taxas de crescimento de 7 a 8 por cento (da Índia) ajudam a dar suporte a uma maior carga da dívida", que também tem melhor composição do que a brasileira.
O Brasil tem crescido num patamar inferior ao da maioria dos mercados emergentes. Segundo expectativas do mercado, a economia do país cresceu menos de 3 por cento no ano passado.
GASTOS DO GOVERNO
Schineller mostrou-se mais tolerante em relação ao nível elevado de gastos do governo brasileiro, se comparada a muitos economistas, que têm demonstrado frustração com a relutância do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reduzir despesas.
Recentemente Lula anunciou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que prevê investimentos necessários em infra-estrutura e que resultarão, na prática, em um menor superávit primário, de 3,75 por cento do PIB contra a meta atual de 4,25 por cento. O plano, no entanto, não prevê redução nos gastos.
"Qualquer economista ia preferir ver os gastos com investimentos, que são incrivelmente necessários e importantes, serem financiados por reduções nos gastos porque o peso da dívida já é alto", disse a analista.
"Mas você tem que equilibrar viabilidade política em termos de execuções de políticas", argumentou ela, acrescentando que "uma pequena redução no resultado primário não compromete a dinâmica da dívida de maneira significativa".
Além disso, a S&P não espera que o superávit primário brasileiro caía 0,5 ponto percentual imediatamente, pois acredita que o governo não terá capacidade de executar todos os planos de investimento previstos, e porque o Ministério da Fazenda "tem uma tendência de superar a meta (de superávit primário) em alguma margem".
"Por isso, no momento, vemos o (superávit) primário em algum lugar entre 4 e 4,25 por cento (do PIB), não em 3,75 por cento", disse Schineller.
terça-feira, 30 de janeiro de 2007
Mantega descarta aplicar modelo fiscal britânico
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta segunda-feira, após se encontrar com o ministro das Finanças britânico, Gordon Brown, que o governo brasileiro não pretende implementar o mesmo modelo de gerenciamento fiscal adotado pelo Reino Unido. O assunto foi tema de especulações na imprensa nas últimas semanas. "O princípio fiscal é o mesmo", disse o ministro, ao explicar que o que muda, de um país o outro, é a forma de aplicação e contabilização.
Ele explicou que, no Reino Unido, através da "regra de ouro" implementada pelo governo trabalhista desde 1997, o Estado pode tomar dinheiro emprestado para investimento em infra-estrutura, mas não para gastos correntes. "No Brasil, estamos fazendo de uma forma diferente, diminuindo os gastos correntes para direcionar os recursos aos investimentos em infra-estrutura através dos PPIs", disse. "Cada país utiliza os instrumentos mais apropriados, e o Brasil tem uma situação diferenciada do Reino Unido."
O ministro ressaltou que a estratégia fiscal do governo brasileiro para os próximos quatro anos, delineada pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), não será alterada. Segundo Mantega, Brown considerou o PAC muito positivo. Ele avaliou que o plano é até mais austero do que o implementado pelos trabalhistas britânicos quando chegaram ao poder.
O ministro reafirmou que a reforma tributária é um dos itens prioritários da agenda do governo, mas descartou uma transferência parcial da CPMF para os Estados, que é uma das reivindicação dos governadores. "O governo não colocou em discussão a parte da CPMF", disse ele em referência à negociação com os governadores.
Mantega também comentou a proposta da Ordem dos Advogados do Brasil divisão São Paulo (OAB-SP) de criar um projeto de lei limitando a carga tributária a 25% do Produto Interno Bruto (PIB). "É absolutamente inexeqüível", disse o ministro.
Ele disse ainda na entrevista que o governo espera uma queda dos spreads bancários (diferença entre os juros pagos pelos bancos e os repassados aos clientes) nos próximos meses. Entre as medidas planejadas pelo governo para aumentar a concorrência na concessão de empréstimos, o ministro disse que será anunciado em breve a portabilidade dos empréstimos consignados.
O ministro informou ainda que o Brasil e o Reino Unido pretendem criar um grupo de trabalho permanente para discussão de vários temas econômicos, entre eles as Parcerias Público Privadas (PPPs) e também a criação de um fundo de vacinação internacional.
Ele explicou que, no Reino Unido, através da "regra de ouro" implementada pelo governo trabalhista desde 1997, o Estado pode tomar dinheiro emprestado para investimento em infra-estrutura, mas não para gastos correntes. "No Brasil, estamos fazendo de uma forma diferente, diminuindo os gastos correntes para direcionar os recursos aos investimentos em infra-estrutura através dos PPIs", disse. "Cada país utiliza os instrumentos mais apropriados, e o Brasil tem uma situação diferenciada do Reino Unido."
O ministro ressaltou que a estratégia fiscal do governo brasileiro para os próximos quatro anos, delineada pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), não será alterada. Segundo Mantega, Brown considerou o PAC muito positivo. Ele avaliou que o plano é até mais austero do que o implementado pelos trabalhistas britânicos quando chegaram ao poder.
O ministro reafirmou que a reforma tributária é um dos itens prioritários da agenda do governo, mas descartou uma transferência parcial da CPMF para os Estados, que é uma das reivindicação dos governadores. "O governo não colocou em discussão a parte da CPMF", disse ele em referência à negociação com os governadores.
Mantega também comentou a proposta da Ordem dos Advogados do Brasil divisão São Paulo (OAB-SP) de criar um projeto de lei limitando a carga tributária a 25% do Produto Interno Bruto (PIB). "É absolutamente inexeqüível", disse o ministro.
Ele disse ainda na entrevista que o governo espera uma queda dos spreads bancários (diferença entre os juros pagos pelos bancos e os repassados aos clientes) nos próximos meses. Entre as medidas planejadas pelo governo para aumentar a concorrência na concessão de empréstimos, o ministro disse que será anunciado em breve a portabilidade dos empréstimos consignados.
O ministro informou ainda que o Brasil e o Reino Unido pretendem criar um grupo de trabalho permanente para discussão de vários temas econômicos, entre eles as Parcerias Público Privadas (PPPs) e também a criação de um fundo de vacinação internacional.
segunda-feira, 29 de janeiro de 2007
Dívida externa do Brasil diminuiu 3,5 por cento em 2006 e é a menor desde 1947
A dívida externa do Brasil diminuiu 3,45 por cento em 2006 para 168,86 mil milhões de dólares tendo atingido o mais baixo valor desde 1947, informou quinta-feira (25) em Brasília o Banco Central do Brasil (BC).
O chefe do Departamento Económico do BC, Altamir Lopes, salientou que a relação entre a dívida externa e o Produto Interno Bruto (PIB) foi de 17,6 por cento.
O responsável salientou que essa relação também é a menor já registada no Brasil, na sequência da melhoria dos indicadores externos do Brasil, alcançada nos últimos anos.
Altamir Lopes afirmou ainda que quase 90 por cento do total da dívida externa brasileira, cerca de 151,66 mil milhões de dólares, têm vencimentos de médio e de longo prazos.
Apenas 17,21 mil milhões de dólares têm vencimentos no curto prazo, ou seja, limites inferiores a um ano, informou o chefe do Departamento Económico do BC.
Altamir Lopes salientou igualmente que a parcela da dívida externa do sector público (75,9 mil milhões de dólares dos 168,86 mil milhões de dólares) é a menor desde 1994, na sequência de compra de títulos de dívida em 2006.
O chefe do Departamento Económico do BC, Altamir Lopes, salientou que a relação entre a dívida externa e o Produto Interno Bruto (PIB) foi de 17,6 por cento.
O responsável salientou que essa relação também é a menor já registada no Brasil, na sequência da melhoria dos indicadores externos do Brasil, alcançada nos últimos anos.
Altamir Lopes afirmou ainda que quase 90 por cento do total da dívida externa brasileira, cerca de 151,66 mil milhões de dólares, têm vencimentos de médio e de longo prazos.
Apenas 17,21 mil milhões de dólares têm vencimentos no curto prazo, ou seja, limites inferiores a um ano, informou o chefe do Departamento Económico do BC.
Altamir Lopes salientou igualmente que a parcela da dívida externa do sector público (75,9 mil milhões de dólares dos 168,86 mil milhões de dólares) é a menor desde 1994, na sequência de compra de títulos de dívida em 2006.
sábado, 27 de janeiro de 2007
Brasil pode fazer concessões para destravar Doha
O Brasil está disposto a fazer concessões no comércio de bens industriais e no setor de serviços, se houver chance de acordo até abril nas negociações da Rodada Doha, disse ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para isso os Estados Unidos e a União Européia deverão melhorar suas ofertas para o comércio agrícola. Ele discutiu a rodada com o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e vários dos principais negociadores.
Se americanos e europeus mostrarem disposição para um acordo, o Brasil tentará convencer os parceiros do Grupo dos 20 (G-20) a fazer as concessões necessárias a um entendimento, prometeu o presidente. Serão naturalmente, ressalvou Lula, ofertas proporcionais às possibilidades de cada país.
A Rodada Doha, afirmou, é um empreendimento político, mais do que econômico. Sua conclusão poderá abrir oportunidades de crescimento nas áreas mais pobres, incluída a África, insistiu o presidente. A conversa sobre as negociações, em reunião fechada, foi parte da programação do Fórum.
Se houver acordo até abril sobre os pontos mais complicados, será politicamente mais fácil concluir a rodada. No fim de junho vence a autorização do Executivo americano para assinar acordos sujeitos apenas a aprovação, mas não a emendas, pelo Congresso. Se as grandes questões ainda estiverem abertas, será mais difícil obter uma prorrogação ou renovação da autoridade para negociar. Esta é uma suposição corrente entre os negociadores.
Hoje, em Davos, 25 ministros - há quem fale em mais - deverão reunir-se para nova tentativa de levar adiante a rodada. Nenhum resultado notável deverá sair desse encontro, segundo avaliações mas há quem aposte num avanço importante nos próximos meses. A representante dos Estados Unidos para o Comércio Exterior, Susan Schwab, declarou essa esperança em entrevista publicada ontem pelo Estado.
“Dependerá deles”, disse ontem o chanceler Celso Amorim, referindo-se aos americanos. O Brasil continua a cobrar dos Estados Unidos maiores cortes dos subsídios à agricultura.
LISTA - Além disso, continua em debate a criação de uma lista de produtos “sensíveis”, defendida pelos governos europeus e americanos. O Brasil admite a lista, mas com muita cautela. Uma relação extensa poderia incluir a maior parte dos produtos em que os brasileiros têm vantagem competitiva. Outros governos do Mercosul têm a mesma preocupação.
O comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, também tem dado declarações otimistas, admitindo algum resultado importante nos próximos meses. É uma esperança fantasiosa, diz a ministra do Comércio da França, Christine Lagarde.
Lula defendeu a conclusão da rodada, alegando que os países mais pobres serão beneficiados com a abertura dos grandes mercados a seu produtos agrícolas. Não fez referência aos interesses brasileiros. Disse mais de uma vez que falava a favor dos pobres pois a agricultura brasileira, insistiu, é competitiva. Os pobres poderão ser beneficiados, exemplificou, se os europeus comprarem etanol da África e os Estados Unidos, da América Central.
Haverá mais milho para porcos e frangos, argumentou Lula, se os americanos deixarem de usá-lo para produzir álcool. O etanol de cana exportado pelos pobres das Américas e da África, explicou, será produzido com tecnologia transferida pelo Brasil.
Se a Europa comprar etanol da África e os Estados Unidos, da América Central, quem comprará do Brasil: só os asiáticos? A essa pergunta o presidente respondeu com um sorriso, afirmando que a demanda européia será enorme, se adotarem 5% de álcool na gasolina, e o Brasil nesse campo é imbatível.
Fonte: AE
Se americanos e europeus mostrarem disposição para um acordo, o Brasil tentará convencer os parceiros do Grupo dos 20 (G-20) a fazer as concessões necessárias a um entendimento, prometeu o presidente. Serão naturalmente, ressalvou Lula, ofertas proporcionais às possibilidades de cada país.
A Rodada Doha, afirmou, é um empreendimento político, mais do que econômico. Sua conclusão poderá abrir oportunidades de crescimento nas áreas mais pobres, incluída a África, insistiu o presidente. A conversa sobre as negociações, em reunião fechada, foi parte da programação do Fórum.
Se houver acordo até abril sobre os pontos mais complicados, será politicamente mais fácil concluir a rodada. No fim de junho vence a autorização do Executivo americano para assinar acordos sujeitos apenas a aprovação, mas não a emendas, pelo Congresso. Se as grandes questões ainda estiverem abertas, será mais difícil obter uma prorrogação ou renovação da autoridade para negociar. Esta é uma suposição corrente entre os negociadores.
Hoje, em Davos, 25 ministros - há quem fale em mais - deverão reunir-se para nova tentativa de levar adiante a rodada. Nenhum resultado notável deverá sair desse encontro, segundo avaliações mas há quem aposte num avanço importante nos próximos meses. A representante dos Estados Unidos para o Comércio Exterior, Susan Schwab, declarou essa esperança em entrevista publicada ontem pelo Estado.
“Dependerá deles”, disse ontem o chanceler Celso Amorim, referindo-se aos americanos. O Brasil continua a cobrar dos Estados Unidos maiores cortes dos subsídios à agricultura.
LISTA - Além disso, continua em debate a criação de uma lista de produtos “sensíveis”, defendida pelos governos europeus e americanos. O Brasil admite a lista, mas com muita cautela. Uma relação extensa poderia incluir a maior parte dos produtos em que os brasileiros têm vantagem competitiva. Outros governos do Mercosul têm a mesma preocupação.
O comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, também tem dado declarações otimistas, admitindo algum resultado importante nos próximos meses. É uma esperança fantasiosa, diz a ministra do Comércio da França, Christine Lagarde.
Lula defendeu a conclusão da rodada, alegando que os países mais pobres serão beneficiados com a abertura dos grandes mercados a seu produtos agrícolas. Não fez referência aos interesses brasileiros. Disse mais de uma vez que falava a favor dos pobres pois a agricultura brasileira, insistiu, é competitiva. Os pobres poderão ser beneficiados, exemplificou, se os europeus comprarem etanol da África e os Estados Unidos, da América Central.
Haverá mais milho para porcos e frangos, argumentou Lula, se os americanos deixarem de usá-lo para produzir álcool. O etanol de cana exportado pelos pobres das Américas e da África, explicou, será produzido com tecnologia transferida pelo Brasil.
Se a Europa comprar etanol da África e os Estados Unidos, da América Central, quem comprará do Brasil: só os asiáticos? A essa pergunta o presidente respondeu com um sorriso, afirmando que a demanda européia será enorme, se adotarem 5% de álcool na gasolina, e o Brasil nesse campo é imbatível.
Fonte: AE
Lula diz que juros não baixam por 'mágica' e convida empresários a conhecer o PAC
Aproveitando o cenário privilegiado por sua participação no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por um lado, disse que os juros no país não podem baixar por mágica e, por outro, convidou empresários estrangeiros a conhecer as oportunidades de investimento propiciadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O programa foi lançado nesta semana pelo governo como aposta para fazer a economia destravar.
Em discurso na manhã desta sexta, Lula afirmou que gostaria de ter juros mais baixos no país, mas que não há uma solução mágica para isso. "Todos nós gostaríamos de uma taxa mais baixa no Brasil, mas você não pode reduzi-la por mágica", afirmou.
O Banco Central cortou a taxa básica de juro (a Selic) em 0,25 ponto percentual na quarta-feira, para 13% ao ano, mas o custo dos empréstimos no país ainda está entre os mais altos no mundo.
Durante seu discurso, Lula disse estar confiante de que a taxa de juro no país caia na medida em que aumentar a confiança na economia brasileira.
Já para os mais de mil empresários presentes a Davos, o mandatário brasileiro falou do PAC, convidando-os a visitarem o Brasil a partir de fevereiro para que conheçam de perto as oportunidades de investimento oferecidas pelas novas medidas.
"Não vou aqui fazer merchandising para o Brasil. E não vou pedir para vocês: 'Vem para o Brasil, investe no Brasil'. Isso só vai fazer quem quiser ganhar dinheiro e ter segurança no investimentos", disse.
Ele aproveitou a oportunidade e comentou sobre a política econômica, dizendo o país aprendeu a combinar políticas de crescimento de exportações com crescimento do mercado interno, controle da inflação com crescimento econômico, superávit comercial com superávit na conta corrente, e disse ainda que o Brasil alcançou um nível de reservas que nunca imaginou.
"O Brasil vive um momento de auto-estima interna e de confiança externa, porque a nossa economia nunca esteve numa situação privilegiada como está hoje", afirmou, apresentando o país como um lugar estável para investimentos.
Depois desse encontro, Lula teve reunião com cerca de 80 empresários, na qual ele e os ministros Celso Amorim, de Relações Exteriores, e Guido Mantega, da Fazenda, fizeram um balanço sobre a política econômica. Mantega falou sobre o PAC e Amorim renovou o apelo para retomada das negociações da Organização Mundial de Comércio (OMC) com a Rodada Doha.
Pedido de abertura
No seu discurso pela manhã em Davos, Lula pediu que a Europa e os Estados Unidos façam concessões para tornar possível um acordo comercial na Rodada Doha que gere desenvolvimento na luta contra a pobreza. O presidente citou o Brasil como exemplo.
A Rodada Doha pode reduzir ou eliminar barreiras comerciais e permitir que países pobres vendam seus produtos às nações ricas sem muitas taxas.
"Se quisermos enviar um sinal aos países mais pobres de que vão ter uma oportunidade no século 21, os Estados Unidos, o Reino Unido, a França, a Alemanha, os países mais importantes devem assumir a responsabilidade de tornar possível esse acordo", afirmou.
Lula assegurou que a Rodada Doha "pode ser o caminho da esperança para milhões de seres humanos que esperam um gesto nosso", porque "só se pode acabar com a pobreza se os países pobres se desenvolverem".
"A União Européia (UE) e os países ricos devem entender isso; se não, não existirá acordo", advertiu.
O presidente fez as declarações um dia antes da reunião ministerial de quase 30 países da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Davos, na qual tentarão retomar as negociações da Rodada Doha para a liberalização comercial internacional, que foram suspensas em julho.
Dessa forma, Lula cumpriu sua meta de aproveitar sua viagem à estação de esqui suíça para convocar a elite econômica e política, reunida durante quatro dias, a investir nos países pobres para fomentar o crescimento e poder cumprir os Objetivos do Milênio da ONU de reduzir a pobreza à metade em 2015.
Lula garantiu também aos países desenvolvidos que, se aceitarem concessões, o Brasil convencerá o Grupo dos Vinte (G20) a cumprir sua parte de maneira proporcional a suas capacidades. "O Brasil fará sua parte, fará concessões dentro de suas possibilidades e convencerá o G-20 a fazer o mesmo", disse.
O G20 é integrado por países em desenvolvimento que reivindicam que os Estados industrializados abram seus mercados agrícolas e eliminem seus subsídios neste setor, de modo que possam competir nos mercados internacionais em condições de maior igualdade.
A liderança dessa coalizão, da qual participam China e vários países latino-americanos, foi assumida pela Índia e pelo Brasil.
Lula ressaltou que os países de economias emergentes estão dispostos a contribuir para o esforço de liberalização do comércio mundial, mas de acordo com suas capacidades, porque "nem tudo pode ser igual".
Chamada aos líderes empresariais
O presidente brasileiro aproveitou e pediu aos líderes empresariais presentes em Davos que falem com seus governos e peçam que sejam sensíveis frente à necessidade de se chegar a um entendimento para levar adiante as negociações que estão suspensas há seis meses devido à incapacidade de as grandes potências comerciais, incluindo o Brasil, chegarem a um acordo.
Lula resumiu as chaves para chegar a um acordo: "Os Estados Unidos têm que reduzir um pouco os subsídios agrícolas, a UE deve facilitar o acesso dos produtos agrícolas dos países mais pobres e nós temos que facilitar a entrada dos serviços. Tudo isto de maneira proporcional".
Biocombustíveis
O brasileiro pediu, ainda, investimentos estrangeiros para financiar a produção de biodiesel na América Central e na África e assim incentivar o desenvolvimento e as energias limpas.
Lula propôs que o programa de incentivo ao biodiesel no Brasil "possa ser um exemplo para que os países ricos o financiem nos países africanos e da América Central".
"O biodiesel gera empregos, rendas e desenvolvimento", argumentou.
"Um país tão grande como os Estados Unidos (...) pode participar com os países pobres financiando projetos para que, através dos cultivos agrícolas, com os quais se fabrica o biocombustível, se possa produzir combustível para o mundo limpo, não contaminado e gerador de empregos".
Experiência
Lula, que comparece ao Fórum Econômico Mundial pela terceira vez e está acompanhado de três ministros, disse que viajar a Davos este ano foi para ele "quase uma necessidade", já que foi no fórum que fez sua apresentação internacional e a do programa Fome Zero ao começar seu primeiro mandato.
O fundador do Fórum Econômico de Davos, Karl Schwab, elogiou o feito do governo brasileiro e considerou o país "um modelo" por suas políticas econômicas e um exemplo de "integração na economia mundial com rosto humano".
Lula comentou os feitos de seu primeiro mandato, que segundo ele "provam que democracia e seriedade são dois instrumentos para melhorar as condições de vida", e ressaltou a necessidade de projetos de integração na América do Sul, sobretudo no campo das infra-estruturas.
Para o futuro, falou sobre o recentemente anunciado programa de Aceleração Econômica para fomentar o crescimento com investimentos públicos e privados em infra-estruturas de US$ 234,4 bilhões (o equivalente a cerca de R$ 500 bilhões) até 2010.
Além disso, assegurou que "as taxas de juros vão continuar baixando à medida que conquistarmos mais confiança" no mercado e criticou que "se fale com tanta facilidade" de uma reforma fiscal, quando a "responsabilidade fiscal" permitiu o saneamento da economia.
Fonte: UOL
O programa foi lançado nesta semana pelo governo como aposta para fazer a economia destravar.
Em discurso na manhã desta sexta, Lula afirmou que gostaria de ter juros mais baixos no país, mas que não há uma solução mágica para isso. "Todos nós gostaríamos de uma taxa mais baixa no Brasil, mas você não pode reduzi-la por mágica", afirmou.
O Banco Central cortou a taxa básica de juro (a Selic) em 0,25 ponto percentual na quarta-feira, para 13% ao ano, mas o custo dos empréstimos no país ainda está entre os mais altos no mundo.
Durante seu discurso, Lula disse estar confiante de que a taxa de juro no país caia na medida em que aumentar a confiança na economia brasileira.
Já para os mais de mil empresários presentes a Davos, o mandatário brasileiro falou do PAC, convidando-os a visitarem o Brasil a partir de fevereiro para que conheçam de perto as oportunidades de investimento oferecidas pelas novas medidas.
"Não vou aqui fazer merchandising para o Brasil. E não vou pedir para vocês: 'Vem para o Brasil, investe no Brasil'. Isso só vai fazer quem quiser ganhar dinheiro e ter segurança no investimentos", disse.
Ele aproveitou a oportunidade e comentou sobre a política econômica, dizendo o país aprendeu a combinar políticas de crescimento de exportações com crescimento do mercado interno, controle da inflação com crescimento econômico, superávit comercial com superávit na conta corrente, e disse ainda que o Brasil alcançou um nível de reservas que nunca imaginou.
"O Brasil vive um momento de auto-estima interna e de confiança externa, porque a nossa economia nunca esteve numa situação privilegiada como está hoje", afirmou, apresentando o país como um lugar estável para investimentos.
Depois desse encontro, Lula teve reunião com cerca de 80 empresários, na qual ele e os ministros Celso Amorim, de Relações Exteriores, e Guido Mantega, da Fazenda, fizeram um balanço sobre a política econômica. Mantega falou sobre o PAC e Amorim renovou o apelo para retomada das negociações da Organização Mundial de Comércio (OMC) com a Rodada Doha.
Pedido de abertura
No seu discurso pela manhã em Davos, Lula pediu que a Europa e os Estados Unidos façam concessões para tornar possível um acordo comercial na Rodada Doha que gere desenvolvimento na luta contra a pobreza. O presidente citou o Brasil como exemplo.
A Rodada Doha pode reduzir ou eliminar barreiras comerciais e permitir que países pobres vendam seus produtos às nações ricas sem muitas taxas.
"Se quisermos enviar um sinal aos países mais pobres de que vão ter uma oportunidade no século 21, os Estados Unidos, o Reino Unido, a França, a Alemanha, os países mais importantes devem assumir a responsabilidade de tornar possível esse acordo", afirmou.
Lula assegurou que a Rodada Doha "pode ser o caminho da esperança para milhões de seres humanos que esperam um gesto nosso", porque "só se pode acabar com a pobreza se os países pobres se desenvolverem".
"A União Européia (UE) e os países ricos devem entender isso; se não, não existirá acordo", advertiu.
O presidente fez as declarações um dia antes da reunião ministerial de quase 30 países da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Davos, na qual tentarão retomar as negociações da Rodada Doha para a liberalização comercial internacional, que foram suspensas em julho.
Dessa forma, Lula cumpriu sua meta de aproveitar sua viagem à estação de esqui suíça para convocar a elite econômica e política, reunida durante quatro dias, a investir nos países pobres para fomentar o crescimento e poder cumprir os Objetivos do Milênio da ONU de reduzir a pobreza à metade em 2015.
Lula garantiu também aos países desenvolvidos que, se aceitarem concessões, o Brasil convencerá o Grupo dos Vinte (G20) a cumprir sua parte de maneira proporcional a suas capacidades. "O Brasil fará sua parte, fará concessões dentro de suas possibilidades e convencerá o G-20 a fazer o mesmo", disse.
O G20 é integrado por países em desenvolvimento que reivindicam que os Estados industrializados abram seus mercados agrícolas e eliminem seus subsídios neste setor, de modo que possam competir nos mercados internacionais em condições de maior igualdade.
A liderança dessa coalizão, da qual participam China e vários países latino-americanos, foi assumida pela Índia e pelo Brasil.
Lula ressaltou que os países de economias emergentes estão dispostos a contribuir para o esforço de liberalização do comércio mundial, mas de acordo com suas capacidades, porque "nem tudo pode ser igual".
Chamada aos líderes empresariais
O presidente brasileiro aproveitou e pediu aos líderes empresariais presentes em Davos que falem com seus governos e peçam que sejam sensíveis frente à necessidade de se chegar a um entendimento para levar adiante as negociações que estão suspensas há seis meses devido à incapacidade de as grandes potências comerciais, incluindo o Brasil, chegarem a um acordo.
Lula resumiu as chaves para chegar a um acordo: "Os Estados Unidos têm que reduzir um pouco os subsídios agrícolas, a UE deve facilitar o acesso dos produtos agrícolas dos países mais pobres e nós temos que facilitar a entrada dos serviços. Tudo isto de maneira proporcional".
Biocombustíveis
O brasileiro pediu, ainda, investimentos estrangeiros para financiar a produção de biodiesel na América Central e na África e assim incentivar o desenvolvimento e as energias limpas.
Lula propôs que o programa de incentivo ao biodiesel no Brasil "possa ser um exemplo para que os países ricos o financiem nos países africanos e da América Central".
"O biodiesel gera empregos, rendas e desenvolvimento", argumentou.
"Um país tão grande como os Estados Unidos (...) pode participar com os países pobres financiando projetos para que, através dos cultivos agrícolas, com os quais se fabrica o biocombustível, se possa produzir combustível para o mundo limpo, não contaminado e gerador de empregos".
Experiência
Lula, que comparece ao Fórum Econômico Mundial pela terceira vez e está acompanhado de três ministros, disse que viajar a Davos este ano foi para ele "quase uma necessidade", já que foi no fórum que fez sua apresentação internacional e a do programa Fome Zero ao começar seu primeiro mandato.
O fundador do Fórum Econômico de Davos, Karl Schwab, elogiou o feito do governo brasileiro e considerou o país "um modelo" por suas políticas econômicas e um exemplo de "integração na economia mundial com rosto humano".
Lula comentou os feitos de seu primeiro mandato, que segundo ele "provam que democracia e seriedade são dois instrumentos para melhorar as condições de vida", e ressaltou a necessidade de projetos de integração na América do Sul, sobretudo no campo das infra-estruturas.
Para o futuro, falou sobre o recentemente anunciado programa de Aceleração Econômica para fomentar o crescimento com investimentos públicos e privados em infra-estruturas de US$ 234,4 bilhões (o equivalente a cerca de R$ 500 bilhões) até 2010.
Além disso, assegurou que "as taxas de juros vão continuar baixando à medida que conquistarmos mais confiança" no mercado e criticou que "se fale com tanta facilidade" de uma reforma fiscal, quando a "responsabilidade fiscal" permitiu o saneamento da economia.
Fonte: UOL
sexta-feira, 26 de janeiro de 2007
PAC vai interferir positivamente na economia, diz cientista político
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) poderá ter grande impacto na economia brasileira, porque trabalha com setores intensivos em mão-de-obra. A afirmação foi feita pelo cientista político e professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) Ricardo Caldas.
“São áreas que necessitam de investimento: rodovias, transportes em geral, portos e construção civil. Uma vez solucionados esses gargalos, o Brasil pode, inclusive, aumentar as suas exportações e se tornar mais competitivo”, disse Caldas, em entrevista ao programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional.
Para o professor, a discussão que existe atualmente no Brasil é se o Estado deve ou não ser produtor de bens de serviços. “Acho que ninguém no Brasil é contra o Estado ser indutor do fomento. Até onde entendo o PAC, o Estado não é produtor de serviços, mas vai estimular o setor privado a investir até por meio de parcerias público privada”, esclareceu.
“São áreas que necessitam de investimento: rodovias, transportes em geral, portos e construção civil. Uma vez solucionados esses gargalos, o Brasil pode, inclusive, aumentar as suas exportações e se tornar mais competitivo”, disse Caldas, em entrevista ao programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional.
Para o professor, a discussão que existe atualmente no Brasil é se o Estado deve ou não ser produtor de bens de serviços. “Acho que ninguém no Brasil é contra o Estado ser indutor do fomento. Até onde entendo o PAC, o Estado não é produtor de serviços, mas vai estimular o setor privado a investir até por meio de parcerias público privada”, esclareceu.
Empresários de EUA e UE pedem impulso "urgente" para Doha
A organização patronal européia BusinessEurope e as câmaras de comércio da União Européia (UE) e dos Estados Unidos pediram nesta quinta-feira que seja dado no Fórum Econômico Mundial, realizado na cidade suíça de Davos, um impulso "urgente" para a retomada das negociações da Rodada de Doha.
Os representantes das organizações reivindicaram, em entrevista coletiva, que os negociadores da OMC (Organização Mundial do Comércio) salvem "já" a Rodada de Doha, bloqueada desde meados do ano passado.
Afirmaram que o Fórum de Davos é uma oportunidade, pois, mesmo que não sejam alcançados grandes acordos, "podem ser dados os passos necessários" para reviver as negociações.
Cerca de trinta ministros de países da OMC participarão no sábado de uma reunião em Davos em uma tentativa de retomar as negociações de Doha, interrompidas oficialmente em julho de 2006 por falta de avanços entre os principais negociadores (EUA, UE, Brasil, Índia, Japão e Austrália).
Os empresários da UE e dos EUA alertaram que "o tempo está acabando" e que se membros da OMC não fecharem um acordo sobre as principais questões da negociação ainda no primeiro semestre deste ano "os benefícios da liberalização comercial serão perdidos".
(Redação+Efe)
Os representantes das organizações reivindicaram, em entrevista coletiva, que os negociadores da OMC (Organização Mundial do Comércio) salvem "já" a Rodada de Doha, bloqueada desde meados do ano passado.
Afirmaram que o Fórum de Davos é uma oportunidade, pois, mesmo que não sejam alcançados grandes acordos, "podem ser dados os passos necessários" para reviver as negociações.
Cerca de trinta ministros de países da OMC participarão no sábado de uma reunião em Davos em uma tentativa de retomar as negociações de Doha, interrompidas oficialmente em julho de 2006 por falta de avanços entre os principais negociadores (EUA, UE, Brasil, Índia, Japão e Austrália).
Os empresários da UE e dos EUA alertaram que "o tempo está acabando" e que se membros da OMC não fecharem um acordo sobre as principais questões da negociação ainda no primeiro semestre deste ano "os benefícios da liberalização comercial serão perdidos".
(Redação+Efe)
Etanol estimula otimismo econômico no Brasil, diz jornal
A intenção do governo americano de substituir o consumo de petróleo por etanol está alimentando um otimismo econômico no Brasil, o maior produtor mundial do produto, relata nesta sexta-feira uma reportagem publicada pelo jornal argentino La Nación .
“O Brasil será o país mais beneficiado se os Estados Unidos reduzirem em 20% o consumo de gasolina, como anunciou o presidente George W. Bush na terça-feira passada”, diz a reportagem.
O jornal cita uma declaração do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luis Fernando Furlan, de que o Brasil pode se beneficiar mesmo se não exportar etanol aos Estados Unidos.
“O Brasil será o país mais beneficiado se os Estados Unidos reduzirem em 20% o consumo de gasolina, como anunciou o presidente George W. Bush na terça-feira passada”, diz a reportagem.
O jornal cita uma declaração do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luis Fernando Furlan, de que o Brasil pode se beneficiar mesmo se não exportar etanol aos Estados Unidos.
Estrangeiros gastaram US$ 4,3 bi no Brasil em 2006
Os turistas estrangeiros injetaram na economia brasileira US$ 4,316 bilhões no ano passado, segundo dados divulgados hoje pelo Banco Central. O valor supera em 11,77% os US$ 3,861 bilhões registrados em 2005 - até então a melhor marca da série histórica iniciada em 1969.
Em dezembro de 2006, o BC registrou a entrada de US$ 400 milhões com a atividade, ante os US$ 360 milhões obtidos no mesmo mês de 2005.
"O recorde de US$ 4,3 bilhões comprova que o turismo do Brasil atravessa um momento histórico, apesar dos problemas verificados na aviação civil recentemente. Em nenhum outro governo havíamos registrado mais do que US$ 2 bilhões de receita cambial turística", disse o ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia.
Segundo o ministro, este é o quinto ano consecutivo de expansão do ingresso de divisas no País por meio do turismo internacional. Para se ter uma idéia, os US$ 4,316 bilhões do ano passado são 116,02% maiores do que o US$ 1,998 bilhão de todo o ano de 2002, o primeiro dessa sequência positiva. A sequência, depois de 2002, é: US$ 2,479 bilhões, em 2003; US$ 3,222 bilhões, em 2004; e US$ 3,861 bilhões, em 2005.
Mares Guia participa da Bolsa de Turismo de Lisboa, uma das principais feiras do setor na Europa, juntamente com o presidente da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), Jeanine Pires.
Em dezembro de 2006, o BC registrou a entrada de US$ 400 milhões com a atividade, ante os US$ 360 milhões obtidos no mesmo mês de 2005.
"O recorde de US$ 4,3 bilhões comprova que o turismo do Brasil atravessa um momento histórico, apesar dos problemas verificados na aviação civil recentemente. Em nenhum outro governo havíamos registrado mais do que US$ 2 bilhões de receita cambial turística", disse o ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia.
Segundo o ministro, este é o quinto ano consecutivo de expansão do ingresso de divisas no País por meio do turismo internacional. Para se ter uma idéia, os US$ 4,316 bilhões do ano passado são 116,02% maiores do que o US$ 1,998 bilhão de todo o ano de 2002, o primeiro dessa sequência positiva. A sequência, depois de 2002, é: US$ 2,479 bilhões, em 2003; US$ 3,222 bilhões, em 2004; e US$ 3,861 bilhões, em 2005.
Mares Guia participa da Bolsa de Turismo de Lisboa, uma das principais feiras do setor na Europa, juntamente com o presidente da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), Jeanine Pires.
Banco do Brasil faz anúncio de nova redução na taxa de juros
O Banco do Brasil anunciou ontem, a redução das taxas de juros para cheques especiais, CDC (cartões de crédito e linhas de crédito direto ao consumidor). A medida acompanha decisão do Copom de reduzir em 0,25% a taxa Selic, possibilitando a diminuição dos custos de captação e o repasse desse benefício para os preços de algumas linhas de crédito. As novas taxas ampliam a competitividade das linhas operadas pelo BB e contribuem para o crescimento da base de clientes e negócios. As taxas são válidas a partir do dia 1° de fevereiro.
As taxas mínimas do cheque especial e dos cartões de crédito foram reduzidas para 1,98% ao mês e as máximas para 7,68% ao mês.
O Banco do Brasil reduziu também as taxas de juros de linhas de crédito destinadas às micro e pequenas empresas. O BB Giro Automático, direcionado às empresas que faturam até R$ 500 mil por ano, teve a taxa reduzida para 2,4% a.m.
Já o BB Giro Rápido, que atende empresas com faturamento anual de até R$ 5 milhões, passa a ter taxa mínima de 2,15% ao mês e máxima de 2,48% ao mês. As taxas do Cheque Ouro Empresarial - cheque especial das empresas - também estão menores, a taxa mínima é de 5,03% ao mês e a máxima, de 7,61% ao mês.
As taxas mínimas do cheque especial e dos cartões de crédito foram reduzidas para 1,98% ao mês e as máximas para 7,68% ao mês.
O Banco do Brasil reduziu também as taxas de juros de linhas de crédito destinadas às micro e pequenas empresas. O BB Giro Automático, direcionado às empresas que faturam até R$ 500 mil por ano, teve a taxa reduzida para 2,4% a.m.
Já o BB Giro Rápido, que atende empresas com faturamento anual de até R$ 5 milhões, passa a ter taxa mínima de 2,15% ao mês e máxima de 2,48% ao mês. As taxas do Cheque Ouro Empresarial - cheque especial das empresas - também estão menores, a taxa mínima é de 5,03% ao mês e a máxima, de 7,61% ao mês.
quarta-feira, 24 de janeiro de 2007
Prévia da inflação oficial fica em 0,52% em janeiro
A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve alta de 0,52% em janeiro. O resultado é 0,17 ponto percentual acima da taxa registrada em dezembro (0,35%), conforme divulgou hoje (24) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O IPCA-15 funciona como uma prévia do IPCA, o índice que serve de referência para as metas de inflação do governo.
Em relação ao mesmo período de 2005, quando a inflação ficou em 0,51%, o índice aponta estabilidade. No acumulado dos últimos doze meses, o IPCA-15 tem alta de 2,97%.
De acordo com o IBGE, os preços que mais subiram em janeiro foram os do grupo Transportes, que passaram de 0,46% para 1,03%. O aumento foi impulsionado pela alta nas tarifas de ônibus urbanos (3,29%) em regiões metropolitanas, sobretudo em São Paulo, Belo Horizonte e no Rio de Janeiro.
Houve aumento também nas tarifas de metrô (4,81%); trem (3,74%); táxi (3,28%); e ônibus intermunicipais (3,26%).
A alta nos preços do álcool, que subiram 3,54%, especialmente em São Paulo, também contribuíram para a elevação no grupo Transportes. No Rio de Janeiro, o aumento foi de 8,56%. Por outro lado, a gasolina apresentou queda de 0,42%.
Os alimentos, que subiram de 0,48% para 0,72%, também pressionaram a taxa de janeiro. Os principais aumentos foram observados em óleo de soja (8,12%), café (3,85%), hortaliças (3,76%), ovos (3,23%).
São Paulo foi a cidade com maior inflação em janeiro, de 0,87%. Por outro lado, Goiânia registrou a menor taxa no mês e teve deflação de 0,04%.
O IPCA-15 funciona como uma prévia do IPCA, o índice que serve de referência para as metas de inflação do governo.
Em relação ao mesmo período de 2005, quando a inflação ficou em 0,51%, o índice aponta estabilidade. No acumulado dos últimos doze meses, o IPCA-15 tem alta de 2,97%.
De acordo com o IBGE, os preços que mais subiram em janeiro foram os do grupo Transportes, que passaram de 0,46% para 1,03%. O aumento foi impulsionado pela alta nas tarifas de ônibus urbanos (3,29%) em regiões metropolitanas, sobretudo em São Paulo, Belo Horizonte e no Rio de Janeiro.
Houve aumento também nas tarifas de metrô (4,81%); trem (3,74%); táxi (3,28%); e ônibus intermunicipais (3,26%).
A alta nos preços do álcool, que subiram 3,54%, especialmente em São Paulo, também contribuíram para a elevação no grupo Transportes. No Rio de Janeiro, o aumento foi de 8,56%. Por outro lado, a gasolina apresentou queda de 0,42%.
Os alimentos, que subiram de 0,48% para 0,72%, também pressionaram a taxa de janeiro. Os principais aumentos foram observados em óleo de soja (8,12%), café (3,85%), hortaliças (3,76%), ovos (3,23%).
São Paulo foi a cidade com maior inflação em janeiro, de 0,87%. Por outro lado, Goiânia registrou a menor taxa no mês e teve deflação de 0,04%.
Copom divulga hoje nova taxa básica de juros
O Comitê de Política Monetária (Copom) divulga hoje (24) à tarde a nova taxa básica de juros (Selic) da economia para os próximos 45 dias. Esta é a primeira reunião de 2007 do Copom, que teve início ontem (23). Atualmente a Selic está em 13,25% ao ano.
De acordo com os analistas econômicos ouvidos pelo Banco Central na última sexta-feira (19), as condições são favoráveis para que a taxa caia mais um pouco, principalmente porque a inflação permanece sob controle, abaixo da meta oficial de 4,5% ao ano.
Segundo os economistas de iniciativa privada, consultados pela pesquisa do Banco Central, a taxa de juros deve cair para 13%, amanhã (25), quando terminar a segunda parte da reunião do colegiado de diretores do BC.
A aposta dos especialistas é de que o ritmo das reduções da taxa Selic será menor a partir de agora, provavelmente metade dos cortes de 0,5 ponto percentual que vinham sendo feitos nas últimas reuniões do Copom, desde setembro de 2005, quando começou o processo de flexibilização monetária, com a Selic em 19,5%.
De acordo com os analistas econômicos ouvidos pelo Banco Central na última sexta-feira (19), as condições são favoráveis para que a taxa caia mais um pouco, principalmente porque a inflação permanece sob controle, abaixo da meta oficial de 4,5% ao ano.
Segundo os economistas de iniciativa privada, consultados pela pesquisa do Banco Central, a taxa de juros deve cair para 13%, amanhã (25), quando terminar a segunda parte da reunião do colegiado de diretores do BC.
A aposta dos especialistas é de que o ritmo das reduções da taxa Selic será menor a partir de agora, provavelmente metade dos cortes de 0,5 ponto percentual que vinham sendo feitos nas últimas reuniões do Copom, desde setembro de 2005, quando começou o processo de flexibilização monetária, com a Selic em 19,5%.
CNI divulga Índice de Confiança do Empresário Industrial
A Confederação Nacional da Indústria (CNI)divulga hoje (24) mais um Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei). A pesquisa mostra ocomo os empresários vêem a situação atual da economia brasileira, de seu setor, além das expectativas para os próximos seis meses.
A CNI informa que não haverá entrevista para comentar os dados e que eles serão encaminhados aos veículos de comunicação por e-mail.
A CNI informa que não haverá entrevista para comentar os dados e que eles serão encaminhados aos veículos de comunicação por e-mail.
Contas só fecham se a economia crescer 5% a partir de 2008
As contas fiscais apresentadas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) só fecham se a economia crescer 4,5% este ano e 5% a partir de 2008. Se essa meta não for alcançada, todas as projeções para a trajetória da dívida pública, para as despesas com a Previdência Social, para os gastos com o funcionalismo públicos, entre outros, terão de ser revistas. Em conversa ontem com colunistas de economia, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi questionado longamente sobre esse ponto. “Não tenho dúvida de que será possível crescer 5%, pois o Brasil está pronto para isso.”
Quando foi lembrado ao ministro que o País não cresce 5% há décadas, ele perguntou: “Você faz parte do grupo de pessimistas?” A projeção do mercado, feita no boletim Focus do Banco Central, é de crescimento de apenas 3,5% este ano. A maioria dos analistas considera que será possível crescer 5% ao ano somente depois de 2010, assim mesmo se o governo fizer as reformas que permitirão equilibrar as contas públicas e reduzir a carga tributária.
Na conversa com os jornalistas, Mantega apresentou um quadro com uma série de projeções para as principais variáveis econômicas. Uma delas diz que a dívida pública líquida chegará a 39,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010. Hoje, ela está em torno de 50% do PIB. O problema é que, se o ritmo de crescimento da economia for inferior a 5%, essa trajetória será bem diferente. Com base na expansão econômica prevista pelo mercado, a dívida líquida ficaria em torno de 45% do PIB no último ano do segundo mandato de Lula, admitiram dois assessores de Mantega.
As despesas da Previdência só serão estabilizadas em 8,2% do PIB, como indica a projeção, se o País crescer 5% ao ano. Caso o crescimento seja menor, as despesas não serão estabilizadas e crescerão mais ainda, o que resultará em déficit maior.
Quando foi lembrado ao ministro que o País não cresce 5% há décadas, ele perguntou: “Você faz parte do grupo de pessimistas?” A projeção do mercado, feita no boletim Focus do Banco Central, é de crescimento de apenas 3,5% este ano. A maioria dos analistas considera que será possível crescer 5% ao ano somente depois de 2010, assim mesmo se o governo fizer as reformas que permitirão equilibrar as contas públicas e reduzir a carga tributária.
Na conversa com os jornalistas, Mantega apresentou um quadro com uma série de projeções para as principais variáveis econômicas. Uma delas diz que a dívida pública líquida chegará a 39,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010. Hoje, ela está em torno de 50% do PIB. O problema é que, se o ritmo de crescimento da economia for inferior a 5%, essa trajetória será bem diferente. Com base na expansão econômica prevista pelo mercado, a dívida líquida ficaria em torno de 45% do PIB no último ano do segundo mandato de Lula, admitiram dois assessores de Mantega.
As despesas da Previdência só serão estabilizadas em 8,2% do PIB, como indica a projeção, se o País crescer 5% ao ano. Caso o crescimento seja menor, as despesas não serão estabilizadas e crescerão mais ainda, o que resultará em déficit maior.
PAC: Economia não destrava só com canetadas
O Brasil , nos quatro anos do primeiro governo Lula, cresceu a uma média de cerca de 2,6% ao ano. O resultado é muito próximo aos 2,3% dos anos FHC, o que surpreende, dado que, nos anos Lula, o país se defrontou com ambiente internacional mais favorável -o mundo registrou as maiores taxas de crescimento em 30 anos- e com cenário doméstico menos volátil, com inflação mais baixa, crédito em expansão, e contas externas saudáveis.
A explicação que o presidente encontrou para esse aparente paradoxo foi que a economia brasileira está "travada", e, para livrar-nos dessa armadilha, seria preciso um pacote de ação governamental, que estimulasse o investimento público e privado. Nasceu, assim, o PAC, anunciado ontem.
O diagnóstico está aparentemente correto, mas a solução vai na direção equivocada. O problema do crescimento não é a falta de planejamento estatal, mas sim o oposto: o peso excessivo do governo na economia, o excesso de burocracia, a falta de previsibilidade. Nesse sentido, o PAC agrava o problema, ao invés de resolvê-lo.
As travas do país estão arraigadas em diversos setores, e, para atacá-las, é preciso mais do que boa vontade e canetadas. É preciso flexibilizar as leis trabalhistas, estimulando o emprego, e não a informalidade. É preciso reformar a Previdência Social, a fim de que sobrem recursos para uma desoneração tributária horizontal e palpável, abrindo espaço para que os setores mais dinâmicos da economia se desenvolvam. É preciso desburocratizar os órgãos públicos e solidificar o poder e a independência das agências reguladoras.
O PAC pouco aborda esses temas e, quando aborda, o faz de maneira gasosa, pouco objetiva. Por outro lado, oferece uma ampla lista de projetos, cujas fontes de financiamento não são claras e cujo incentivo à participação do setor privado é duvidoso.
Mais eficiente seria aproveitar a oportunidade para reduzir ainda mais rapidamente a dívida pública, permitindo que as taxas de juros e os impostos caíssem de maneira sustentada, o que criaria um clima convidativo à participação do setor privado em empreendimentos como os propostos pelo PAC. Simultaneamente, o governo se ocuparia com setores menos rentáveis, embora fundamentais, para o desenvolvimento, como saúde e educação básica. E trabalharia para estabelecer regras claras e estáveis para que as maiores taxas de investimento se perpetuem.
Apesar das boas intenções, o PAC e seu portentoso aparato de marketing pouco colaboram para o destravamento da economia, que continuará crescendo pouco quando comparada à média dos países emergentes.
A explicação que o presidente encontrou para esse aparente paradoxo foi que a economia brasileira está "travada", e, para livrar-nos dessa armadilha, seria preciso um pacote de ação governamental, que estimulasse o investimento público e privado. Nasceu, assim, o PAC, anunciado ontem.
O diagnóstico está aparentemente correto, mas a solução vai na direção equivocada. O problema do crescimento não é a falta de planejamento estatal, mas sim o oposto: o peso excessivo do governo na economia, o excesso de burocracia, a falta de previsibilidade. Nesse sentido, o PAC agrava o problema, ao invés de resolvê-lo.
As travas do país estão arraigadas em diversos setores, e, para atacá-las, é preciso mais do que boa vontade e canetadas. É preciso flexibilizar as leis trabalhistas, estimulando o emprego, e não a informalidade. É preciso reformar a Previdência Social, a fim de que sobrem recursos para uma desoneração tributária horizontal e palpável, abrindo espaço para que os setores mais dinâmicos da economia se desenvolvam. É preciso desburocratizar os órgãos públicos e solidificar o poder e a independência das agências reguladoras.
O PAC pouco aborda esses temas e, quando aborda, o faz de maneira gasosa, pouco objetiva. Por outro lado, oferece uma ampla lista de projetos, cujas fontes de financiamento não são claras e cujo incentivo à participação do setor privado é duvidoso.
Mais eficiente seria aproveitar a oportunidade para reduzir ainda mais rapidamente a dívida pública, permitindo que as taxas de juros e os impostos caíssem de maneira sustentada, o que criaria um clima convidativo à participação do setor privado em empreendimentos como os propostos pelo PAC. Simultaneamente, o governo se ocuparia com setores menos rentáveis, embora fundamentais, para o desenvolvimento, como saúde e educação básica. E trabalharia para estabelecer regras claras e estáveis para que as maiores taxas de investimento se perpetuem.
Apesar das boas intenções, o PAC e seu portentoso aparato de marketing pouco colaboram para o destravamento da economia, que continuará crescendo pouco quando comparada à média dos países emergentes.
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